|
'Guineenses devem trabalhar para a reconciliação' | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nas vésperas da tomada de posse de Nino Vieira como o novo presidente da Guiné-Bissau, o candidato derrotado, Malan Bacai Sanhá, continua a rejeitar a sua derrota. Uma posição de confronto com o seu partido, o PAIGC, que decidiu acatar a decisão do Supremo Tribunal e reconhecer Nino Vieira como vencedor das presidenciais de Julho passado. Em entrevista exclusiva à BBC, o representante especial do secretário geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, o moçambicano João Honwana, considera que a situação que se vive no país ainda é de grande instabilidade e tensão, mas considera muito pouco provável uma crise que possa conduzir a uma intervenção militar. Que leitura faz da crise que se instalou agora no seio do PAIGC? Naturalmente que é preocupante o que se está a passar no seio do PAIGC, mas estou convencido que é um problema que está ao alcance da liderança do partido de abordar e resolver. É importante que todas as forças políticas, incluindo o PAIGC, se organizem para iniciar esta nova fase que se abrirá com a tomada de posse do novo presidente eleito. Qual é o papel que Malan Bacai Sanhá pode representar no futuro? Isto depende essencialmente do seu partido e do conjunto das forças políticas de definir esse papel, e de ele próprio também. Aquilo que pode servir de dado indicativo são as afirmações feitas pelo presidente eleito, João Bernardo Vieira, dizendo que estava preparado para trabalhar com todas as forças políticas, com todos os candidatos às eleições presidenciais, incluindo Malan Bacai Sanhá. Por isso, a julgar por estas declarações, haverá um papel que Sanhá poderá jogar nos próximos tempos na vida política da Guiné-Bissau. Mas penso que essencialmente é uma decisão que ele próprio tem que tomar sobre o papel que ele quer jogar. Acha que esta crise pode afectar a tomada de posse de Nino Vieira no sábado? Penso que não, devido às declarações feitas pelo próprio Malan Bacai Sanhá que não iria impedir a tomada de posse de Nino Vieira. E estou convencido que o processo, de todas as formas, chegou a uma fase que será muito difícil voltar atrás. Mais cedo ou mais tarde vão ser encontradas as soluções necessárias e acredito que todas as partes envolvidas neste processo, mais cedo ou mais tarde, vão compreender que é preciso avançar, pôr de lado as diferenças do passado e começar a construir o futuro do país. Acha que ainda está presente, na actual conjuntura, a ameaça de uma intervenção militar? Eu próprio e o Bureau das Nações Unidas de Apoio à Consolidação da Paz na Guiné-Bissau temos desenvolvido um trabalho bastante intenso com as forças armadas, particularmente com as chefias militares, e como resultado desses contactos, parece-me muito pouco provável que isso venha a acontecer. Obviamente que, não podemos ter ilusões, a situação ainda é de grande instabilidade, de muita tensão mas, nós e outros enviados da sub-região, temos recebido garantias inequívocas das chefias militares de que não vão interferir no processo político no país. No regime semi-presidencialista na Guiné-Bissau, o presidente Nino Vieira vai ter que coabitar com um governo que lhe é hostil. Na sua opinião essa coabitação vai ser possível? Certamente que a coabitação não vai ser fácil, ficou claro desde o início da campanha eleitoral que havia tensões muito grandes, diferenças muito grandes entre o governo do partido que está no poder e o presidente eleito. Mas o que é importante é que ambos estejam conscientes que é necessário ultrapassar essas tensões e trabalhar em conjunto na consolidação da paz e do processo de paz e no relançamento económico do país. Se tanto o governo como o presidente eleito tiverem em primeiro lugar os interesses superiores da nação guineense, penso que então estarão à altura de ultrapassar essas dificuldades. Mas certamente que isso vai exigir muito esforço, muita ponderação, muito patriotismo. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||