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Última actualização: 21 Setembro, 2006 - Publicado em 19:28 GMT
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Angolano suicida-se para manter o filho na Inglaterra
Manuel Pereira Bravo
Um júri de 10 homens e 2 mulheres pronunciou um veredicto de suicídio no caso de Manuel Pereira Bravo, que foi encontrado morto no dia 15 de Setembro de 2005.

Manuel Bravo, de 35 anos, escreveu uma mensagem aterradora antes de se enforcar num centro de detenção de imigrantes, na região inglesa de Bedfordshire.

Ele e o filho, António, de 13 anos, haviam sido levados para o local para serem deportados para Angola no dia seguinte.

Segundo testemunho prestado no Tribunal de Bedford, ambos haviam sido detidos por 4 agentes dos Serviços de Imigração e 4 agentes da polícia.

Os 8 agentes efectuaram um raide, às primeira horas da manhã de 14 de Setembro de 2005, à residência de Manuel Bravo, em Armley, na cidade de Leeds.

Manuel e António Bravo foram levados para o Centro de Detenção de Imigrantes de Yarl's Wood, nos arredores da cidade de Bedford.

 Matei-me porque não tenho mais vida para viver. Quero que o meu filho, António, fique na Inglaterra para continuar os seus estudos
Manuel Pereira Bravo

As imagens captadas pelo sistema de vídeo do centro e vistas pelo júri mostravam Manuel Bravo, a meio da noite, a deixar o filho no quarto, a caminhar por um corredor e a enforcar-se.

Ele atara uma extremidade de um lençol ao corrimão de metal das escadas e a outra ao seu próprio pescoço. As autoridades declararam-no morto às 02.05 da madrugada do dia 15 de Setembro.

Um bilhete encontrado no seu quarto dizia: "Matei-me porque não tenho mais vida para viver. Quero que o meu filho, António, fique na Inglaterra para continuar os seus estudos".

Ele disse também na mensagem que não queria regressar a Angola para sofrer.

"Não é culpa de ninguém. Esta é uma decisão tomada por mim".

O bilhete ecoava uma carta escrita por Manuel Bravo 5 meses antes na Biblioteca de Armley, na cidade de Leeds.

Ele dizia que continuava à espera de uma decisão sobre a sua deportação seis meses depois de ter sido informado pelas autoridades britânicas.

A carta, lida ao júri pelo médico legista, David Morris, dizia: "Esta situação é muito difícil para mim. Não posso trabalhar. Não posso fazer nada com a minha vida. Não é fácil viver desta maneira".

 Perguntei-lhe para que precisava da corda. Ele disse-me que precisava dela para se proteger. Retirei-lhe a corda do saco e confisquei-a
Guarda prisional Haywood

"Sinto-me adoentado e quero morrer ou matar-me. Não posso regressar ao meu país porque não é seguro para mim ou para o meu filho, António. Se regressar serei torturado".

"Se morrer aqui, gostaria que o meu filho ficasse com o governo ou com a NSPCC [Sociedade Nacional para a Protecção das Crianças]".

Num bilhete deixado ao filho ele disse: "Quero que sejas bom e que estudes muito".

A guarda prisional, Susan Haywood, disse ao inquérito judicial que descobrira uma corda no saco de Manuel Bravo quando ele foi revistado no Centro de Detenção de Waterside, em Leeds, antes da sua transferência para Yarl's Wood.

"Perguntei-lhe para que precisava da corda. Ele disse-me que precisava dela para se proteger. Retirei-lhe a corda do saco e confisquei-a".

Quando chegaram a Yarl's Wood ela informou os colegas do ocorrido.

Quando foi perguntado a Susan Haywood como se haviam comportado pai e filho durante a viagem de transferência de Leeds para Bedfordshire, ela disse: "Eles estavam muito juntos. Estavam a conversar. Ele parecia um pouco triste".

Alison McMurray, dos Serviços de Inspecção Prisional, disse ao inquérito judicial que as suas investigações não haviam detectado quaisquer violações aos procedimentos ou práticas dos guardas prisionais.

Mas disse que fizera 20 novas recomendações para procedimentos a ter em conta, no futuro, no cuidado de presos.

 Sinto-me adoentado e quero morrer ou matar-me. Não posso regressar ao meu país porque não é seguro para mim ou para o meu filho
Manuel Pereira Bravo

O médico legista, David Morris, descreveu a morte de Manuel Bravo como tendo sido uma tragédia.

O júri decidiu que Manuel Bravo se suicidara por acreditar que desta forma asseguraria um futuro para o filho na Inglaterra.

Antes do início do inquérito judicial, activistas da Coligação Nacional Anti-Deportação realizaram uma vigília diante do edifício do tribunal.

Manuel Pereira Bravo e a sua família fugiram de Angola em 2001. Ele disse que o pai era o líder da Associação de Juventude Democrática de Angola, um grupo da oposição.

A sua mulher, Lídia, regressara a Angola com o filho mais novo, Mellyu, para cuidar de familiares.

Mas ele disse a amigos em Leeds que havia sido detido em Angola e que mais tarde fugira para a Namíbia.

O Reverendo Alistair Kaye, o vigário da Igreja de Cristo, de Armley, disse que António havia sido colocado aos cuidados dos serviços sociais da região de Bedfordshire e que vivia agora com uma família.

António, agora com 14 anos, estuda na Escola Secundária de West Leeds e foi autorizado a permanecer na Inglaterra, por 5 anos, por razões humanitárias.

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