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Guerra Colonial tem site português | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O maior arquivo multimédia na Internet sobre a guerra colonial de 1961-74, que acaba de ser lançado pela Associação 25 de Abril em Lisboa, procura agora contribuições dos PALOP para aprofundar a vasta informação que disponibilizou. O coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril e um dos protagonistas do movimento militar português contra a guerra colonial, disse à BBC para África que vai tentar “obter a colaboração dos que foram nossos inimigos durante a guerra colonial, hoje felizmente países irmãos, que lutaram e conquistaram a sua independência através dessa mesma guerra.”
O site, guerracolonial.org, constitui o repositório mais compreensivo de informação na Internet sobre os 13 anos de uma guerra que muitos dos que foram, em Portugal, obrigados a combater, consideraram esgotada à partida. O projecto foi criado pela Associação 25 de Abril, que contou com a ajuda da Rádio Televisão Portuguesa (RTP), a emissora pública de Portugal, para disponibilizar alguns dos vídeos e materiais multimédia. Baseado no livro ‘Guerra Colonial’, da autoria de Aniceto Afonso e Carlos Matos Gomes, dois dos chamados “militares de Abril”, o site é organizado em cinco grandes áreas: Cronologia, ONU (onde os cibernautas podem consultar documentos sobre esta temática, respeitantes ao período entre 1955 e 1975), Protagonistas, Galeria Multimédia e Estatísticas. 4 de Fevereiro
O coronel Vasco Lourenço fez questão de lançar o novo arquivo no dia 4 de Fevereiro, início da luta armada em Angola. “Nós tínhamos o site já pronto e para lhe dar mais visibilidade promovemos uma sessão pública e mais mediática (na Academia Militar na Amadora, em Portugal) e escolhemos para esse efeito o dia quatro de Fevereiro, o dia em que, pelo menos simbolicamente, tudo começou em Angola.” Entre a ideia original, passando pela obtenção dos apoios e a execução do site, passaram dois anos. Estrutura
A base é um texto do livro ‘Guerra Colonial’, de autoria de dois militares de Abril que o coronel Vasco Lourenço considera serem “os principais especialistas, hoje, em Portugal, da Guerra Colonial”. São eles o coronel Aniceto Afonso, que é também historiador e o coronel Matos Gomes, “que é um grande escritor português, que escreveu vários livros sobre a guerra colonial em forma de romance, incluindo um sobre uma grande operação em Moçambique, o Nó Górdio”, especificou. Futuras colaborações
O site apresenta ainda muitas imagens ao longo dos 13 anos de guerra mas principalmente dos primeiros tempos, quando a censura do regime de então não tinha ainda incidindo sobre os militares com a força que se seguiria. O site não conta porém com arquivos de televisões estrangeiras ou com qualquer contribuição africana. “Nós pensamos continuar e aprofundar o site e é evidente que estamos abertos e que iremos tentar obter a colaboração dos que foram nossos inimigos durante a guerra colonial”, salientou o coronel Vasco Lourenço. Uma das ideias é procurar apoios para traduzir o site para inglês e francês visto que a Associação 25 de Abril é “sem fins lucrativos” e vive essencialmente das cotas dos sócios. Contra-subversão
Inquirido sobre se a guerra colonial foi uma guerra escusada, o coronel Vasco Lourenço, considerou que da parte portuguesa, a guerra poderia ter sido evitada. “Chegou-se à conclusão, mais tarde, de que era uma guerra ilegítima e que o poder político não conseguiu encontrar uma solução política para a guerra.
“As Forças Armadas portuguesas – e eu penso que isso ressalta do site – desempenharam o seu papel de forma extraordinariamente relevante, adaptando-se. “Segundo vários estudos internacionais, as forças portuguesas participaram no maior esforço que alguma vez um país fez neste campo; penso que as forças armadas portuguesas foram as que melhor se adaptaram e melhor responderam a este tipo de guerra mas depois tiveram que gerar no seu seio a sua própria solução para acabar com a guerra porque o poder político em Portugal não foi capaz de encontrar essa solução”, observou. “Mas no seu todo”, concluiu, “a guerra… Teria sido muito bem que não tivesse acontecido!” | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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