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A destruição imparável da floresta amazónica | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo brasileiro lançou um sério alerta sobre a destruição da floresta amazónica. O Ministro brasileiro do Ambiente disse que 26 mil quilómetros quadrados de floresta desapareceram nos 12 meses que precederam Agosto do ano passado. O Estado do Mato Grosso é um dos mais afectados, com as árvores a serem substituídas por plantações de soja para exportação. Em sua defesa, o governo brasileiro referiu que instalou um sistema de satélite para vigiar a floresta amazónica e que instituiu reservas ecológicas. Ecossistema destruido Os dados recentes sobre a devastação da floresta amazónica indicam que um quinto do total daquele ecossistema já desapareceu. Seis mil quilómetros quadrados de selva foram destruídos no ano precedente a Agosto de 2004. Ecologistas, como Hylton Philipson, da ONG Rainforest Concern, acusam o governo brasileiro de não tomar as medidas necessárias e dizem que a situação é insustentável. "É absolutamente extraordinário, não só que a destruição continue, mas que se acelere. As coisas têm que mudar. Isto é insustentável do ponto de vista da comunidade global". Prioridade à soja Mais de metade da recente deflorestação ocorreu no Estado do Mato Grosso, onde o cultivo da soja é a grande prioridade dos agricultores e do governo.
As exportações de soja para a China e para a Europa ajudaram a inverter a balança comercial brasileira. Bruno Garcez, do serviço brasileiro da BBC, visitou recentemente o Estado do Mato Grosso e não veio de lá com as melhores impressões. "A terra é limpa de árvores para o cultivo. A extracção das raízes é um processo extremamente agressivo. Depois das árvores serem cortadas, deitam petróleo no solo, para o prepararem. Claro que a biodiversidade está a sofrer". Protecção com satélites O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu fazer mais para proteger a Amazónia e, segundo Maria Angélica Ikeda, da embaixada do Brasil aqui em Londres, o governo lançou várias iniciativas para melhorar a situação. "Para citar um exemplo, estamos a instalar talvez o mais sofisticado sistema de satélite conhecido para vigiar a zona e saber se a deflorestação registada é ou não ilegal". Bruno Garcez, do serviço brasileiro da BBC, diz que existe alguma hipocrisia por parte da comunidade internacional quando critica as autoridades brasileiras por nada fazerem para proteger a floresta amazónica. "A soja é o cultivo principal na zona e o Brasil é agora o maior exportador a nível mundial. O que o governo diz é que é injusto que a comunidade internacional aponte o dedo ao Brasil e ao mesmo tempo compre a soja e a carne produzidas ali. Por isso acham que as nações ocidentais têm dois pesos e duas medidas". Hylton Philipson, da Rainforest Concern, admite que a comunidade internacional devia fazer mais para salvar a selva amazónica. "Há um valor monetário em manter estas florestas que devia ser considerado a nível global. O valor das exportações de carne brasileiras no ano passado foi de dois mil milhões de dólares".
"Os 26 mil quilómetros quadrados que perdemos no ano passado equivalem a um certo valor em carbono, que é superior ao preço da carne exportada". Pulmão do planeta Para Hylton Philipson, o governo brasileiro tem que ser mais eficaz no combate à destruição da floresta - que é um património mundial. "A primeira coisa que têm que fazer é implementar a lei com mais rigidez - o Brasil é um país muito extenso e compreendemos que é dificil policiar uma área tão vasta, mas é possível com ajuda exterior. O que é eles têm que fazer é pedir ajuda". O governo brasileiro, por seu turno, diz que o problema está controlado e que foram criadas importantes reservas ecológicas. Mas os ambientalistas querem acções drásticas para manter a selva amazónica, vista como o "pulmão do planeta", com uma função crucial na produção de oxigénio e absorção de dióxido de carbono. |
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