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Menos água para os mais pobres | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
“Cerca de 20% da população mundial a continua a não ter acesso a água potável devido a políticas fracassadas”. Esta a conclusão central a que chegou um influente relatório. O Relatório da ONU sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos Mundiais também responsabiliza a falta de recursos e as alterações ambientais pelo problema. O estudo pede uma melhor liderança se se quiser reduzir para metade, até 2015, a proporção de pessoas sem acesso adequado a água potável. Estas conclusões serão apresentadas, esta semana, no Fórum Mundial da Água, que vai decorrer na Cidade do México. Descrito como sendo a investigação mais completa de todos os tempos sobre as reservas mundiais de água potável, o relatório diz que políticos, homens de negócio e agências humanitárias tinham um papel a desempenhar na resolução deste problema. Apesar de terem sido feitos progressos estáveis nos últimos anos, o relatório refere a necessidade de se fazer muito mais. A UNESCO, que encabeçou o grupo de 24 agências da ONU que compilou os dados, disse que o relatório destacava a necessidade de uma liderança e de uma coordenação mais fortes.
“A boa governação é essencial para a administração das cada vez mais escassas reservas de água potável, e indispensável para se lidar com a pobreza”, disse o Director-Geral da UNESCO, Koichiro Matsuura. “Não há uma receita única... mas sabemos que qualquer plano tem de incluir instituições adequadas - aos níveis nacional, regional e local – quadros legais fortes e efectivos e recursos humanos e financeiros suficientes”. Mudanças A menos que haja uma melhoria visível, alerta o relatório, regiões como a África subsaariana não cumprirão com o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio para a redução em 50% do número de pessoas sem acesso a água potável. Esse objectivo, estabelecido pela ONU, começou a ser implementado à escala global em 1990 e deverá ser cumprido até 2015. Apenas 12% das nações de todo o mundo conseguiram cumprir com os prazos para a introdução, até 2005, de uma estratégia hídrica efectiva. O relatório revela que os níveis aquíferos de rios e lençóis de água em muitas regiões estavam em declínio devido à redução das chuvas e a índices mais elevados de evaporação. A rápida urbanização em várias nações em desenvolvimento estava igualmente a afectar a habilidade das pessoas para ganhar acesso a fontes de águas, referiu o relatório.
Governos nacionais e locais não foram capazes de expandir com suficiente rapidez as suas redes de abastecimento de águas de forma a acompanhar o crescente número de pessoas que se transferem das zonas rurais para as cidades. A urbanização também levou a um aumento das dimensões das ‘zonas de abrangência das fontes de água’, devido ao crescimento do consumo na produção de alimentos, indústria e geração de energia. Os autores do relatório disseram que a não criação de condições adequadas para a distribuição de água e para a sanidade do meio ambiente estava directamente ligada à falta de saúde e à baixa qualidade de vida entre a população urbana pobre, o que poderá funcionar como catalizador de distúrbios e conflitos sociais. Barun Mitra, o director do Liberty Institute, baseado na capital indiana, disse que o relatório mostrava a ‘necessidade de se virar a situação’. “A inabilidade de se aprender com as pessoas que estão no terreno está na base deste problema”, disse à BBC . “Em países grandes como a Índia, é muito fácil olharem-se as coisas de cima para baixo e dizer ‘vamos fazer esta ou aquela alteração’, sem se reconhecerem as necessidades de populações específicas em áreas específicas”. Segundo Barun Mitra, há muitos exemplos de pessoas, nos bairros de lata dos arredores da capital indiana, Delhi, a terem que resolver, por si sós, questões ligadas ao abastecimento de água potável. “Ninguém quer ficar à espera que outros apareçam para resolver os seus problemas. A água é uma necessidade primária. Os governos estão a falhar ao não reconhecerem essas iniciativas informais dando-lhes um quadro formal”. Declínio O relatório – intitulado ‘Água, Uma Responsabilidade Partilhada’ – também revelou que:
Calcula-se que a corrupção política debilite os serviços e custe anualmente ao sector de águas milhões de dólares “Se continuarmos como até agora, a crise de água vai piorar – não apenas nos países menos desenvolvidos mas também nos desenvolvidos. Pagaremos caro pelos nossos erros”. As conclusões do relatório foram discutidas no 4º Fórum Mundial da Água, que começou na Cidade do México no dia 16 de Março. | LINKS EXTERNOS A BBC não é responsável pleo conteúdo de sítios externos da internet | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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