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Última actualização: 31 Julho, 2005 - Publicado em 04:56 GMT
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G-Bissau: crescem as desconfianças e as tensões
Nino Vieira a votar
A vitória de Nino Vieira é rejeitada pelos seus antigos camaradas
A directoria de campanha de Malam Bacai Sanhá, candidato declarado derrotado nas presidenciais guineenses realizadas há uma semana, afirmou, no sábado, ter indicações de que está em preparação "um golpe de Estado para efectivar os resultados provisórios" da votação.

Em declarações à Agência Lusa, Desejado Lima da Costa, porta-voz da candidatura, afirmou "haver indícios" de que o primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, igualmente líder do PAIGC, no poder, e que apoia Bacai Sanhá, "poderá ser preso, pois o governo já perdeu praticamente o controlo da autoridade do Estado".

Segundo Lima da Costa, Nino Vieira e vários membros da sua directoria de campanha circulam nas ruas de Bissau, sob a protecção de um forte dispositivo militar, "numa clara demonstração de força e de confrontação com as autoridades legitimamente eleitas do país".

Alinhamento dos militares

"Existem também indícios quanto ao alinhamento de certos elementos das Forças Armadas ao candidato Nino Vieira, incentivando estes à desobediência ao governo legalmente instituído", acrescentou.

Desejado Lima da Costa lembrou que Bacai Sanhá "continua a não aceitar" os resultados provisórios e está "sem qualquer medida de protecção".

Por outro lado, a directoria de campanha assume como um cenário político futuro a possibilidade de os dois candidatos se sentarem frente a frente para analisar a questão e garantir a estabilidade e a paz da Guiné-Bissau.

O porta-voz de Bacai Sanhá sustentou a recusa em aceitar os resultados provisórios alegando que, três horas antes da a CNE os divulgar, os dados apurados pela sua directoria a partir das actas síntese, e "que lhe davam uma clara vantagem, foram alterados a favor do candidato adversário".

Recontagens e anulações

Segundo Lima da Costa, a directoria de campanha de Bacai Sanhá já apresentou um novo requerimento à CNE "com provas que justificam" a recontagem de votos em "todas as regiões do país" e a nulidade da votação nas de Bissau, Biombo e Bafatá.

A CNE, através da sua secretária executiva adjunta, a jurista Vera Cabral, disse sexta-feira à noite à Agência Lusa que o órgão que fiscaliza as eleições irá analisar as reclamações apresentadas pela directoria de campanha de Bacai Sanhá numa sessão marcada para segunda-feira.

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