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A Cruz Vermelha e a diabetes em Cabo Verde | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A diabetes em Cabo Verde é ainda um grande mistério. Não se sabe ao certo qual é o número de portadores; estes estão desprotegidos e só agora o Ministério da Saúde vai lançar um estudo para fazer o levantamento da situação neste arquipélago em matéria de diabéticos. O que tem valido até aqui um número significativo de diabéticos, na cidade da Praia, tem sido a Cruz Vermelha. Este é um caso único no continente africano, conforme refere o médico Dario Dantas dos Reis, que chama a atenção das autoridades caboverdianas para o fenómeno das diabetes, já que muitos dos doentes não têm recursos para, sozinhos, suportarem os custos dos medicamentos. Mais atenção Cardiologista de profissão, Dario Dantas dos Reis é o mais antigo quadro da saúde a preocupar-se com o problema da diabetes em Cabo Verde, criando junto da Cruz Vermelha um programa de assistência e acompanhamento. O programa começou, segundo ele, em 1980, com 50 doentes e hoje o número ultrapassa os cinco mil. Dantas dos Reis estima que actualmente 5% da população caboverdiana, num universo de 500 mil, padece de diabetes. Com o desenvolvimento do país, aquele profissional defende que é chegada a hora de o Estado passar a prestar mais atenção para o fenómeno, comparticipando, de preferência, nos custos dos medicamentos. "A insulina é muito cara. A maior partes destes doentes que são dependentes da insulina fazem uma insulina lenta. Poderão fazer uma, duas, três administrações diárias. Um frasco, que tem 400 unidades, custa mais de 2 mil escudos caboverdianos [US$24]. "Ora, um doente que esteja, por exemplo, a fazer 30 unidades de insulina por dia, um frasco não lhe dá para um mês. Com os ordenados que temos, se há pessoas que podem, tranquilamente, comprar isso, a grande maioria das pessoas não pode". Conservação Um outro problema, segundo Dario Dantas dos Reis, são os cuidados a ter com a conservação do medicamento. "Hoje, um doente que está bem tratado, deve ter o seu controlo sanguíneo. Deve ter a possibilidade de fazer uma picada no dedo e com o sangue capilar e com uma fita reagente deve poder, com um pequeno aparelho, saber como é que está a sua insulina. Só assim é que a pessoa pode efectivamente saber se está a ser controlada como deve ser". Mas o drama não fica por aqui. E se não fosse, muitas vezes, a Cruz Vermelha, Dantas dos Reis diz que não sabe o que seria de muitos diabéticos caboverdianos. Esta é, salienta aquele profissional, a única experiência do género em África. "Há uns 3 meses esteve aqui uma equipa do canal francês de televisão, TV5, para fazer um documentário sobre a Cruz Vermelha na sequência de termos apresentado este programa que temos da consulta da diabetes. "Trata-se de uma consulta feita por vários médicos na base do voluntariado. Temos 7 médicos que nos asseguram uma consulta diária, de segunda a sexta-feira, temos uma pessoa que faz o doseamento do açucar numa gota de sangue antes da consulta. "Mensalmente há uma sessão de esclarecimento dos doentes. Obviamente que não temos capacidade de poder atingir todos os doentes; a sala onde fazemos essas sessões tem uma lotação limitada, mas vamos fazendo um bocado aquilo que podemos". | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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