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Última actualização: 08 Maio, 2007 - Publicado em 17:38 GMT
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Cabo Verde: vinho renasce na Ilha do Fogo

David Ferreira
Para além de vinho ainda são produzidos licores na ilha do Fogo
A produção de vinho na ilha do Fogo volta a ser uma realidade, com a reactivação da cooperativa e a recuperação das vinhas afectadas pela erupção de 1995.

Os responsáveis por esta proeza são os agricultores da localidade de Chã das Caldeiras, onde se situa o célebre vulcão da ilha do Fogo.

A prova de que o vulcão se encontra activo foi a sua erupção em 1995, altura em que destruiu a maior parte da pouca terra arável.

É no meio de uma paisagem agreste, que os agricultores produzem, entre outros produtos, a uva que é depois canalizada para a adega, de onde saem vinhos, licores, moscatel, entre outros.

É por entre tonéis de vinho e licores, que o responsável da adega, David Gomes Monteiro, explica à BBC de onde surgiu esta ideia.

Como é possível produzir vinho num lugar como Chã das Caldeiras?
Muitas pessoas admiram isso porque estamos a uma altitude de 1730 metros, em alguns países da Europa é dificil vinho numa altitude como esta. Através de um solo que temos – solo vulcânico – que influencia muito a produção da cultura da vinha e também um excelente microclima que existe aqui. É por isso que o nosso vinho é de grande qualidade. Todos os agricultores fazem diligências para plantar todos os anos e aumentar a nossa produção e também a qualidade do nosso vinho.

Esta ideia de produzir vinho começou quando?
Há documentos que falam da produção de vinho aqui no Fogo no ano de 1917, altura que até se fazia exportação para o Brasil e a Guiné-Bissau. Mas começámos a intensificar a produção em 1984, através de uma cooperação entre a Alemanha e Cabo Verde.

David Gomes Monteiro
David Gomes Monteiro junto aos seus tonéis de vinho

Quando é que inicia o vosso ciclo de produção?
A poda é diferente dos outros países. Começa em Janeiro/Fevereiro e a vinificação em Junho/Julho, até meados de Agosto.

Como é que funciona a vossa cooperativa?
Dantes havia uma cooperativa num sítio que se chama Boca-Fonte, que foi entulhada pela lava da erupção de 1995, e em 1998 pedimos apoio ao governo de Cabo Verde para a construção desta actual infra-estrutura, e também uma ONG italiano deu-nos apoio na construção desta adega, e também assistência técnica na área da vinificação e produção de plantas, poda enxertias etc.

Quantos litros é que vocês produzem por ano?
No primeiro ano começámos com pouca quantidade, à volta de 4 mil litros e oito produtores. Depois disso começámos a aumentar a nossa capacidade e também o número de produtores. Em 2006 quase duplicámos a produção para 80 mil garrafas, o que corresponde a 102 mil quilos de uva, que entraram na nossa adega.

Como é que a cooperativa funciona?
Nós aqui somos 62 produtores, todo o mundo traz a sua uva, mas temos uma só marca, Chã, e a distribuição dos dividendos é feita proporcionalmente.

Como tem sido a reacção do mercado caboverdiano?
Aqui em Cabo Verde e não só todo o mundo está a gostar do nosso vinho. Todos os restaurantes e hotéis a gente vê o nosso vinho à mesa porque é um vinho de qualidade. Exportamos para todas as ilhas de Cabo Verde também já fizemos uma exportação para a Bélgica, embora pouca quantidade, gostaram, e já recebemos novas encomendas.

Vocês produzem vinho branco, tinto, rosé, mas também sei que estão a lançar outros produtos. Fale um pouco deles.
Além desses três vinhos, já fizemos o lançamento de um novo produto, que é licor de uva seca – chama-se Chã Passito – vamos lançar brevemente, no mercado, um destilado de ervas medicinais aqui desta zona, um destilado de uva, do marmelo, da maçã.

Comparando o vosso vinho a outros vinhos, nomeadamente o português e o francês, quais são os aspectos que destaca?
O nosso vinho é diferente, porque estamos nesta altitude, o solo é diferente, o clima também, as nossas vinhas passam três ou quatro meses em plena dormência, tudo isso influencia para que possamos ter um vinho de qualidade.

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