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'Diamante de Sangue' provoca polémica
Realizador Edward Zwick
Realizador Edward Zwick critica a iniciativa da indústria diamantífera
Candidato a cinco Óscares da Academia de Hollywood, entre eles para o melhor actor e melhor actor secundário, o filme retrata a realidade do negócio dos diamantes.

Rodado em Moçambique e na África do Sul, o filme conta a história de um contrabandista de diamantes na Serra Leoa durante a guerra civil, nos anos 90.

Nos Estados Unidos a indústria diamantífera prometeu doar a organizações de caridade em África $10.000 por cada artista que levante a mão mostrando um anel de diamantes em cerimónias como a entrega dos Óscares.

Esta iniciativa foi já criticada pelo realizador do filme, Edward Zwick, que a considerou um 'suborno caritativo' e 'vergonhosa'.

O filme de Zwick concentra-se na questão dos lucros proporcionados pelos diamantes ilegais para o financiamento de conflitos.

Campanha da indústria

A indústria diamantífera responde que a quase totalidade dos novos diamantes, 99,8%, são provenientes de zonas onde não há guerra.

Criança no garimpo em Angola
Garimpo ilegal de diamantes em Angola também envolve crianças

Com esta campanha de 'Levantar a Mão Direita com um Anel de Diamantes' a indústria diamantífera espera angariar cerca de cem mil dólares para donativos.

As actrizes que mostrarem diamantes nas cerimónias deste ano dos Globos de Ouro, dos Emmys e dos Óscares de Hollywood, poderão indicar qual a organização de caridade em África a que se destina o donativo.

'Cruel Ironia'

Em "Diamante de Sangue" Leonardo DiCaprio desempenha o papel de um contrabandista de diamantes na Serra Leoa, durante a guerra civil.

Numa conferência de imprensa o realizador do filme considerou uma ironia cruel a imagem do 'levantar a mão' para se ter direito a fazer o donativo.

Zwick recorda que era pelo levantamento dos braços que a Frente Revolucionária Unida da Serra Leoa decidia a amputação de membros dos seus inimigos.

O realizador considera que estes donativos deveriam ser feitos anonimamente e que a campanha é uma contra-medida promocional para combater os efeitos do filme.

'Comparação infeliz'

A indústria diamantífera considera infeliz a comparação feita por Edward Zwick, o realizador de 'Diamante de Sangue'.

Sally Morrison, directora do Centro de Informações Diamantíferas (DIC - Diamond Information Centre), diz que já há anos que são feitos estes donativos.

Sally considera estranho que alguém preocupado com a situação dos africanos faça declarações que poderão fazer diminuir os donativos para África.

Receia a directora do DIC que algumas pessoas que estariam dispostas a dar dinheiro para organizações de caridade em África deixem de o fazer depois de ouvir isto.

A contabilidade dos diamantes

O Conselho Mundial dos Diamantes (WDC) diz que os ditos 'diamantes de sangue' representam menos de 1% dos novos diamantes, enquanto que nos finais dos anos 90 eles eram 4% do total.

Essa redução surge na sequência da introdução em 2000 de um sistema de certificação para para diamantes em bruto - o Processo Kimberley.

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Em 'Diamante de Sangue', DiCaprio e Hounsou ambos candidatos a um Óscar

No entanto a organização Global Witness argumenta que a indústria não está a fazer o suficiente e que mesmo uma pequena percentagem dos 'diamantes de sangue' é terrível.

As guerras financiadas pelos diamantes têm sido devastadoras - têm provocado centenas de milhares de mortos, milhões de desalojados e muitas atrocidades.

Os 'diamantes de sangue' têm sido relacionados a conflitos armados na Serra Leoa, Libéria, República Democrática do Congo e República Centro-Africana.

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