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Autoridades guineenses desmentem jornal | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Ministério do Interior da Guiné-Bissau promoveu, esta quarta-feira, uma visita de jornalistas ao seu paiol de armamentos para desmentir uma notícia publicada no jornal Última Hora. A matéria em causa alegava que o Estado-Maior General das Forças Armadas teria mandado desarmar todas as esquadras de polícia. Por causa da referida notícia, o director do Última Hora, Athizar Mendes Pereira, foi submetido, na terça-feira, a mais de cinco horas de interrogatórios no Ministério do Interior. A notícia do jornal Última Hora, cuja fonte não foi revelada, provocou uma certa perturbação social. Uma estação de rádio fez questão de ouvir opiniões de cidadãos; houve críticas muito ousadas contra o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, General Tagme na Waie. Ordens Segundo o Última Hora, terá sido ele quem ordenou o desarmamento das esquadras de polícia. O articulista do jornal disse não saber com que intenções Tagme na Waie teria tomado a decisão de mandar recolher as armas do Ministério do Interior. Falando à imprensa esta quarta-feira, o director dos Serviços de Segurança do Estado, Serifo Mané, disse ser totalmente falsa a notícia do Última Hora. "Depois de ter sido feita a triagem de todo o material, sob proposta do director do Serviço de Armamentos, entendemos que deviam ser removidos do sítio alguns explosivos porque há o perigo de detonarem, pondo em perigo as vidas das pessoas que lá trabalham." O caso não encerra com esses interrogatórios; segundo Serifo Mané, uma queixa-crime será movida contra o jornal. "Já foi redigida [uma queixa-crime contra o jornal Última Hora] e creio que neste momento está a ser depositada [no tribunal]." O director do Última Hora "não retira uma vírgula" da notícia, apesar de alegar ter sido torturado psicologicamente. "Fui ouvido, elaboraram os autos para submeter às autoridades competentes. Disse-lhes claramente que não revelo as minhas fontes," disse Athizar Mendes Pereira, à saída dos interrogatórios no Ministério do Interior. Condenações A atitude dos Servicos de Informação do Estado mereceu condenações. Segundo a Liga Guineense dos Direitos Humanos, os Serviços de Informação do Estado não têm competências para interrogar ninguém. Esta organização não-governamental diz que as autoridades deviam limitar-se a apresentar uma queixa contra o jornal junto do Ministério Público. "É naturalmente ilegal esse acto. Espero que seja o último. Deve-se começar a responsabilizar as pessoas por esses actos," disse o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Luís Vaz Martins. O paiol visitado pelos jornalistas, apesar do seu mau estado físico, encontra-se cheio de armas, munições e de fardamentos. Algumas armas estão em avancado estado de degradação, mas há também armas novas. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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