Eleições no Peru: direitistas Keiko Fujimori e Rafael López Aliaga saem na frente em disputa acirrada por lugar em 2º turno

Keiko Fujimori e Rafael López Aliaga falando ao microfone.

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, Keiko Fujimori e Rafael López Aliaga lideram a intenção de votos
    • Author, Ana Pais
    • Role, BBC News Mundo
  • Tempo de leitura: 4 min

Os peruanos foram às urnas no domingo (12/04) para escolher entre um número recorde de 35 candidatos à Presidência e, como já se previa, as tendências indicam que nenhum alcançou os 50% dos votos necessários para vencer no primeiro turno.

Com 40% dos votos apurados, a candidata de direita Keiko Fujimori lidera a contagem com 17% do total, seguida de perto pelo ultraconservador Rafael López Aliaga, com 16%. Em terceiro lugar aparece o centrista Jorge Nieto, com 13%.

No entanto, a diferença percentual entre os candidatos é tão pequena e o voto está tão fragmentado que tudo ainda pode acontecer.

Em meio ao aumento da criminalidade e a uma crise política que vem corroendo a confiança nas instituições, o dia de votação não foi isento de problemas.

As urnas abriram às 7h da manhã, no horário local, com atrasos em algumas regiões, incluindo a capital, onde mais de 63 mil pessoas ficaram sem votar, informou neste domingo Piero Corvetto, chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe).

Segundo Corvetto, houve falhas na distribuição do material eleitoral, mas ao longo do dia a imprensa local também relatou atrasos na instalação das mesas de votação e ausência de mesários.

Para resolver o problema, a Onpe determinou que os cidadãos afetados pela falta de material eleitoral poderão votar nesta segunda-feira (13/04).

Cerca de 27 milhões de pessoas estavam habilitadas a votar tanto no Peru quanto no exterior.

Além de presidente e vice-presidente, também concorreram candidatos a deputados e senadores.

O presidente eleito provavelmente enfrentará um Congresso dividido, o que pode não apenas dificultar a implementação de sua agenda política, como também ameaçar sua permanência no cargo.

O vencedor do segundo turno será o nono presidente do Peru em 10 anos.

Keiko Fujimori indo votar em 12 de abril.

Crédito, Klebher Vasquez/Anadolu via Getty Images

Legenda da foto, Esta é a quarta eleição consecutiva em que Keiko Fujimori concorre à presidência do Peru

A direita contra a direita

Se a tendência dos primeiros resultados se confirmar, o segundo turno será entre dois candidatos de direita.

A candidata do partido Fuerza Popular tem 50 anos e é herdeira do controverso presidente Alberto Fujimori, acusado de autoritarismo. Seu slogan de campanha, por exemplo, é "a ordem volta".

Esta passaria a ser a quarta eleição consecutiva em que Keiko Fujimori chega ao segundo turno. Nas três anteriores, ela foi derrotada por políticos que não concluíram seus mandatos.

O ultraconservador Rafael López Aliaga

Crédito, Luis ROBAYO / AFP via Getty Images

Legenda da foto, O ultraconservador Rafael López Aliaga deixou a prefeitura de Lima para lançar sua segunda tentativa de chegar à presidência

López Aliaga, candidato do partido Renovación Popular, deixou a prefeitura de Lima para lançar sua segunda tentativa de chegar à Presidência. Na vez anterior, não conseguiu avançar ao segundo turno.

O milionário de 65 anos pertence à Opus Dei e pratica o celibato desde os 19 anos.

Ambos os candidatos prometeram mão dura contra a criminalidade e a corrupção, dois dos temas que mais preocupam os peruanos.

Para isso, tanto López Aliaga quanto Fujimori propuseram a construção de megapenitenciárias de segurança máxima e a retirada do Peru da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Suas propostas são semelhantes, embora se diferenciem nas formas de colocá-las em prática.

Resta saber o que farão os eleitores dos demais candidatos, que somam mais de 60% dos votos, nesse eventual segundo turno entre candidatos de direita.

O presidente do Peru, José María Balcázar, usando a faixa presidencial

Crédito, Jorge Cerdán / Getty

Legenda da foto, No Peru, os presidentes não duram muito tempo no cargo. O atual, José María Balcázar, assumiu em fevereiro e terá que deixar o cargo em julho