BBCParaAfrica.comNews image
Brasil
Espanhol
Francês
Swahili
Somali
Inglês
Outras línguas
Última actualização: 03 Julho, 2007 - Publicado em 03:16 GMT
E-mail um amigoVersão para imprimir
Cimeira da UA procura consensos

MNE Angola João Miranda
MNE de Angola João Miranda garante à BBC que negociações estão bem encaminhadas
Nos últimos dois dias, os defensores da criação imediata de um governo pan-africano, os chamados “imediatistas” tentaram convencer os seus opositores, os “gradualistas”, da necessidade de se constituir um executivo continental.

Nos corredores, os “gradualistas” – que querem ver a implementação paulatina de um governo continental – sem qualquer euforia, clamam vitória.

Esta madrugada, em entrevista exclusiva, aos Serviços de Língua Portuguesa da BBC, o ministro angolano das Relações Exteriores, que na cimeira de Accra representa o Presidente José Eduardo dos Santos, disse que essa seria a posição consensual manifesta na declaração final, que será adoptada mais logo.

João Miranda falou igualmente, sem rodeios, da posição irredutível da União Africana em relação à cimeira Europa-África, agendada para Dezembro na capital portuguesa. Ele começou por se referir à forma como está a decorrer o debate, que será retomado mais logo.

João Miranda - Não há tensão. Não há tensão. Os debates estão a decorrer muitíssimo bem. Aliás, antes do início da sessão, o presidente Kufuor, que é o presidente da União Africana, apelou que este debate – embora possa suscitar emoções – é um debate contraditório para nos levar a conclusões sérias porque estão em causa os interesses dos povos e dos Estados de África. Reiteraram essa posição outros intervenientes. Até agora, tem havido uma civilidade enorme na abordagem das questões mas, já se pode vislumbrar algum consenso.

BBC – As diferenças estão a ser ultrapassadas?

JM – Vão sendo, à medida que os intervenientes de uma “escola” quase que maioritária vão se situando acima das demais intervenções. No caso, o primeiro-ministro da Etiópia, os presidentes do Zimbabwe e da Namíbia, o primeiro-ministro do Lesotho e demais intervenientes, realçaram que, por enquanto, temos que “beber” das experiências de outras organizações; experiências tanto negativas como positivas que levaram a insucessos e a sucessos. Por isso, os nossos passos devem ser bem comedidos para que não caiamos na retórica.

BBC – As conclusões desta cimeira, que serão tornadas públicas dentro de mais algumas horas, o que dirão aos 800 milhões de africanos que estão à espera de uma decisão?

JM – A decisão é importante que seja tomada, para não suscitar outras dúvidas porque muitos vieram aqui com a certeza de que em Accra nascerá o governo da União Africana porque aqui nasceram as ideias basilares desta integração dos Estados Unidos de África. É por isso que muitos muitos consideram tratar-se de uma cimeira histórica. Essa historicidade deve ser medida, como disseram alguns intervenientes, com uma viragem. E a viragem deve ser a proclamação do Governo da União Africana.

BBC – Quando?

JM – Penso que não vai acontecer nesta cimeira. Esta cimeira reitera o princípio de que, sim, é preciso caminhar para esse objectivo máximo, mas a termo. Deixem as coisas andar. Deixem que as estruturas sub-regionais se aperfeiçoem e se articulem e harmonizem com as estruturas supra-nacionais, que são as estruturas da União Africana.

BBC – Os presidentes que estavam um bocado reticentes em relação a esta questão – os que estão a ser chamados de “imediatistas” – estão contentes com uma saída deste tipo?

JM – O que paira aqui é o respeito pelas diferenças e pelas ideias. Portanto, não haverá nem imediatistas” nem “gradualistas”. Haverá, sim, um consenso para que África não cometa erros desnecessários.

BBC – O primeiro-ministro português vem cá falar da Cimeira Europa – África. O que é que os países africanos querem ouvir de José Sócrates?

JM – Fundamentalmente, querem ouvir a reiteração do Estado português e do Governo português que todos os Estados africanos – os líderes que chefiam os nossos 53 Estados – estarão [representados] em Lisboa.

BBC – Incluindo o Presidente Robert Mugabe?

JM - Todos os 53 Estados estarão [representados]. Isso é uma questão de princípio para todo o continente. É isso que os Chefes de Estado que estão aqui, talvez nem precisem de ouvir mas, se houver dúvidas vão querer ouvir.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS
E-mail um amigoVersão para imprimir
BBC Copyright Logo
^^ De volta ao topo
Arquivo
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>