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Atrasos salariais ameaçam famílias guineenses | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na Guiné-Bissau, o não pagamento atempado de salários está a fazer com que as mulheres substituam os homens em funções tradicionalmente desempenhadas por estes, nomeadamente no sustento da familia. Os atrasos salariais chegam a atingir cinco meses e, em consequência, muitos maridos sentem-se incapazes de cumprir as suas obrigações de chefes de família. Na maioria dos casos são as esposas que asseguram o sustento da casa, graças às suas actividades de pequeno comércio. Não é uma situação que atinge a todos mas afecta uma boa parte dos funcionários públicos. Sem salário Em muitos lares as donas de casa viraram chefe de familia, pelo peso que representam no sustento familiar a varios niveis, sobretudo na alimentação e educação dos filhos. Viver quatro, cinco ou mais meses sem salário, admira a muitos: "Vale a pena perguntar como vivem .Todos dizem que Deus dará, mas não é assim. Cada um arranja a sua maneira de sobreviver com a família. É difícil pedir sempre. Qualquer dia essa pessoa satura-se"- palavras de Suncar Dabo, funcionário da Imprensa Nacional, a maior gráfica da Guiné-Bissau, uma das empresas públicas com maior tempo de jejum salarial. "Cinquenta e oito meses sem receber, e com grandes problemas sociais, problemas lidado à saúde, educacao", lamentou Dabo. O apoio da mulher Bacari não tem vergonha de revelar que a sua mulher é quem assegura a casa. "Eu vivo graças ao apoio da minha mulher. É doméstica e independentemente dos trabalhos que faz em casa, vende 'pequenas coisas' que nos têm ajudado a resolver diariamente os nossos problemas de família". Porque o pagamento dos seus salários não está em dia, Bacari não conseguiu ter liquidar a tempo as facturas de escolarização dos filhos. "Devo à escola do meu filho mais de 100 mil francos cfa. Sem salário há quatro meses não consigo pagar a escola do meu filho. Vivemos em condições extremamente precárias por cauda da falta de salário” O pequeno comércio Neste periodo de falência salarial valorizou-se o pequeno comércio, de produtos alimentares, água, etc., praticado pelas donas de casa. Que o diga a D. Etalvina: "Nós é que asseguramos o sustento dos nossos lares, a alimentação e a educação dos meninos. O estado não nos deixa vender em paz mas não paga salários, não sei até onde vamos chegar com essa situação". A D. Etalvina queixou-se das ofensivas das autoridades camarárias junto de vendedoras de rua, devido ao não cumprimento das condições higiénicas exigidas. Acredita-se que parte considerável de guineenses afectada pela falta de pagamento de salários tem resistido devido à solidariedade de amigos, conhecidos e de familiares emigrantes. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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