|
Avanço do deserto engole casas na Nigéria | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O avanço dos desertos é um facto preocupante em muitas regiões do globo, nomeadamente em África onde a Nigéria, por exemplo, está a ser invadida pelas areais do Sahara. 'O deserto tira-nos casas todos os anos', diz um aldeão de Bulamadu, no estado de Yobe, no nordeste da Nigéria. As areias finas do deserto estão a ganhar terreno e todos os anos cobrem mais habitações, caminhos e estradas. Praticamente todos os aldeões desta região árida dizem ter perdido habitações e terras de plantio em favor do deserto do Sahara, que avança para sul. 'O que nós fazemos quando a areia avança e cobre as nossas casas e as nossas terras e até os nossos poços, é simplesmente fugir para sul', diz Aminu Mahmud, um outro aldeão que já por duas vezes ficou sem a sua casa. Água vale ouro Muitos dos habitantes da região são obrigados a percorrer diariamente grandes distâncias à procura da água essencial para a sua sobrevivência.
Aparentemente ninguém consegue contrariar este avanço e a situação torna-se cada vez mais desesperada. 'A água tornou-se mais valiosa do que o ouro. De um dia para outro o poço de água onde nos abastecemos fica coberto pela areia. Nós mulheres temos de fazer grandes caminhadas para encontrar água,' diz uma aldeã. Um habitante da aldeia de Damasak, Sani Yunusa, de 56 anos, diz que as areias vêm e vão e que a desertificação é apenas obra da natureza. Abate de árvores Mas Yunusa não é perito em desertificação e os entendidos dizem que o avanço do deserto na Nigéria é praticamente irreversível. O corte da árvores e arbustos nas orlas do deserto poderá contribuir para o avanço das dunas mas os habitantes não se apercebem disso.
A madeira é necessária para fazer o lume na cozinha ou pode representar o sustento dos que se dedicam à sua venda. Jacob Nyanganji, da Universidade de Maiduguri, que dirige um centro de estudos sobre as zonas áridas, diz que para além das perdas materiais também o modo de vida de muita gente está a ser completamente alterado. Lago Chade está a secar O Lago Chade, situado nas fronteiras do Chade, Camarões, Níger e Nigéria, economicamente muito importante, está a desaparecer. Fonte de água para mais de 20 milhões de pessoas, em virtude de ter muito pouca profundidade, o lago é particularmente sensível.
Há pouco mais de 40 anos a sua superfície era de 26.000 km2, o que o tornava o quarto maior lago de África. No ano 2000 não chegava a ter 1.500 km2. O lago já secou por duas vezes em tempos recentes, em 1908 e em 1984 e ameaça fazê-lo de novo não daqui a muito tempo, o que representará um problema muito grave para a população que vive nas suas margens. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||