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Última actualização: 30 Janeiro, 2007 - Publicado em 19:17 GMT
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Moçambique queima 12 toneladas de haxixe

Haxixe
O desaparecimento de 2 toneladas levou à condenação de vários agentes da polícia
Em Moçambique, estão a ser finalmente destruídas 12 toneladas do haxixe apreendidos acidentalmente ao largo da costa, há alguns anos.

A apreensão pôs uma vez mais a nu o estatuto de corredor preferencial do narcotráfico internacional atrribuído a este país por organizações especializadas.

Em conexão com a droga foram inicialmente condenados nove cidadãos paquistaneses.

Contudo posteriormente altos oficiais das forças da lei e da ordem seríam implicados no desaparecimento de perto mais de duas toneladas da droga apreendida.

Este é um caso que remonta a Julho de dois mil quando um naufrágio fez com que droga dissimulada em latas de café fosse dar à costa de Inhambane, no sul de Moçambique, tendo na altura sido recolhida pelas autoridades.

Prisão

Nove cidadãos paquistaneses que seguiam a bordo de uma embarcação, proveniente de Mombaça no Quénia, foram detidos e um ano mais tarde julgados e condenados por narcotráfico.

O haxixe apreendido devería então ter sido destruído, mas acabou por ficar armazenado por um período de tempo que terá propiciado o desaparecimento de cerca de três toneladas da droga.

Em conexão com o episódio seriam julgados e condenados a pesadas penas de prisão, em Dezembro último e para além de um agente da Força de Intervenção Rápida, altas patentes das forças da lei e da ordem locais.

Trata-se nomeadamente do antigo director da Polícia de Investigação Criminal, o antigo comandante e também o antigo responsável pela área da logística da Força de Intervenção Rápida.

Ponto final

Agora, volvido cerca de um mês as remanescentes quantidades de haxixe foram transportadas aqui para Maputo para a sua imediata destruição.

Uma operação supervisionada e testemunhada pelo procurador provincial da República em Inhambane, Américo Mazenga, que, na ocasião, disse à Rádio Moçambique que foram pesadas 12.800 toneladas de haxixe.

"A incineração da droga em Maputo deve-se à experiência do passado. Uma vez incinerada toda a droga, será um alívio. Sabendo do risco que é manter connosco este tipo de estupefaciente, ficávamos preocupados. Com a incineração pusemos ponto final àquela droga recolhida das águas de Bazaruto, em Vilankulos".

Ao longo dos últimos anos têm-se multiplicado as advertências de organizações especializadas, segundo as quais Moçambique está a tornar-se numa importante plataforma giratória de redes do narcotráfico regional e internacional.

Para além do facto do mercado da droga em Moçambique ser comparativamente menos competitivo, o Centro de Estudos sobre a Geopolítica das Drogas, registada em França, diz, por exemplo, que as razões devem-se a uma combinação de factores.

40 toneladas

Arrola a este respeito a localizazação e vantagens geográficas de Moçambique em relação aos restantes países da região, mas também o nível de operacionalidade dos corredores de transporte terrestre e a ausência de mecanismos mais rigorosos de controlo e vigilância no país.

Recorda a este propósito aquela organização as 40 toneladas de haxixe encontradas em plena capital Moçambicana em 1995, um episódio ainda sem culpados ou responsáveis perante a justiça.

Refere-se ainda à fábrica de mandrax desmantelada há anos nos arredores de Maputo.

Quanto às ramificações internacionais, o Centro de Estudos sobre a Geopolítica das Drogas aponta na direcção de redes cujas operações passam essencialmente, embora não só, pelo Sudoeste da Ásia, via Dubai ou Tanzânia, e cuja bolsa de clientes principais tem na África do Sul o seu líder.

A fonte a que temos vindo a fazer referência lembra ainda que não são poucos os exemplos de enriquecimento rápido e suspeito em algumas das principais cidades Moçambicanas.

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13 Abril, 2006 | Notícias
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