'Ninguém vai proibir que Brasil aprimore relação com a China', diz Lula em reunião com Xi Jinping

Xi Jinping e Lula em Pequim

Crédito, Ricardo Stuckert

Legenda da foto, Lula está em visita oficial à China
    • Author, Leandro Prazeres
    • Role, Enviado da BBC News Brasil a Pequim

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (14/04) que "ninguém vai proibir o aprimoramento" das relações entre o Brasil e a China.

A declaração foi feita no início do encontro do brasileiro com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim.

"Ontem (quinta-feira, 13/4), fizemos uma visita à Huawei numa demonstração de que nós queremos dizer ao mundo que não temos preconceito na nossa relação como os chineses e que ninguém vai proibir que o Brasil aprimore sua relação com a China", disse Lula a Xi Jinping.

A declaração de Lula acontece em meio ao recrudescimento das relações entre a China e os Estados Unidos e à pressão dos americanos sobre empresas chinesas de tecnologia.

Nos últimos anos, a pressão atingiu a Huawei, que é uma das maiores empresas chinesas.

Em 2022, o governo americano proibiu a importação de equipamentos de telecomunicação produzidos por diversas empresas chinesas, entre elas a Huawei. Os Estados Unidos alegam que haveria riscos "inaceitáveis" à segurança nacional.

Entre 2019 e 2021, os Estados Unidos pressionaram, nos bastidores, o governo brasileiro a não aceitar a participação da Huawei na licitação para a construção da rede que forneceria a tecnologia 5G, da qual a empresa chinesa é líder.

Xi Jinping e Lula em Pequim

Crédito, Ricardo Stuckert

Legenda da foto, Lula disse defender uma parceria geopolítica com a China para mudar a governança mundial

A fala de Lula vem numa sequência de recados sobre a importância que ele afirma dar às relações com a China.

Mais cedo, durante encontro com o presidente da Assembleia Nacional Popular da China, Zhai Leji, Lula disse defender uma parceria geopolítica com a China para mudar a governança mundial.

"Nossos interesses na relação com a China não são apenas comerciais [...] Temos interesses políticos e nós temos interesses em construir uma nova geopolítica para que a gente possa mudar a governança mundial dando mais representatividade às Nações Unidas", disse Lula.

Recados da China

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O presidente chinês também usou o encontro para mandar recados políticos.

Ele chamou o presidente Lula de "amigo" e disse que o sucesso das relações entre os dois países pode trazer estabilidade para o mundo.

"Um relacionamento China e Brasil em desenvolvimento constante, saudável e estável desempenhará papel positivo e importante par a apaz, estabilidade e desenvolvimento própsero para as regiões e para o mundo", disse o presidente.

Além das declarações políticas, o encontro entre Lula e Xi Jinping também foi marcado pela assinatura de 15 acordos em áreas que envolvem o desenvolvimento de satélites que irão monitorar a Amazônia, tecnologia, economia, cultura e meio ambiente.

Parte do objetivo da viagem de Lula era atrair investimentos chineses para o Brasil em um momento em que a economia brasileira vem enfrentado dificuldades para crescer.

Segundo estimativas feitas pelo Ministério da Fazenda, a expectativa é de que os acordos firmados entre os dois países durante a visita de Lula à China possam render pelo menos R$ 50 bilhões em investimentos.

Além dos acordos firmados entre os dois países, foram firmados pactos envolvendo empresas chinesas e brasileiras.

Um dos mais citados por auxiliares de Lula nos últimos dias, porém, ainda aguarda ajustes. Trata-se do plano de que a montadora de automóveis BYD, especializada em veículos elétricos, assuma a plata da Ford na Bahia.

A viagem de Lula encerra o que alguns diplomatas brasileiros vinham classificando como um o "pontapé" inicial da agenda de visitas internacionais de Lula. Nos primeiros quatro meses de seu governo, o petista visitou aqueles que são considerados os três principais parceiros comerciais e políticos do Brasil: Argentina (em janeiro), Estados Unidos (em fevereiro) e China (abril).

Apesar da expectativa, nem Xi Jinping e nem Lula mencionaram, publicamente, a guerra da Ucrânia o período ao qual os jornalistas tiveram acesso.

Nos últimos meses, Lula vem defendendo a criação de um clube de países que teria a missão de intermediar um processo que levasse à paz na Ucrânia.

A China, por sua vez, já lançou um plano com 12 itens prevento o fim do conflito entre a Ucrânia e a China.

A viagem de Lula ao país asiático termina neste sábado (15/04). Pela manhã, ele embarca ao Brasil, mas antes, passa nos Emirados Árabes Unidos, onde deverá ter um encontro com autoridades do país.

A expectativa, agora, fica em torno do comunicado conjunto que os dois países devem divulgar nesta sexta-feira ou nos próximos dias.

Segundo diplomatas brasileiros ouvidos pela BBC News Brasil, os termos exatos do comunicado ainda estavam sendo negociados poucas horas antes de Lula e Xi Jinping se encontrarem. Há expectativa de que a guerra da Ucrânia e a iniciativa trilionária da China conhecida como "Belt and Road" sejam incluídas, de alguma maneira, no texto.