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Última actualização: 15 Agosto, 2006 - Publicado em 15:11 GMT
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Mulher no centro da Conferência sobre Sida
Manifestação
A maioria dos seropositivos, a nível mundial, são mulheres e raparigas
A situação das mulheres tornou-se o foco dos debates na Conferencia sobre Sida, a decorrer esta semana, na cidade de Toronto, no Canadá.

Os delegados puderam ouvir que a pobreza e a falta de acesso a formas de prevenção da doença, para além do estigma cultural, estão a causar entraves aos esforços para ajudar as mulheres seropositivas.

Há 10 anos atrás quando a Sida era vista amplamente como uma doença que afectava principalmente os homessexuais, as mulheres eram um assunto lateral em conferencias como esta.

Mas agora, que a maioria dos casos de seropositivos, a nível mundial, são mulheres e raparigas, elas tornaram-se uma prioridade com carácter de urgência.

Maria Muai, uma moçambicana de 44 anos vivendo com o HIV-Sida, diz que pesava 29kg quando lhe foi detectada a doença, mas que agora se sente bem e com força, devido ao tratamento com anti-retrovirais.

É preciso dar poder e recursos às mulheres para a prevenção da Sida

Na África do Sul, a artista de jazz, Musa Njoko, foi uma das primeiras mulheres sul-africanas a tornar pública a sua condição:

"Não estou orgulhosa de ser portadora de HIV, mas também não estou envergonhada. As mulheres são a espinha dorsal de qualquer nação. Sem nós não há vida. Por isso devemos ser levadas a sério."

Mas grande parte das mulheres seropositivas continuam a ser vítimas de estigma cultural, da pobreza e da falta de acesso aos mecanismos para evitar e tratar a doença.

Dar poder às mulheres

Num painel de discussão frente aos mais de 6 mil delegados à conferência de Toronto, o antigo presidente americano, Bill Clinton, sublinhou que quanto mais atenção, recursos e poder forem dados às mulheres, melhor funcionarão os programas de educação e prevenção da Sida.

"Quanto mais as mulheres forem marginalisadas, coisificadas e desvalorisadas, serão cada vez maiores as taxas de infecção da Sida."

No mesmo painel participou Melinda Gates, esposa de Bil Gates, multimilionário e também ele filantropo.

Ela registou o seu apelo para que seja disponibilizado em larga escala um gel microbicida que pode ajudar as mulheres a bloquear o alastramento da infecção.

Em frente ao centro de conferência, na cidade de Toronto, milhares de pessoas realizaram uma manifestação exigindo mais acção para ajudar as mulheres e raparigas a lutarem contra a pandemia.

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