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Apoiantes de Kumba Yalá mortos em Bissau | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A polícia guineense matou dois manifestantes e feriu pelo menos seis - quatro deles com gravidade - na capital, Bissau, durante um protesto levado a cabo por cerca de 200 apoiantes do ex-presidente Kumba Yalá. Yalá, que concorreu às eleições presidenciais de 19 de Junho, não conseguiu votos suficientes para ir à segunda volta - que será disputada entre "Nino" Vieira e Malam Bacai Sanhá. Confirmação policial Em declarações aos jornalistas, o comissário-geral da Polícia da Ordem Pública, coronel Antero João Correia, confirmou a morte de dois jovens manifestantes e a existência de seis feridos. A mesma informação foi confirmada por fontes médicas do Hospital Nacional Simão Mendes, principal unidade hospitalar da Guiné-Bissau, em cuja morgue se encontram já os dois cadáveres. A polícia disparou gás lacrimogénio e balas reais contra um grupo de manifestantes que haviam sido chamados pelo Partido da Renovação Social, PRS, a manifestarem-se contra os resultados das eleições presidenciais. O PRS apoiou Kumba Yalá nas presidenciais. Tiro mortal Os manifestantes marchavam em direcção à sede da Comissão Nacional de Eleições, no centro de Bissau, quando ocorreu o incidente. Uma das vítimas mortais teria sido atingida com um tiro na cabeça. Um dos porta-vozes dos manifestantes disse que a marcha era pacífica e que visava unicamente protestar contra os resultados falsos da votação. "Era uma marcha pacífica e a polícia acabou por violar todas as regras", disse o jovem, que admitiu não ter sido pedida autorização para a manifestação, pois, considerou, "isso não era necessário uma vez que era uma simples iniciativa de paz". Espancamento O secretário-geral do PRS, Artur Sanhá, foi detido, espancado e levado para local incerto pelas forças de segurança guineenses, numa viatura guardada por cerca de uma dezena de agentes da brigada de intervenção rápida. Segundo a agência Lusa, antes da sua detenção, Artur Sanhá foi alvo de um autêntica caça ao homem por parte das forças de segurança, que o apanharam próximo da praça Che Guevara, no centro de Bissau, onde foi agredido pelas forças policiais. Artur Sanhá foi primeiro-ministro do Governo de Transição - de Setembro de 2003 a Outubro de 2004 - e quando foi detido teria em seu poder duas pistolas e dois carregadores. Esta informação não foi confirmada por fontes independentes. Sanhá visitado Segundo o comissário-geral da Polícia, Sanhá foi levado para a segunda esquadra, em Bissau, tendo sido já visitado pelos ministros guineenses do Interior, Mumine Embaló, e da Defesa, Martinho Ndafa Cabi. Segundo Antero João Correia, o dirigente do PRS encontra-se "bem". Antero João Correia, Mumine Embaló e Ndafa Cabi estiveram também juntos no Hospital Simão Mendes, onde se inteiraram da situação, tendo a direcção da unidade hospitalar pedido um reforço da segurança em torno do edifício.
Após a detenção de Sanhá, as dezenas de jovens que se encontravam nas ruas a seguir os acontecimentos saudaram efusivamente as forças de segurança e desencadearam, por sua vez, uma caça aos apoiantes de Kumba Yalá. "Abaixo Kumba Yalá" Pelo menos quatro deles teriam sido brutalmente espancados por uma multidão em fúria, que ao mesmo tempo gritava "abaixo Kumba Yalá". Pouco depois, chegou a polícia, que acabou por serenar os ânimos e pegar nas vítimas e levá-las para a sede da Comissão Regional de Eleições em Bissau, a pouco mais de 100 metros do local do incidente. Kumba Yalá foi deposto em 2003 num golpe militar pacífico, que colocou no poder um governo de transição. Felicitações Ele ficou, provisoriamente, em terceiro lugar, com 24,9% dos votos, nas eleições de 19 de Junho, atrás de um outro ex-presidente - "Nino" Vieira - ele próprio deposto num golpe em 1999. "Nino" Vieira concorreu às presidenciais como independente e conseguiu 28,8% dos votos. O vencedor das eleições foi Malam Bacai Sanhá, do PAIGC, que conseguiu 35,4% dos votos - número insuficientes para evitar uma segunda volta, em meados de Julho. O presidente da Comissão Nacional de Eleições, Malam Mané, indicou que divulgará, no sábado, os resultados finais definitivos da primeira volta das presidenciais. Vinte e quatro horas antes dos incidentes de Bissau, o Conselho de Segurança das Nações Unidas emitiu uma declaração em que felicitava o povo guineense pela forma "pacífica e ordeira" como haviam decorrido as eleições. A ONU pediu também a todos os candidatos que respeitassem os resultados eleitorais. |
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