Israel inicia ofensiva para tomar controle da Cidade de Gaza: o que se sabe

Crédito, Getty Images
- Author, David Gritten & Gabriela Pomeroy
- Role, BBC News
- Tempo de leitura: 3 min
Forças israelenses anunciaram nessa quarta-feira (20/08, no horário de Brasília) terem iniciado "ações preliminares" de uma ofensiva terrestre para capturar e ocupar toda a Cidade de Gaza, afirmando já terem controle sobre seus arredores.
Um porta-voz militar afirmou que tropas israelenses já estão operando nas áreas de Zeitoun e Jabalia para preparar o terreno para a ofensiva — que o ministro da Defesa, Israel Katz, aprovou na terça-feira (19) e que será submetida ao gabinete de segurança ainda esta semana.
Cerca de 60.000 reservistas estão sendo convocados para o início de setembro, a fim de liberar militares da ativa para a operação.
O grupo palestino Hamas, que administra Gaza, acusa Israel de obstruir um acordo de cessar-fogo para continuar uma "guerra brutal contra civis inocentes", informou a agência de notícias Reuters.
Centenas de milhares de palestinos na Cidade de Gaza devem receber ordens para evacuar e se dirigir a abrigos no sul de Gaza, à medida que os preparativos para o plano de tomada avançam.
Muitos países condenaram o plano, como a França, cujo presidente Emmanuel Macron afirmou nesta quarta que a ofensiva "só pode levar ao desastre para ambos os povos e corre o risco de mergulhar toda a região em um ciclo de guerra permanente".
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha, por sua vez, afirmou que novos deslocamentos e a intensificação do conflito trazem "o risco de agravar uma situação já catastrófica" para a população de 2,1 milhões de Gaza.
O governo israelense anunciou sua intenção de conquistar toda a Faixa de Gaza após o fracasso de negociações indiretas com o Hamas sobre um cessar-fogo e sobre um acordo de libertação de reféns no mês passado.
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Em pronunciamento televisionado nesta quarta-feira, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), brigadeiro-general Effie Defrin, disse que o Hamas estava "ferido" após 22 meses de guerra.
"Aprofundaremos os danos ao Hamas na Cidade de Gaza, um reduto do terror governamental e militar da organização terrorista", acrescentou.
"Aprofundaremos os danos à infraestrutura terrorista acima e abaixo da terra e cortaremos a dependência da população do Hamas."
Para "minimizar os danos aos civis", disse ele, a população da Cidade de Gaza seria avisada para evacuar, por questões de segurança.
Mahmoud Bassal, porta-voz da agência de Defesa Civil de Gaza, administrada pelo Hamas, disse à agência de notícias AFP na terça-feira que a situação era "muito perigosa e insuportável" nas regiões de Zeitoun e Sabra, onde as IDF disseram já estar atuando.
A AFP informou que ataques israelenses mataram 25 pessoas em todo o território palestino na quarta-feira.
Entre eles, estavam três crianças e seus pais. A casa da família, no campo de refugiados de Shati, a oeste da Cidade de Gaza, foi bombardeada, segundo a reportagem.
Defrin afirmou que as IDF estão fazendo todo o possível para evitar consequências negativas aos 50 reféns ainda mantidos, vivos ou mortos, pelo Hamas em Gaza. Acredita-se que 20 deles estejam vivos.
As famílias dos reféns expressaram preocupação com a situação daqueles que estão na Cidade de Gaza, diante da ofensiva terrestre.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha alertou para uma situação catastrófica tanto para os civis palestinos quanto para os reféns, caso a atividade militar em Gaza se intensifique.
"Após meses de hostilidades implacáveis e deslocamentos repetidos, a população de Gaza está completamente exausta. O que eles precisam não é de mais pressão, mas de alívio. Não de mais medo, mas de uma chance de respirar. Eles precisam ter acesso ao essencial para viver com dignidade: alimentos, suprimentos médicos e de higiene, água limpa e abrigo seguro", afirmou um comunicado da organização.
"Qualquer intensificação adicional das operações militares só aumentará o sofrimento, separará mais famílias e ameaçará uma crise humanitária irreversível. As vidas dos reféns também podem estar em risco."
O texto pede um cessar-fogo imediato e a passagem rápida e desimpedida de ajuda humanitária por Gaza.
Mediadores do Catar e do Egito estão buscando um acordo de cessar-fogo e apresentaram uma nova proposta para uma trégua de 60 dias e a libertação de cerca de metade dos reféns, que o Hamas afirmou ter aceitado na segunda-feira.
Israel ainda não apresentou uma resposta formal, mas autoridades israelenses insistiram na terça-feira que não aceitariam mais um acordo parcial e exigiram um acordo abrangente que permitisse a libertação de todos os reféns.
Na quarta-feira, o Hamas acusou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de desconsiderar a proposta de cessar-fogo dos mediadores, classificando o político como o "verdadeiro obstáculo a qualquer acordo", segundo um comunicado citado pela Reuters.
O exército israelense lançou uma ofensiva em Gaza em resposta ao ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e outras 251 foram feitas reféns.
Pelo menos 62.122 pessoas foram mortas em Gaza desde então, de acordo com o Ministério da Saúde do território palestino. Os números do ministério são citados pelas Nações Unidas e outros como a fonte mais confiável de estatísticas sobre vítimas.












