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Última actualização: 10 Agosto, 2005 - Publicado em 01:02 GMT
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Líder do Níger nega situação de fome
Criança nigerina
O Níger e restantes países do Sahel enfrentam fomes cíclicas
O presidente do Níger, Mamadou Tanja negou a existência de fome no seu país, acusando as agências da ONU e a oposição de 'falsa propaganda.'

O Programa Alimentar Mundial, PAM, alargou entretanto a distribuição de alimentos no sul do país, depois de a ter circunscrito inicialmente aos pontos mais afectados.

Agências de auxílio dizem que o vizinho Mali enfrentará idênticos problemas em finais do corrente mês, se não chegar ajuda.

Bem-alimentados

Numa entrevista à BBC, Tanja disse que ' o povo do Níger parece bem-alimentado, como podem ver'.

A ONU estima que 3 entre 12 milhões de nigerinos estejam a braços com escassez de alimentos.

Agências de auxílio dizem que há crianças a morrer todos os dias.

Trinta e duas mil (32.000) em severo estado de má-nutrição morrerão se não receberem assistência médica e medicamentosa.

 É apenas com enganos que estas agências recebem fundos.
Mamadou Tanja, presidente do Níger.

Campanha geral

As declarações do presidente nigerino foram feitas na altura em que o Programa Alimentar Mundial da ONU lançou uma campanha geral de distribuição de alimentos no sul do país.

Até esta segunda-feira, o esquema de distribuição de alimentos foi localizado e centrou-se em pontos com níveis extremos de de sub-nutrição.

O chefe do estado nigerino disse haver 'escassez alimentar' em algumas áreas em consequência de falta de chuvas e pragas de gafanhotos, tendo acrescentado que isto não era inusual na região do Sahel.

Propósitos políticos

Segundo Mamadou Tanja, 'a ideia de que há fome está a ser explorada com propósitos políticos por partidos da oposição e por agências das Nações Unidas.'

 O PAM não falou em fome mas em bolsas de severa má-nutrição.
Greg Barrow, porta-voz do PAM.

O chefe do estado nigeriano perguntou porque razão dos 45 milhões de dólares prometidos ao Níger para fazer face à situação, apenas 2.5 milhões tinham chegado ao seu governo.

'É apenas com aldrabices que estas agências recebem fundos'.

Greg Barrow, porta-voz do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas, reagiu dizendo que o PAM 'não tinha falado em fome mas sim em bolsas de severa má-nutrição'.

Mali ameaçado

Barrow reconheceu o Níger experimenta frequentes crises de fome mas assinalou que as colheitas do ano passado tinham sido 'particularmente más.'

Emergem entretanto preocupações acerca da situação no vizinho Mali.

O correspondente da BBC, David Loyn, diz que os problemas são idênticos aos do Níger.

O governo distribuiu rações alimentares, mas agências de auxílio detectaram graves níveis de má-nutrição sobretudo no norte, entre a dispersa comunidade Touareg, ao redor de Tombuctu.

Um apelo do PAM apenas recolheu 12% do montante solicitado e receia-se uma situação de fome declarada em finais do corrente mês se não chegar mais ajuda.

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