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Militares torturam antigo PM guineense | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um grupo de militares espancou esta madrugada o presidente do Tribunal de Contas e líder do Partido para a Democracia, Desenvolvimento e Cidadania, PADEC, Francisco José Fadul, revelou o próprio. O líder do PADEC encontra-se hospitalizado nos cuidados intensivos do Hospital Nacional Simão Mendes. O seu estado clínico não foi revelado à imprensa. Acredita-se que não esteja a correr perigo de vida. Em declarações à imprensa no hospital, Francisco Fadul explicou que 15 militares armados invadiram a sua casa esta madrugada, tendo-o espancando, esbofeteado a mulher e retirado, à força, os telemóveis, computadores e até as alianças do casal. Processo O líder do PADEC e presidente do Tribunal de Contas anunciou que vai mover uma queixa-crime contra o Estado visando o primeiro-ministro e o ministro da Defesa, enquanto responsáveis pelo controlo dos militares. O espancamento de Fadul deve-se, segundo o próprio, às críticas que o líder do PADEC dirigiu aos militares na semana passada.
Fadul acusara o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, de estar indevidamente a dar dinheiro aos militares o que, na opinião de Fadul, “demonstra uma clara submissão do governo aos militares”. Fadul manifestou-se ainda contra a decisão militar de torturar o advogado Pedro Infanda na semana passada. Infanda e Fadul estão ambos em tratamento nos cuidados intensivos do Hospital Simão Mendes de Bissau. No PADEC predomina um sentimento de revolta. Os militantes e simpatizantes do partido deslocaram-se em massa esta manhã ao Hospital Simão Mendes, em gesto de solidariedade para com o seu líder. Denúncias “Estamos num país onde tudo pode acontecer mas vamos encorajá-lo. É o único com coragem e perfil para dirigir este país, e vamos avançar com a sua candidatura às presidenciais antecipadas”, referiu Isaías José Ramalho, secretário nacional para a Cultura e Comunicação do PADEC. Em comunicado, as Nacões Unidas, através do representante especial de Ban Ki-Moon em Bissau condenaram o acto perpetrado contra Fadul. A Liga Guineense dos Direitos Humanos considerou que actos deliberados e cobardes de tortura de cidadãos que tenham manifestado opiniões opostas às defendidas pelos militares demonstram que as Forças Armadas ainda não estão à altura dos desafios contemporâneos. “A Liga condena veementemente a clara tentativa de instaurar uma ditadura militar na Guiné-Bissau com contornos e consequências imprevisíveis”, sublinhou Abubacar Touré, Vice-presidente desta organização de defesa dos direitos humanos. Entretanto o presidente interino, Raimundo Pereira, anunciou a data das eleições presidenciais antecipadas que, tal como tinham sugerido os partidos políticos e o primeiro-ministro, será no próximo dia 28 de Junho. | LINKS LOCAIS Militares levam Infanda ao Ministério Público26 Março, 2009 | Notícias Guiné Bissau: Militares prendem advogado25 Março, 2009 | Notícias | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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