Melania Trump lança sua própria criptomoeda

Melania Trump

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Melania dois dias antes da posse
    • Author, Peter Hoskins e Joe Tidy
    • Role, Da BBC News
  • Tempo de leitura: 4 min

Um dia antes de estar sob os holofotes na posse presidencial, a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, lançou sua própria criptomoeda, no domingo (19/1).

O anúncio foi feito alguns dias depois do presidente Donald Trump lançar sua própria moeda virtual, $Trump, na sexta (17/1).

Ambas as moedas tiveram variações em sua valorização.

"Está no ar!", postou a primeira-dama na plataforma de redes sociais X, no domingo. "Você já pode comprar $Melania."

Nos sites das moedas, há um aviso dizendo que as moedas não têm a intenção de ser uma oportunidade de investimento.

Retrato em preto e branco de Melania com as mãos na frente do rosto

Crédito, Melania Trump

Legenda da foto, Durante a campanha, família Trump lançou uma empresa de criptomoeda chamada World Liberty Financial

De acordo com o site CoinMarketCap, a criptomoeda $Trump tem uma avaliação total de mercado de cerca de $12 bilhões (R$ 72 bi) no momento, enquanto a de $Melania está em torno de $1,7 bilhão (R$ 10 bi).

Trump já havia chamado criptomoedas de "golpe", mas durante a campanha eleitoral de 2024 se tornou o primeiro candidato presidencial a aceitar ativos digitais como doações.

Durante a campanha, sua família lançou uma empresa de criptomoeda chamada World Liberty Financial - que visa liderar "uma revolução financeira desmantelando o domínio das instituições financeiras tradicionais", e também está vendendo uma criptomoeda.

A nova moeda Trump foi lançada pela afiliada da Trump Organization, a CIC Digital, que está vinculada a vendas anteriores de NFTs colecionáveis ​​de criptomoedas lançadas em 2022 que renderam milhões de dólares, mas desde então caíram drasticamente em valor para seus proprietários.

De acordo com a CoinGecko, os NFTs já foram vendidos por mais de $1.000, mas desde então caíram em valor para cerca de $300.

'Moedas meme'

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Na campanha eleitoral, Trump também disse que criaria um "estoque estratégico" de Bitcoin e nomearia reguladores financeiros que adotassem uma postura mais positiva em relação aos ativos digitais.

Isso estimulou expectativas de que ele retiraria as regulamentações da indústria de criptomoedas.

Após a vitória de Trump, o Bitcoin saltou para uma alta recorde de cerca de US$ 109 mil, de acordo com a plataforma de negociação de criptomoedas Coinbase.

Na sexta-feira, o 'guru' da inteligência artificial (IA) e das criptomoedas David Sacks realizou um "Baile das Cripto" em Washington, capital dos EUA.

Outras criptomoedas, incluindo a Dogecoin - que foi promovida pelo famoso apoiador de Trump, Elon Musk - também aumentaram muito de valor este ano.

Sob o presidente Joe Biden, os reguladores citaram preocupações sobre fraude e lavagem de dinheiro com as criptomoedas.

O crescimento do Dogecoin aumentou significativamente o interesse nas chamadas "moedas meme" - criptomoedas normalmente vinculadas a uma tendência ou momento viral da internet.

A "moeda meme" de Melania veio de sua própria empresa, MKT World – uma empresa que ela usa desde 2021 para vários empreendimentos, incluindo a venda de retratos dela como primeira-dama.

As "moedas meme" podem ser criadas e lançadas por qualquer pessoa, e existem milhares delas.

Com seu perfil e presença nas redes sociais, a moeda Trump e a moeda Melania já entraram no top 100 de moedas em termos de valor, e a moeda de Melania agora vale mais do que a Worldcoin do empreendedor de IA Sam Altman.

Conflito de interesses

Quando Trump lançou sua moeda, foi acusado de lucrar com a presidência ao lançar a iniciativa.

"Trump possuir 80% [dos tokens] e lançar a moeda horas antes da posse é algo predatório, e muitos provavelmente serão prejudicados por isso", disse em uma postagem nas redes sociais de Nick Tomaino, investidor em cripto e ex-executivo da Coinbase, uma das maiores plataformas globais do negócio.

Adav Noti, diretor-executivo do Campaign Legal Center, um grupo sem fins lucrativos de ética, também criticou o lançamento em conversa com o jornal New York Times.

"É literalmente lucrar com a presidência — criando um instrumento financeiro para que as pessoas possam transferir dinheiro para a família do presidente em conexão com seu cargo", afirmou Noti. "Isso vai muito além do sem precedentes."