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Autárquicas provocam disputas no PAICV | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A poucos meses das próximas eleições autárquicas em Cabo Verde, o partido governamental, o PAICV, parece estar a passar por dificuldades na gestão das ambições dos seus diversos dirigentes. Dois casos paradigmáticos, em Santa Catarina, ilha de Santiago; e S. Filipe, ilha do Fogo, revelam o actual quadro em que vive o PAICV. De tal forma que o presidente desse partido, o primeiro-ministro José Maria Neves, foi já chamado a exercer a sua autoridade para pôr ordem na casa. O líder do PAICV foi chamado a intervir para pôr cobro à crise que ameaçava instalar-se na estrutura local daquele partido no concelho de Santa Catarina, interior da ilha de Santiago. Compromisso É que a decisão daquela estrutura de não apoiar o actual presidente da câmara municipal, João Baptista Freire, indispôs esse autarca que ameaça concorrer como independente, dividindo assim o eleitorado do PAICV, quando já se sabe que o maior partido da oposição, o MpD, encontra-se unido em torno do seu candidato, Francisco Tavares. Preocupado com o facto, José Maria Neves não teve outra saída senão reunir-se com a estrutura local do PAICV, convencendo-a a recuar da sua decisão de apoio a Arnaldo Brito, em detrimento de João Baptista Freire. Do encontro resultou o compromisso de que José Maria Neves irá procurar uma saída que seja do agrado de todas as partes. A tarefa não se mostra naturalmente fácil, tendo em vista o estado a que já chegaram os ânimos em Santa Catarina. Missão impossível ? Falando esta segunda-feira do caso, Neves revelou as balizas em que vai procurar se mover nesta que parece ser uma missão impossível. “A nossa ideia é unir todo o partido em torno de um projecto para Santa Catarina e garantir que possamos construir, de forma consensual, esse projecto, para ganharmos as autárquicas em Santa Catarina e no pais”. Mas Santa Catarina não é o único caso difícil que José Maria Neves tem neste momento em mãos para resolver. É que em S. Filipe, ilha do Fogo, assiste-se também a uma disputa entre o actual autarca Eugénio Veiga, e o presidente da Assembleia Municipal, Luís Pires. Ambições Preterido pela estrutura do PAICV, Pires ameaça concorrer como independente, pondo assim em risco a hegemonia que aquele partido ocupa naquele município desde 1991. E, sobre este caso, José Maria Neves vai deixando o seguinte recado: “Eu em relação aos princípios do partido sou rigoroso, intransigente; as decisões têm que ser tomadas nos órgãos competentes. Não podemos construir decisões partidárias na rua”. Esta agitação, que ameaça não ficar por aqui, acontece a poucos meses das próximas eleições autárquicas, previstas para os primeiros meses de 2008. No entender dos observadores, esta crise é resultado das ambições que se foram estabelecendo no interior do PAICV que, se não bem geridas, poderão dar lugar a uma situação bem mais complicada para o partido e em especial para o seu líder, José Maria Neves, que se encontra no seu segundo mandato como primeiro-ministro. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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