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Fazendeiros da Amazónia passam de 'heróis a vilões' | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Fazendeiros vistos como heróis por colonizarem a Amazónia na década de 70 hoje são considerados vilões ambientais pelo mesmo governo federal que os incentivou a ocupar as terras, afirma uma reportagem publicada em Abril pelo diário britânico The Times. A reportagem conta a história dos fazendeiros que, durante o governo militar, ganharam terras no município de Alta Floresta, no Mato Grosso, como indemnização por terras perdidas para projectos hidro-elétricos. "Mesmo com a pressão dupla do aumento dos preços de alimentos e da demanda por biocombustíveis, o Brasil não vê mais a Amazónia como um território vazio à espera de desenvolvimento, mas como a maior reserva de biodiversidade do mundo e uma arma crucial no combate ao aquecimento global", diz o Times. O tradicional jornal londrino ressalta a mudança na percepção do papel que os "desbravadores da Amazónia" teriam: de "pioneiros" e representantes do progresso, passaram a "criminosos" e desmatadores. Foto com presidentes "Sentíamos que estávamos a construir alguma coisa aqui e éramos elogiados por isso. Tirei foto ao lado de dois presidentes. Eles nos tratavam como heróis", afirmou ao jornal britânico o fazendeiro Dernei Olindo del Moro. De acordo com declarações de fazendeiros publicadas pelo The Times, os antigos "pioneiros" hoje sentem-se abandonados pelo governo federal, que vem apertando a fiscalização na região. "Ainda não se sabe se essas medidas vão surtir efeito. Apesar do enorme reforço de novos funcionários, ainda há poucos agentes do Ibama na fiscalização", afirma a reportagem. "Operações federais numa região tendem a deslocar grileiros e madeireiros ilegais para outra, e as vastas áreas de floresta não consolidada são uma tentação para os fazendeiros." O repórter do The Times conclui a notícia com uma declaração taxativa do cientista brasileiro Carlos Peres, professor da Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha. "Os incentivos económicos para colonizar e desbravar a região são enormes. Se eu quisesse ganhar dinheiro, ficaria lá mesmo." | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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