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'Chapas' em greve não declarada | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os transportes privados de passageiros, os 'chapas', estão em greve não declarada, aparentemente como forma de pressão sobre o governo. A paralização acontece num momento em que as autoridades negoceiam com os transportadores a hipótese do preço dos combustíveis ser subsidiado. A negociação foi forçada pelos distúrbios de terça-feira, de que resultaram pelo menos três mortos e mais de uma centena de feridos. 'Estou à espera de chapa desde as 7' dizia uma mulher. 'Fui ao hospital para uma consulta e os médicos não vieram devido ao problema dos transportes', referiu um homem. Foi um dia sem tumultos, sem violência, mas vozes como estas não nos deixam dizer que se tenha regressado à normalidade. Para muitos andar a pé foi a solução, para outros, apinharem-se em carrinhas de caixa aberta e até em camiões foi a única forma de chegar ao destino. 'Como é que hei-de ir à escola à noite?', pergunta a jovem com quem conversávamos. 'Acho que vou ter de ir para casa a pé. São 3 horas a pé! '. Na tentativa de perceber o que se estava a passar a BBC visitou o terminal do Museu onde diariamente desagua uma importante parte dos cerca de três mil chapas que se estima estarem registados na cidade. O cenário não poderia ser mais elucidativo! De um lado, um fila de uma dezena de chapas paralisados. Do outro pessoas numa missão impossível... encontrar transporte. 'Os meus colegas mandaram-se descarregar os passageiros pois dizem que temos de estar juntos e fazer greve' disse um dos chapeiros.
'Devíam ter resolvido logo. Estamos a ter prejuízos e as pessoas aqui estão a reclamar pois não há carros. A solução é baixar o combustível. Que fazer?' O Ministro dos Transportes e Comunicações, António Munguambe, esteve na Federação das Associações dos Transportadores de Passageiros, FEMATRO. Através do Presidente da FEMATRO o ministro apelou aos transportadores para que coloquem as suas viaturas nas estradas. As negociações deverão prolongar-se até à próxima semana, procurando resolver a crise desencadeada pelo aumento dos preços dos combustíveis. Rogério Manuel da FEMATRO disse que o governo prometeu encontrar até à sexta-feira da próxima semana uma solução definitiva para o problema. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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