Trump diz que vai estender cessar-fogo com Irã e manter bloqueio no Estreito de Ormuz

Crédito, Getty Images
- Author, Bernd Debusmann Jr
- Role, Correspondente da Casa Branca
- Tempo de leitura: 3 min
O presidente americano, Donald Trump, anunciou na tarde desta terça-feira (21/4) que os Estados Unidos vão estender o cessar-fogo com o Irã, a pedido do Paquistão, e continuar o bloqueio no Estreito de Ormuz aos portos iranianos.
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump escreveu:
"Com base no fato de que o governo do Irã está seriamente fragmentado — algo que não é inesperado —, e a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes e representantes consigam apresentar uma proposta unificada", afirmou.
"Portanto, instruí nossas Forças Armadas a manter o bloqueio e, em todos os demais aspectos, permanecer de prontidão. Assim, estenderemos o cessar-fogo até que essa proposta seja apresentada e as negociações sejam concluídas, de uma forma ou de outra."
O anúncio foi feito na véspera da data estabelecida para o fim cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, na quarta-feira (22/4). Com o acordo prestes a expirar, ainda pairavam dúvidas sobre a retomada das negociações e predominavam as tensões entre os dois países.
Uma nova rodada de conversas estava prevista para ocorrer em Islamabad, no Paquistão, esta semana, com a presença do vice-presidente americano, J.D. Vance.
Contudo, após o anúncio Trump, a Casa Branca informou que a viagem de JD Vance ao Paquistão foi cancelada.
"Quaisquer novas atualizações sobre reuniões presenciais serão anunciadas pela Casa Branca", disse um funcionário do governo, segundo a CBS, parceira da BBC nos Estados Unidos.
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Teerã ainda não havia confirmado o envio de uma delegação para as negociações. Segundo divulgado pela mídia estatal iraniana, autoridades do país não irão participar de novas conversas enquanto o bloqueio dos EUA permanecer em vigor.
A decisão de Trump de estender o cessar-fogo com o Irã — por tempo indeterminado — representa uma reviravolta significativa em relação à posição manifestada apenas algumas horas antes de anúncio.
Falando à CNBC mais cedo na terça, o presidente americano disse que esperava seguir "bombardeando [o Irã]" e afirmou que os militares estavam "prontos para agir". Ele também repetiu a advertência de que destruiria todas as pontes e usinas de energia do Irã.
Ao longo do conflito, Trump tem tentado intimidar o regime iraniano com sucessivas ameaças.
Ao prolongar a trégua, ele opta por não cumprir — ao menos por enquanto — suas ameaças de retomar uma intensa campanha aérea contra Teerã.
Esse foi o segundo momento, em duas semanas, em que Trump recuou de declarações que apontavam uma escalada no conflito — um sinal de que ele parece cada vez mais interessado em reduzir a intensidade da guerra.
A prorrogação do cessar-fogo dá ao presidente americano mais tempo e flexibilidade nas negociações.
E oferece o retrato mais claro até agora do que a administração dos EUA pensa sobre a possibilidade de negociações.
Em primeiro lugar, a mensagem indica que, na visão do presidente americano, não está claro qual é exatamente a proposta iraniana, nem quem, dentro do governo em Teerã, está de fato no comando.
Isso reforça algo que Trump costuma dizer com frequência: que a liderança do Irã foi enfraquecida e que as comunicações internas e as decisões estão caóticas.
O anúncio também evita sinalizar um retorno total às hostilidades, o que seria politicamente complicado para o presidente nos Estados Unidos e sensível do ponto de vista econômico, especialmente em relação aos preços do petróleo.
Chama atenção ainda o fato de Trump não ter apresentado um cronograma e ter tirado qualquer prazo para chegar a uma solução — uma estratégia que, em tese, lhe dá mais flexibilidade.
No entanto, o bloqueio aos portos iranianos continua. O Irã vê isso como um ato de guerra, o que deve seguir como um obstáculo para futuras negociações. O país pode optar por escalar o conflito ou manter uma espécie de "guerra fria" no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz.


























