As explicações da chefe do Serviço Secreto sobre atentado contra Trump: ‘Maior falha em décadas’

Kimberly Cheatle é uma mulher branca, de cabelos lisos e castanhos. Está vestida com um blazer azul marinho sobre camiseta branca, com um broche da bandeira dos Estados Unidos. Ela está com a mão direita erguida durante o juramento

Crédito, Kevin Mohatt/Reuters

Legenda da foto, A diretora do Serviço Secreto, Kimberly Cheatle, presta juramento durante uma audiência do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes
    • Author, Da BBC News
    • Role, Redação*
  • Tempo de leitura: 4 min

A diretora do Serviço Secreto dos Estados Unidos, Kimberly Cheatle, participou nesta segunda-feira (22/7) de uma audiência do Comitê da Câmara. A sessão durou quase cinco horas e contou com legisladores republicanos e democratas pedindo a renúncia de Cheatle pelas falhas de segurança que levaram ao atentado contra Donald Trump no último dia 13.

Vários membros do comitê expressaram sua frustração porque Cheatle se recusou repetidamente a responder a muitas perguntas. Ela respondeu insistentemente que não pode comentar sobre as investigações em andamento.

Cheatle admitiu que o comício de Trump em Butler, na Pensilvânia, foi o "fracasso operacional mais significativo" do Serviço Secreto em décadas

Mas, apesar dos apelos bipartidários pela sua renúncia, ela insiste que permanecerá no seu cargo e acredita que é “a melhor pessoa para liderar o Serviço Secreto neste momento”.

Cheatle diz que um relatório completo sobre a investigação interna em andamento será divulgado nos próximos 60 dias.

Os democratas aproveitaram parte da audiência para pedir a reforma das armas, argumentando que armas como o rifle semiautomático usado pelo atirador, Thomas Matthew Crooks, contra Trump na Pensilvânia são fáceis de se obter.

Cheatle não ofereceu nenhuma informação nova sobre por que o atirador conseguiu acessar o telhado onde estava quando atirou em Trump.

Alguns republicanos pareceram particularmente furiosos – um deles usou palavrões que levaram a um apelo por decoro – e vários culparam as iniciativas da política de diversidade, equidade e inclusão no Serviço Secreto por minar a segurança.

O republicano da Pensilvânia, Scott Perry, questionou Cheatle sobre se alguns dos agentes presentes no local - as mulheres - eram "muito pequenas" e incapazes de proteger Donald Trump, que é mais alto e mais pesado do que alguns dos agentes designados para a missão de segurança em Butler.

O republicano de Wisconsin, Glenn Grothman, perguntou anteriormente a Cheatle se ela deseja que "um terço do Serviço Secreto" seja composto por mulheres.

Imediatamente após o tiroteio, alguns comentadores - incluindo legisladores republicanos - questionaram porque é que tantas mulheres serviam no serviço secreto em Butler, e se o seu desempenho foi adequado.

Cheatle rejeitou essas afirmações, dizendo que seu único foco tem sido contratar “os melhores e mais brilhantes”, em vez de focar em cotas.

Perguntas sem respostas

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Várias testemunhas relataram ter visto um homem com um rifle no telhado minutos antes dos tiros serem disparados.

O presidente do Comitê da Câmara, James Comer, pressionou Cheatle sobre a razão de não haver nenhum agente no telhado durante o comício.

Ela respondeu dizendo que havia um plano em vigor para fornecer vigilância e que ainda estão "avaliando as responsabilidades e quem deveria fornecer vigilância".

Cheatle foi questionada sobre por que Donald Trump foi autorizado a subir no palco mesmo após algumas indicações de que havia um personagem suspeito na multidão.

Após o atentado, descobriu-se que a polícia avistou o atirador com um telêmetro, mas o perdeu de vista antes de ele surgir em um telhado próximo, atirando com seu refile do tipo AR.

Segundo Cheatle, a "natureza" dessa ameaça não era clara naquele momento, e eles não sabiam que Crooks estava armado. Se soubessem que ele estava armado, acrescenta ela, Trump não teria sido autorizado a subir no palco.

Ao longo da audiência, Cheatle não forneceu nenhuma informação nova sobre por que o atirador conseguiu acessar o telhado de onde atirou. Sua recusa para responder a maioria das perguntas deixou legisladores de todos os lados agitados e exignido respostas.

“Com todo o respeito, as respostas que ouvimos aqui hoje são completamente insatisfatórias”, disse democrata Melanie Stansbury. Segurando uma foto do evento, ela pergunta “como isso pôde acontecer?”

“Não se trata apenas de um tiroteio, mas de uma questão de segurança nacional”, diz ela.

"Desculpas patéticas"

Cheatle admitiu que ainda não visitou o local do tiroteio no recinto de feiras do condado de Butler. “O atirador visitou o local duas vezes mais do que você”, rebateu o republicano Pat Fallon.

Ele acrescenta que Cheatle alegou que havia preocupações de segurança sobre um telhado inclinado, referindo-se à alegação da diretora do Serviço de Segurança como “desculpas patéticas” e “estrume de vaca”.

O legislador do Texas, que serviu quatro anos na Força Aérea, diz que recriou o atentado contra a vida de Trump no seu próprio distrito.

"Acredito que sua terrível inépcia e falta de liderança qualificada são uma vergonha. Sua ofuscação é vergonhosa e você deveria ser demitida."

Cheatle diz que um relatório completo sobre a investigação interna em andamento será divulgado nos próximos 60 dias. Até o momento, nenhum funcionário do Serviço Secreto foi punido pelo tiroteio.

Apesar dos apelos bipartidários para que Cheatle renuncie, ela insiste que permanecerá em seu cargo e acredita que é “a melhor pessoa para liderar o Serviço Secreto neste momento”.

Cheatle, que está no cargo desde 2022, ingressou no Serviço Secreto em 1995 e supervisionou a equipe de proteção de Joe Biden quando ele era vice-presidente.