Mais reféns israelenses são libertados após nova extensão da trégua entre Israel e Hamas

Mulher com véu abraça jovem; eles são observados por várias pessoas à noite

Crédito, ALAA BADARNEH/EPA-EFE/REX/Shutterstock

Legenda da foto, Reencontro na Cisjordânia de palestino que estava preso em Israel e familiares; mais de 150 prisioneiros já foram liberados após acordo

No sétimo dia de trégua entre Israel e o Hamas, duas reféns que haviam sido sequestradas pelo grupo palestino foram libertadas na quinta-feira (30/11). Ambas já estão de volta a Israel.

Espera-se que mais reféns sejam libertados, disseram as Forças de Defesa de Israel (IDF).

A libertação ocorreu no mesmo dia em que um ataque deixou três mortos e ao menos 16 feridos em Jerusalém. O Hamas assumiu a autoria.

O ataque veio um dia após dois meninos palestinos, de 8 e 14 anos, terem sido baleados e mortos durante um ataque do Exército israelense na cidade de Jenin, na Cisjordânia.

Israel também anunciou uma extensão no cessar-fogo em Gaza pelo sétimo dia, enquanto mediadores internacionais tentam negociar a libertação de mais reféns.

O acordo inicial entre Israel e Hamas mediado pelo Catar previa quatro dias de pausa nos conflitos, período que depois foi prorrogado por mais dois dias.

Na quarta-feira (29/11), pelo menos 12 reféns israelenses e quatro tailandeses foram libertados, segundo as IDF.

Até a terça-feira (28), um total de 81 reféns que estavam em Gaza — todos mulheres e crianças — haviam sido liberados. Os prisioneiros palestinos soltos somavam 180 e respondiam a acusações variadas, de lançamento de pedras à tentativa de assassinato.

Eles foram liberados a partir de uma lista de 300 detentos palestinos compilada por Israel. Menos de um quarto dos que constavam na lista foram condenados — a grande maioria estava em prisão preventiva aguardando julgamento.

A trégua prevê a libertação de um refém pelo Hamas em troca da soltura de três palestinos detidos em Israel.

Uma das reféns liberadas na terça foi Tami Metzger, 78 anos, sequestrada em Nir Oz junto com seu marido Yoram, 80 anos, que permanece sequestrado pelo Hamas. Tami tem mobilidade limitada e Yoram tem diabetes e quebrou o quadril há seis meses, segundo a nora do casal.

Entre os detentos palestinos liberados estava um adolescente de 14 anos que, em entrevista à rede Al Jazeera, afirmou ter presenciado muitas agressões nas prisões. Ele também disse ter escutado que não poderia sair de sua casa e nem comemorar sua libertação, pois poderia ser levado preso de novo.

3 pessoas sorrindo e segurando bandeira de Israel, com helicóptero ao fundo

Crédito, ABIR SULTAN/EPA-EFE/REX/Shutterstock

Legenda da foto, Pessoas com bandeira de Israel comemoram chegada de reféns na cidade de Ramat Gan
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Na segunda-feira, as partes concordaram em prorrogar a trégua por mais 48h.

Um porta-voz do governo israelense afirmou que o país está aberto a um acréscimo de mais cinco dias de trégua sob o acordo atual.

"É claro que ambos os lados parecem querer isso [a prorrogação da trégua], desde que o processo se desenrole mais ou menos como o planejado, com pouquíssimas interrupções e desafios", afirma o jornalista da BBC Paul Adams, que está em Jerusalém.

"Não sabemos a situação das negociações que estão em curso, mas sabemos que elas estão em curso. Os esforços para manter esta trégua serão intensos."

Mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já afirmou, de todo modo, que após a trégua as forças israelenses planejam continuar suas operações militares em Gaza com "toda a força".

Em Israel, alguns temem que uma pausa prolongada possa dar tempo ao Hamas para se reagrupar e organizar as suas defesas antes do possível reinício da guerra.

Em Gaza, com a trégua, a assistência está chegando com mais facilidade e os moradores estão usando a pausa no conflito para procurar desaparecidos, que o Hamas, que governa o território, estima serem cerca de 1.500 pessoas.