Depois de tarifa ao Brasil, Trump anuncia 30% de taxa para México e União Europeia

Crédito, EPA/Shutterstock
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas de 30% sobre produtos do México e da União Europeia. A previsão é que entrem em vigor a partir de 1º de agosto.
O anúncio foi feito neste sábado (12/7), por meio de rede social, e vem depois de Trump ter anunciado tarifas a países como Japão, Coreia do Sul, Canadá e Brasil (leia mais abaixo).
Trump divulgou cartas à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e à presidente do México, Claudia Sheinbaum, ambas com data de sexta-feira (11/7). E disse que imporia impostos de importação ainda mais altos se um dos parceiros comerciais dos EUA decidisse retaliar.
Na carta à líder mexicana, Trump diz que os Estados Unidos impuseram tarifas ao México "para lidar com a crise do fentanil da nossa nação, que é causada, em parte, pela falha do México em deter os cartéis, que são compostos pelas pessoas mais desprezíveis que já caminharam sobre a Terra, de despejarem essas drogas em nosso país".
O ministro da economia do México, Marcelo Ebrard, chamou a nova tarifa de "injusta", em declaração divulgada em rede social.
Já Sheinbaum disse acreditar que seria possível chegar a um acordo antes do período estipulado para início da vigência da nova tarifa. Em um evento no Estado mexicano de Sonora, ela ressaltou também que a soberania no México "não é negociável".
Em carta para a líder da Comissão Europeia, Trump destaca os déficits comerciais dos Estados Unidos com a União Europeia e diz que a relação não é recíproca.
"Tivemos anos para discutir nossa relação comercial com a União Europeia e concluímos que devemos nos afastar desses déficits comerciais persistentes e prolongados, causados por políticas tarifárias e não tarifárias da União Europeia", disse. "Nosso relacionamento tem sido, infelizmente, longe de ser recíproco."
Em 2024, o déficit comercial dos EUA com o bloco foi de US$ 235,6 bilhões, de acordo com dados dos Estados Unidos.
Ursula von der Leyen respondeu que a imposição de tarifa de 30% sobre as exportações da União Europeia "interromperia cadeias de suprimentos transatlânticas essenciais, em detrimento de empresas, consumidores e pacientes em ambos os lados do Atlântico".
Ela não descartou uma retaliação.
"Continuamos prontos para continuar trabalhando em direção a um acordo até 1º de agosto. Ao mesmo tempo, tomaremos todas as medidas necessárias para proteger os interesses da UE, incluindo a adoção de contramedidas proporcionais, se necessário."
Os 27 membros da UE — o maior parceiro comercial dos Estados Unidos — tinham dito no início da semana que esperavam fechar um acordo com Washington antes de 1º de agosto.
Tarifas ao Brasil
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Na quarta-feira (9/7), Trump enviou a Luiz Inácio Lula da Silva uma carta na qual afirma que os EUA começarão a cobrar uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras ao país.
Para justificar a medida, prevista para entrar em vigor a partir de 1º de agosto, Trump citou o que chamou de "caça às bruxas" feita contra o ex-presidente Jair Bolsonaro — seu apoiador e aliado — que está sendo julgado no Brasil por suposta tentativa de golpe de Estado. Trump também citou preocupações com a liberdade de expressão e sanções da Justiça brasileira a plataformas de redes sociais americanas.
O presidente americano ainda criticou barreiras brasileiras ao comércio e disse que os EUA têm prejuízos econômicos na sua relação com o Brasil — apesar de números oficiais apontarem o contrário.
O governo brasileiro criticou Trump pela carta e sugeriu que o Brasil retaliaria com tarifas a produtos americanos. Na carta, Trump afirma que qualquer retaliação brasileira seria respondida com mais tarifas americanas ao Brasil.
As tarifas anunciadas por Trump contra o Brasil vêm em um momento em que ele está enviando cartas a diversos líderes globais anunciando o aumento da taxação de importados. Até agora, o Brasil recebeu a maior alíquota de todos os países — 50%.
Nesta sexta-feira (11/7), Trump disse que pode negociar com Lula em "algum momento", mas "não agora".















