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Ajuda nem sempre é benéfica para África - diz FMI | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um estudo de dois economistas do Fundo Monetário Internacional diz que a ajuda financeira externa nem sempre é benéfica para África. "Encontrámos sinais de que fluxos sistemáticos de recursos têm um efeito adverso na competitividade dos países, com a queda na produção dos sectores de mão-de-obra intensiva e produtos exportáveis", diz o estudo dos economistas Raghuram G. Rajan and Arvind Subramanian, do Departamento de Pesquisas do FMI. O estudo argumenta que esses efeitos negativos advêm da supervalorização da taxa de câmbio da moeda, causada pelo fluxo de ajuda estrangeira. Remessas do exterior Por outro lado, eles dizem que o fluxo de recursos privados, como remessas de trabalhadores residentes no exterior, não tem um efeito semelhante, porque o fluxo de remessas se ajusta automaticamente e diminui quando a taxa de câmbio está supervalorizada. Raghuram Rajan e Arvind Subramanian dizem que outros estudos já concluíram que a corrupção e a má gestão dos recursos não são as únicas razões pelas quais a ajuda externa não leva ao crescimento económico. Eles argumentam que a ajuda externa tem efeitos negativos a longo prazo. "Embora os recursos sejam adicionais no início, depois de algum tempo os países tornam-se mais reincidentes em relação ao aumento da arrecadação de impostos e passam a precisar de mais ajuda para se manterem". Segundo os dois economistas, "se essa ajuda não vem e os países perdem a capacidade de arrecadação de impostos, todos os efeitos benéficos a curto prazo acabam e cria-se uma cultura de dependência". Enfraquecimento das instituições Um outro efeito, dizem eles, é o enfraquecimento das instituições, à medida que o fluxo de recursos garantido reduz a necessidade dos governos de explicar as suas acções à população. "A longo prazo, pode haver uma tendência de corromper mesmo os mais bem intencionados dos governos”, afirma o estudo. Outro estudo, dos mesmos economistas, analisando a relação entre ajuda externa e crescimento económico, conclui que não existe uma relação forte entre os dois factores. Eles ressaltam que o estudo é baseado em experiências passadas, o que não significa necessariamente que o fenómeno se vai repetir no futuro. Mas acham que para que isso não aconteça, é preciso repensar a maneira como os recursos são distribuídos e aplicados. |
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