A angústia de Zelensky em busca de alternativa ao plano 'secreto' de Trump para guerra na Ucrânia

 Volodymyr Zelensky falando ao microfone vestido em roupas preta

Crédito, Anadolu via Getty Images

Tempo de leitura: 4 min

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse nesta sexta-feira (21/11) que a Ucrânia apresentará "alternativas" a um plano de paz proposto pelo governo Trump.

"Apresentarei argumentos, tentarei persuadir e vou propor alternativas", declarou Zelensky, em discurso à nação, proferido em frente ao palácio presidencial em Kiev.

Numa referência à resposta de Kiev à invasão russa em larga escala em fevereiro de 2022, ele acrescentou: "Não traímos a Ucrânia naquela época e não a trairemos agora."

Em seu discurso de 10 minutos, Zelensky alertou que a Ucrânia pode enfrentar uma "escolha muito difícil: perder sua dignidade, ou correr o risco de perder um parceiro fundamental", numa aparente referência aos EUA que, segundo relatos, estariam pressionando a Ucrânia a aceitar um plano para encerrar a guerra com a Rússia.

O presidente ucraniano também afirmou que "hoje é um dos momentos mais difíceis da nossa história".

'O inimigo não está dormindo'

Zelensky afirmou ainda que, na próxima semana, a Ucrânia enfrentará "muita pressão... para nos enfraquecer, para nos dividir", acrescentando que "o inimigo não está dormindo".

Ele também exortou os ucranianos a permanecerem unidos diante da pressão.

"O interesse nacional da Ucrânia deve ser levado em consideração", diz ele, acrescentando que "não faremos declarações bombásticas; trabalharemos calmamente com os Estados Unidos e todos os nossos parceiros".

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"Teremos uma busca construtiva por soluções com nosso principal parceiro", enfatizou Zelensky, referindo-se aos EUA.

Zelensky tem conversado com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, conforme confirmado pela CBS News, parceira da BBC nos EUA.

Citando uma autoridade ucraniana, a produtora da CBS na Casa Branca, Kristin Brown, escreve no X (antigo Twitter): "Vance e Zelensky conversaram hoje sobre a proposta de plano de paz."

Em uma entrevista à Fox Radio nesta sexta-feira, Donald Trump afirmou que a Ucrânia perderá mais território "em pouco tempo".

Embora tenha dito que os prazos podem ser estendidos se as coisas "correrem bem", a Casa Branca acredita que quinta-feira (27/11) — Dia de Ação de Graças nos EUA — é "uma data apropriada" para a Ucrânia assinar o plano de paz proposto.

Sobre as preocupações de que a Rússia possa, no futuro, representar uma ameaça ao Báltico ou a outras partes da Europa, Trump afirmou que "eles [a Rússia] serão detidos".

"Eles não estão buscando mais guerras", acrescentou. "Eles estão sendo punidos."

Donald Trump

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Em uma entrevista à Fox Radio nesta sexta-feira, Donald Trump afirmou que a Ucrânia perderá mais território 'em pouco tempo'

O que prevê o plano de Trump para a Ucrânia?

A minuta do plano de paz que vem sendo discutido foi divulgada publicamente por um político da oposição ucraniana e confirmada por um funcionário da Casa Branca, segundo informações da CBS News, parceira da BBC nos EUA.

Composto por 28 pontos, o plano do governo Trump funcionaria da seguinte forma:

  • Cessar-fogo imediato: Entraria em vigor imediatamente caso ambas as partes concordassem com o acordo.
  • A Ucrânia cederia território: Este é um dos elementos mais controversos, pois envolve a cessão, por parte da Ucrânia, de territórios não ocupados. A Rússia também manteria grande parte do território ucraniano sob sua ocupação – Crimeia, Donetsk e Luhansk – e essas áreas seriam reconhecidas pelos EUA como território russo de fato.
  • A Ucrânia deixaria de aderir à OTAN: Kiev renunciaria às suas aspirações de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte – atualmente previstas em sua Constituição. O caminho para se tornar um Estado-membro da União Europeia, no entanto, permaneceria aberto.
  • Limite militar para Kiev: O efetivo militar do país seria limitado a 600 mil pessoas.
  • Garantia dos EUA: Se a Rússia invadir a Ucrânia novamente, isso desencadearia uma "resposta militar coordenada e decisiva" e a reinstalação das sanções contra Moscou.
  • Eleições ucranianas: Precisariam ser realizadas em até 100 dias. A Ucrânia tinha eleições externas agendadas para o início de 2024, mas elas foram adiadas devido à guerra.
  • Garantias econômicas: O plano prevê um plano de recuperação para a Ucrânia, cuja economia foi devastada por anos de guerra. Cerca de US$ 100 bilhões (R$ 538 bilhões) em ativos russos congelados seriam investidos na Ucrânia, enquanto a Rússia iniciaria negociações para o levantamento das pesadas sanções que enfrenta desde o início da invasão.