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Última actualização: 27 Outubro, 2005 - Publicado em 02:57 GMT
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Multiculturalismo na Nigéria
Nigeria
Nigéria
Os ataques terroristas à rede de transportes de Londres em Julho deste ano, perpetrados por quatro jovens muçulmanos britânicos, deram origem a uma onda de indagações quanto à questão do multiculturalismo na Grã-Bretanha.

Na verdade, muitos países ocidentais têm estado a tentar lidar com a questão de como fazer co-habitar as novas gerações de imigrantes com os 'nativos' de uma região.

O multiculturalismo não é, no entanto, um fenómeno exclusivamente ocidental. O antigo correspondente da BBC em Lagos, Dan Isaacs, debruça-se sobre o caso da Nigéria, um país que possuí centenas de grupos étnicos e línguas locais.

Quando a Nigéria foi anfitriã de um Festival Cultural pan-Africano em meados da década de 70, permanecia uma aura de optimismo e a imagem do país era a de uma nação de bem consigo própria.

No entanto, existem poucos países onde esta imagem não poderia estar mais longe da realidade.

Na Nigéria existem 250 grupos linguísticos distintos, e fronteiras criadas sob a influência do império colonial Britânico, que juntaram o norte Muçulmano, com o sul Cristão, e geraram uma busca constante de poder político e recursos económicos.

Esta mistura revelou-se instável num país rico em recursos petrolíferos, mas com dois terços da população a viver na pobreza.

Misturas

Desde a independência, houve uma guerra civil, vários golpes militares e muitos milhares de mortos em conflictos inter-comunitários que ainda hoje ocorrem.

A Nigéria é composta de várias nacionalidades. É uma construção artifícial e não existe ainda uma nacionalidade. Consequentemente não existe uma visão uniforme quanto à direcção que o país deve tomar.

A opinião do homem de negócios Tunde Fagbenle.

No entanto a questão não se resume somente ao facto de várias pessoas terem sido colocadas no mesmo país.

Os movimentos migratórios dentro da própria Nigéria forçaram grupos culturalmente diferentes nas áreas urbanas a viverem lado-a-lado.

"Acredito que uma das razões pelas quais as pessoas têm tido receio de lidar com o fenómeno Nigeriano, se prende com o facto de se estar a lidar com pessoas que são da mesma raça, mas de culturas diferentes e com vários níveis de desenvolvimento.

O historiador político Herbert Ekwe-Ekwe.

Federalismo

No entanto, alguns optam por encarar as diferenças étnicas na Nigéria de uma forma mais leve. Se feito da forma correcta, existe muito humor possível de fazer com base nos esterótipos tribais dos 3 maiores grupos: os Yoruba, os Hausa e os Igbo.

No entanto a visão multi-cultural de muitas pessoas na Nigéria começa agora a tornar-se tensa pelo apelo efectuado por pensadores radicais.

Tunde Fagbenle expressa as ideias de muitos de muitos daqueles que integram a sua comunidade Yoruba.

" Achamos que o país deve ser dividido em comunidades mais pequenas, mas não necessáriamente representado países diferentes, pois acredito que já ultrapassámos essa fase. No entanto, acreditamos que deveriam ser criadas pequenas unidades políticas mais fácilmente geríveis e interrelacionadas...qualquer coisa na linha de uns Estados Unidos da Nigéria.

As palavras do homem de negócios Tunde Fagbenle.

Esta é sem dúvida uma visão grandiosa que até ao momento tem escapado à Nigéria. A riqueza petrolífera não originou prosperidade na população, nem criou a fórmula para unir a diversidade cultural do país.

No entanto, será certamente com um verdadeiro crescimento económico, e não somente com os dividendos da riqueza petrolífera para os muito ricos, que a visão de uma Nigéria multicultural e pacífica se poderá finalmente concretizar.

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