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Última actualização: 17 Agosto, 2006 - Publicado em 18:21 GMT
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Falta de água afecta também países ricos
Globo terrestre
Consumo de água nos EUA chega a 350 litros per capita diários
A falta de água, vista como um problema dos países mais pobres, afecta cada vez mais os ricos, adverte um relatório da rede de conservação ambiental das nações Unidas, WWF.

Mudanças climáticas, perda de áreas alagadas, infra-estruturas inadequadas e má gestão dos recursos têm promovido o tema a "problema verdadeiramente global", disse a organização.

"Riqueza económica não se traduz em abundância de água", afirmou o supervisor do levantamento, Jamie Pittock.

"Escassez e poluição estão a tornar-se mais comuns, e a responsabilidade por encontrar soluções cabe tanto a países ricos como pobres."

O WWF alertou os países em desenvolvimento para que não desperdicem a chance de "aprender com os erros do passado" cometidos pelos países ricos.

Desperdício e escassez

Desperdício e escassez de água são dois lados da mesma moeda, indica o relatório.

Algumas das cidades mais ricas do mundo, como Houston, no Texas, e Sidney, na Austrália, consomem mais água do que são capazes de repôr.

Nos Estados Unidos e no Japão, o uso diário de água per capita alcança os 350 litros, enquanto cada europeu consome 200 litros por dia, afirmou o relatório.

Algumas das cidades mais ricas consomem mais água do que são capazes de repôr

Na África subsaariana, o consumo diário per capita é de no máximo 20 litros.

Em Londres, a infra-estrutura ultrapassada gera um volume de perdas equivalente a 300 piscinas olímpicas por dia.

Segundo o levantamento, regiões áridas da Europa, como a maior parte da Espanha e Portugal, devem sofrer “severamente” com a escassez de água em 2070.

Agricultura

Apesar disso, práticas agrícolas continuam insustentáveis.

Uma análise do WWF determinou que a água usada anualmente para produzir excedentes em colheitas espanholas de milho, algodão, arroz e alfafa seria suficiente para abastecer mais de 16 milhões de habitantes do país.

"Colheitas estão a expandir-se não como resposta à demanda do mercado, mas como resposta à disponibilidade de subsídios", critica a organização, que destacou ainda a má qualidade da água restante.

A Espanha foi o destaque do relatório, registando o pior resultado de freqüência de nitratos em águas subterrâneas e em águas potáveis.

Uma conseqüência da pior qualidade da água doce é a perda de biodiversidade, apontou o documento.

Desde 1970, houve declínio nas populações de mais da metade de 200 espécies de águas doces analisadas pelo índice "Planeta Vivo", medido pela organização.

"O custo de recuperar ecossistemas prejudicados é de dez a cem vezes maior que o de mantê-los", alertou o WWF.

"Governos devem encontrar soluções tanto para os (países) ricos como para os pobres, o que inclui reparar infra-estrutura antiga, reduzir contaminantes e mudar práticas de irrigação."

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