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Diretor de 'O Agente Secreto' rebate críticas de uso de dinheiro público no filme: 'Visão atrasada'
Com orçamento total estimado em cerca de R$ 28 milhões, O Agente Secreto contou com diferentes fontes de financiamento, entre recursos nacionais e internacionais.
Segundo a assessoria da produção do filme, a maior parte — pouco mais de R$ 14 milhões — veio de coprodutores estrangeiros da França, Alemanha e Holanda.
Cerca de R$ 5,5 milhões foram financiados pela iniciativa privada e R$ 7,5 milhões pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), ligado à Agência Nacional do Cinema (Ancine).
O fato de parte do dinheiro usado para produção ser proveniente de verba pública gerou críticas ao longa, o que, na avaliação do diretor Kleber Mendonça Filho, reflete uma "visão atrasada", desconectada da forma como outros países tratam a cultura.
"Eu acho que é uma falta de visão extraordinária, porque um país inteligente investe na sua própria cultura, da mesma maneira que um país inteligente investe na educação e na saúde. São investimentos que voltam multiplicados em relação ao que o país, como nação, ganha em identidade, em compreensão do próprio país", afirmou o diretor.
"Então, quanto mais informação ou quanto mais capacidade de você se identificar com o que é feito no país, é melhor para o país."
De acordo com Mendonça Filho, pouco mais de 100 filmes são feitos todo ano no Brasil, a maior parte deles com incentivos públicos.
"E o Brasil não está sozinho nisso", pontuou, citando exemplos de países que mantêm políticas de investimento em produção cultural.
"A Coreia do Sul, a França, a Alemanha, Holanda, Austrália, o Canadá, o México, são países que investem na sua própria cultura. Então, me parece que é uma visão muito atrasada e que eu não entendo como ela continua sendo propagada como algo que faz sentido, porque não faz o menor sentido."
Assista a um trecho da entrevista no vídeo.