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Cimeira discute governo africano | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Parece haver unaminidade entre os Chefes de estado e governo africanos em relação à importância de um governo continental, o que falta é um consenso em relação às formas de implementação e à calendarização. Note-se, a despromoção acentuada, nas últimas horas, do debate sobre os Estados Unidos de África. Do que se fala agora é de um “grande debate sobre o futuro governo continental”. Mas os rótulos mantêm-se; de um lado os “gradualistas” e do outro os “imediatistas”. Joaquim Chissano foi o primeiro presidente da União Africana. Como é que ele acha que serão os debates entre os seus antigos colegas? “Penso que os debates serão abertos. Não há aqui competições. Vão ser trocas de ideias para a realização deste projecto de governo da União Africana.” Joaquim Chissano disse à BBCparaÁfrica que era abertamente a favor da instituição de um governo continental mas acha importante que “aprendamos a andar antes de nos pormos a correr.” “É preciso que se discuta o objecto de trabalho desse governo. Isso é que vai determinar os passos a seguir e o tempo necessário para a sua implementação. Não sei de quanto tempo precisaríamos. É preciso vermos o que queremos fazer com o governo. Ainda não ouvi nada”. "Gradualistas" Os angolanos declararam-se abertamente “gradualistas”, segundo Manuel Augusto, o embaixador de Angola junto da União Africana que manifestou a sua posição à BBCparaÁfrica: “Angola considera que é muito importante o reforço da unidade africana e que devemos partir para novas formas de organização. Angola pensa, contudo, que isso deve ser feito de uma forma gradual, segura e prudente”. Asseguram-me que os debates estão a ser acalorados. Muammar el Kaddafi, da Líbia, depois de ontem ter boicotado a cerimónia inaugural, apareceu esta segunda-feira na cimeira escoltado por mais de uma centena de guarda-costas pessoais. O líder sudanês, Omar al Bashir, esteve em Accra mas regressou a Cartum horas antes dessa cerimónia. Não fossem os oradores referir Darfur nos seus discursos oficiais. Estados Unidos de África Omar Bongo, do Gabão, e Muammar Kaddafi, da Líbia, têm posições absolutamente consensuais: “Estados Unidos de África, já. Quem quizer apanhar o barco mais tarde também pode fazê-lo”. Ontem o vice-primeiro-ministro e chefe da diplomacia gabonesa, Jean Ping, disse-me que “os sul-africanos estão a bloquear quaisquer avanços e a confundir os outros países com o seu cepticismo ”. Thabo Mbeki é indesmentivelmente um gradualista. O mesmo rótulo é aplicável ao presidente angolano. José Eduardo dos Santos, igual a si próprio, voltou a não se dar sequer ao trabalho de sair de Luanda para vir debater com os seus pares. Limitou-se, uma vez mais, a instruir o seu ministro dos Negócios Estrangeiros a transmitir a sua posição. Na Nigéria, Olusegun Obasanjo era a favor não só de um futuro governo africano mas dos próprios Estados Unidos de África; o seu sucessor, Umaru Yar’Adua, ao que se diz aqui pelos corredores, não quer sequer ouvir falar nisso neste momento. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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