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Guiné Bissau vai às urnas | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um acordo de partilha de poder fracassou em Julho, provocando a marcação das presentes eleições, vistas como um teste crucial para a frágil estebilidade da Guiné Bissau. Quatro partidos dominam o escrutínio deste domingo, incluindo o novo Partido Republicano para a Independência, PRID, que foi formado pelo ex- Primeiro ministro Aristides Gomes; o histórico Partido Africano para a Independência da Guiné Bissau e Cabo Verde, PAIGC; o Partido de Renovação Social, PRS; e o Partido para a Democracia, Desenvolvimento e Cidadania, PADEC. O Presidente João Bernardo Vieira conta com o apoio o PRID. A Guiné Bissau, uma antiga colónia portuguesa, tem uma história de golpes militares e levantamentos desde a sua independência em 1973, e é agora considerado um entreposto de contrabando de cocaína. O Chefe da Missão de Observação da União Europeia, Johan Van Hecke, disse à BBC que o tráfico de droga se tornou a maior questão da campanha eleitoral. "Têm-se registado declarações inflamadas feitas por alguns políticos acusando-se uns aos outros de estarem directa ou indirectamente ligados ao narcotráfico ou de aceitarem dinheiro de pessoas que são responsáveis pelo tráfico de droga, para financiarem as suas campanhas", disse Van Hecke. Limbo político O correspondente da BBC na África Ocidental, Will Ross, diz que para combater os narcotraficantes a Guiné Bissau precisa desesperadamente uma liderança política forte, o que náo tem acontecido pois as lutas e animosidade pessoais têm dominado o cenário político do país. Havia esperanças de que o acordo de partilha de poder assinado o ano passado desse ao Presidente Nino Vieira o apoio político para enfrentar os imensos desafios do país, acrescenta o nosso correspondente. Mas quando o pacto se quebrou em Julho passado, chegou a haver notícias de uma outra tentativa de golpe de estado e desde essa altura o país tem vivido num limbo político. Um outro desenvolvimento positivo da campanha, de acordo com o chefe da Missão da UE, tem sido a aparente ausência do exército, no qual muitos políticos se têm tradicionalmente aliado para chegar ao poder. O nosso correspondente adianta que enquanto os observadores internacionais estão atentos ao processo de votação, os barões da droga estão bem cientes de que quanto mais se prolongar a crise política mais fácil para eles será aumentar a sua influência na Guiné Bissau. Estas eleições são por isso importantes - acrescenta ele - pois a emergência de um narco-estado seria um desastre na frágil África Ocidental. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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