Bolsas desabam após China anunciar retaliação aos EUA e mercado de ações global já perdeu quase US$ 5 trilhões

Crédito, Getty Images
- Author, Tom Espiner
- Role, Repórter de negócios da BBC News
- Tempo de leitura: 4 min
As bolsas ao redor do mundo despencaram ainda mais nesta sexta-feira (4/4), depois que a China reagiu aos impostos de importação dos Estados Unidos com tarifas retaliatórias.
No Brasil, oIbovespa fechou com queda de 2,96%,enquanto em Nova York o S&P 500 fechou em 5,97%, o Dow Jones em 5,5% e o Nasdaq, que reúne ações de empresas de tecnologia, em 5,8%.
Também no Brasil, o dólar chegou a subir mais de 3,6% nesta sexta, fechando em R$ 5,83,após ter registrada a cotação mais baixa no ano no dia anterior.
No Reino Unido, o índice FTSE 100 caiu 4,9%, enquanto o índice Dax da Alemanha apresentou queda de quase 5%, com algumas empresas registrando uma desvalorização de dois dígitos nos preços de suas ações.
O preço do barril de petróleo tipo Brent caiu quase 6%.
As perdas se somam às quedas acentuadas observadas na quinta-feira (3/4), à medida que os mercados de ações continuam a reagir à incerteza desencadeada pelas novas tarifas de importação impostas pelos EUA.
Os investidores temem que as tarifas aumentem os preços e prejudiquem o crescimento nos Estados Unidos e no exterior.
"Já vimos US$ 4,9 trilhões [R$ 28,3 trilhões] serem eliminados do valor do mercado de ações global desde o discurso do 'dia da libertação' [como o presidente americano Donald Trump chamou o dia em que amplas tarifas foram anunciadas]", escreveu o analista da plataforma de investimentos britânica AJ Bell, Dan Coatsworth.
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"A rápida queda nas ações e títulos nos últimos dias prejudicou os investimentos das pessoas, incluindo aquelas nos EUA que deveriam ter se beneficiado das ações de Trump", acrescentou Coatsworth.
Na quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, anunciou uma tarifa básica universal de 10% sobre todas as importações para os EUA — e "tarifas recíprocas" mais altas para alguns países, como de 54% para China, por terem superávits comerciais. Para o Brasil, a tarifa recíproca anunciada foi de 10%.
As novas tarifas desencadearam a queda observada nos mercados de ações globais na quinta-feira — quando os mercados dos EUA tiveram seu pior dia desde o impacto da pandemia de covid-19 em 2020.
Trump disse a jornalistas, na quinta-feira, que achava que as coisas estavam indo "muito bem", acrescentando que "os mercados vão crescer".
Mas, nesta sexta-feira, os mercados continuaram a patinar e, em seguida, despencaram depois que a China anunciou que vai impor tarifas retaliatórias de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA a partir de 10 de abril.
Trump comentou a decisão chinesa e desdenhou da queda global das ações nesta sexta-feira, dizendo tratar-se de uma boa oportunidade para "ficar rico".
"A China errou, eles entraram em pânico — a única coisa que eles não podem fazer!", postou Trump na sua rede social Truth Social, escrevendo a mensagem com todas as letras maiúsculas, como se tornou sua marca registrada.
"Para os muitos investidores que vêm para os Estados Unidos e investem quantias enormes de dinheiro, minhas políticas nunca mudarão. Este é um ótimo momento para ficar rico, mais rico do que nunca!!!", escreveu, também em maiúsculas.
Em Londres, as ações dos bancos Barclays e NatWest despencaram 10%, assim como as da empresa de mineração Glencore. As da fabricante de motores Rolls-Royce caíram 8%.

Crédito, Reuters
Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, disse que a "venda implacável" continua, apesar de os investidores "esperarem que o sofrimento fosse acabar".
"Há tantos elementos em movimento que não é fácil entender a situação [como investidor]", ele afirmou.
"Com inúmeros setores que devem ser atingidos pelas tarifas, é difícil saber por onde começar a compreender a situação."
Jane Sydenham, diretora de investimentos da Rathbones, observou que as ações de bancos, empresas com cadeias de suprimentos expostas às tarifas e do setor de tecnologia estavam caindo.
De acordo com ela, os investidores estavam comprando ativos que funcionam como um porto seguro, incluindo ouro e títulos do governo.
A China estava "sob forte pressão" para responder às tarifas de 54% sobre a maioria das mercadorias, segundo ela — e sua economia era grande o suficiente para ser capaz de tomar tal medida.
Mas os países com economias menores precisam ser mais cautelosos, ela acrescentou.
Os preços do petróleo caíram drasticamente, à medida que os investidores temiam que as tarifas pudessem desacelerar o crescimento econômico e agravar as disputas comerciais.
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, disse que as novas tarifas "representam claramente um risco significativo para a perspectiva global em um momento de crescimento lento".
Ela afirmou que o FMI ainda está analisando as "implicações macroeconômicas" das medidas — e enfatizou a necessidade de evitar ações que possam causar mais danos à economia global.
As quedas desta sexta-feira acontecem após o anúncio das novas tarifas de Trump desencadear, na véspera, a queda mais acentuada nas ações dos EUA desde 2020.
O índice de ações S&P 500 dos EUA fechou em queda de 4,8%, enquanto o Nasdaq despencou quase 6%.
Nike, Apple e Target ficaram entre as empresas mais atingidas, com todas elas vendo suas ações despencarem mais de 9%.












