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Última actualização: 03 Maio, 2007 - Publicado em 17:27 GMT
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Rwanda volta a explorar gás metano

O lago Kivu
O lago Kivu é o garante energético dos rwandeses (foto da NASA)
Cientistas e políticos continuam a debater como lidar com as causas e os efeitos do aquecimento global. Uma saída óbvia é a adopção de fontes alternativas de energia.

Em África, um continente que deverá ser afectado pelos mais sérios efeitos das mudanças climáticas, estão em curso esforços para encontrar algumas respostas.

A fábrica de cervejas Ralina está instalada nas margens do lago Kivu. Estas instalações fabris produzem seis marcas diferentes de cerveja.

Trata-se de uma indústria que consome muita energia no aquecimento da água, na regulação do processo de fermentação, no arrefecimento da cerveja e no seu engarrafamento.

Esta fábrica funcionava quase na sua totalidade com energia produzida pela queima de gás metano retirado das águas do lago Kivu. Trata-se de uma fonte de energia local barata e relativamente acessível.

Anand Charassiah, o director da cervejeira Ralina, diz que, se pudesse, voltaria a usar exclusivamente gás metano.

"Já usámos gás metano no passado. Há 25 anos éramos a única indústria nesta área que usava gás metano. Usámo-la durante 18 anos".

O pequeno gerador de gás metano que abastecia a fábrica deixou de funcionar há cerca de dois anos, devido à falta de manutenção e de peças sobressalentes. Anand Charassiah não se conforma com a perda do gerador.

"Se alguém me desse gás metano eu aceitaria imediatamente. Desligaria a corrente eléctrica e ligaria a minha caldeira".

Lago Kivu

Nas profundezas do lago Kivu, a degradação vegetal produz gás metano. E, devido à pressão a centenas de metros de profundidade, o metano permanece dissolvido na água. Se o trouxermos para a superfície temos a libertação de gás.

Olhando para a vastidão do lago Kivu, é impossível imaginar-se que as águas aqui contêm suficiente potencial energético para satisfazer todas as necessidades de várias gerações de rwandeses.

Por razões comerciais, e porque cumpre com muitos dos princípios ambientais adoptados nos últimos anos, o gás metano está a atraír um grande interesse de várias companhias de energia.

A Eco-Energy acaba de assinar um acordo com o governo do Rwanda para a exploração deste recurso. Isaac Kithoho, o director de projectos da Eco-Energy, diz que as reservas de gás metano no lago Kivu são imensas.

"Em termos técnicos, existem dois triliões de pés cúbicos - ou seja, há gás metano para explorar durante os próximos 200 anos. E não nos esqueçamos que o gás metano auto-regenera-se, pelo que temos mais do que suficiente energia para satisfazer os níveis actuais de consumo no Rwanda".

É imenso o potencial do gás metano como fonte de energia limpa e barata. Para além disso, o uso de metano significa igualmente a eliminação de um dos gases que mais contribui para o efeito de estufa.

Benefícios

Nick Nuttall, o porta-voz do Programa da ONU para o Meio Ambiente, diz que o recurso a fontes renováveis de energia oferece ao continente africano uma série de outros benefícios.

O uso do carvão e da lenha está a destruir as florestas africanas

"Num país como o Rwanda, por exemplo, apenas uma pequena percentagem da população tem acesso à electricidade. As pessoas são forçadas a recorrer a produtos como o carvão e o querosene, que têm uma variedade de impactos sobre o ambiente e sobre a saúde.

"O abate de florestas é uma tragédia, não pelo facto de perdermos a floresta mas proque perdemos algo que estabiliza os abastecimentos de água de um país, estabiliza os solos, promove a biodiversidade e os recursos genéticos. Quando se perde uma floresta perdem-se muitas coisas".

Se se olhar para as colinas à volta do lago Kivu tem-se uma imagem clara dessas perdas.

Há um século, estas colinas estavam totalmente cobertas por uma floresta densa. Agora, quase todas as árvores foram abatidas.

Numa aldeia das redondezas, Mosef Edelini acende um fogareiro a carvão para preparar o jantar para a sua família. Ela diz que a falta de meios financeiros a obriga a optar pelo carvão.

"Cozinho com carvão e às vezes uso lenha que recolho aqui por perto. Não tenho dinheiro para comprar outros combustíveis"

Mosef Edelini olha para as despidas colinas à sua volta. O que foi que aconteceu às árvores?

"A floresta foi abatida para se fazer lenha e carvão. Havia muito mais árvores quando eu era criança".

África precisa urgentemente de mais energia e electricidade para tentar acompanhar a riqueza e o estilo de vida das nações desenvolvidas.

Mas os cientistas ambientais e os políticos internacionais dizem que o avanço industrial do continente mais pobre do mundo terá que ser temperado por uma preocupação global e colectiva com as mudanças climáticas.

Esta não é uma mensagem fácil de engolir pela maioria dos africanos. Mas o gás metano das águas do lago Kivu é talvez um exemplo de como África pode gerar a sua energia e, ao mesmo tempo, cuidar do seu meio ambiente.

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