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Última actualização: 24 Novembro, 2004 - Publicado em 04:57 GMT
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Tutu ataca riqueza da elite negra
Desmond Tutu
Desmond Tutu é conhecido pela sua franqueza verbal
O Prémio Nobel da Paz, Desmond Tutu, criticou os esforços do governo sul-africano para a transferência de riqueza para a população negra do país.

Segundo ele, apenas uma pequena elite reciclada beneficiou desse processo.

O antigo Arcebispo Anglicano da Cidade do Cabo disse que a medida - conhecida como Atribuição do Poder Económico à População Negra - estava a causar ressentimentos porque não conseguira ajudar a vasta maioria dos sul-africanos.

 Muitos sul-africanos estão a questionar os dividendos da nossa liberdade, porque não lhes parece que tenhamos agora a terra prometida
Desmond Tutu

Desmond Tutu disse que dez anos depois do fim do apartheid, milhões de sul-africanos continuavam a viver em condições desumanas de pobreza.

O governo da África do Sul diz que está a tentar corrigir as injustiças do passado, que concentraram a riqueza nas mãos da minoria branca.

Barril de pólvora

Falando, na terça-feira, na palestra anual Nelson Mandela, na cidade de Joanesburgo, o Arcebispo Desmond Tutu avisou que a África do Sul estava sobre um barril de pólvora.

"Qualquer pessoa que esteja atenta ao fosso entre ricos e pobres, entre os que têm tudo e os que nada têm, perceberá que a menos que se reduza esse fosso o mais rapidamente possível, teremos uma explosão nas nossas mãos."

Ele disse que a África do Sul tinha muitas vitórias para celebrar nos seus dez anos de liberdade, mas que também tinha grandes problemas.

Um desses problemas era a pobreza desumana que persistia no país.

"Muitos sul-africanos estão a questionar os dividendos da nossa liberdade, porque não lhes parece que tenhamos agora a terra prometida."

A era pós-apartheid

Desmond Tutu considera que a África do Sul precisa de analisar as razões do colapso do apartheid.

"Envolvemo-nos na luta contra o apartheid não para beneficiar apenas alguns. Não quero com isso dizer que tenhamos de ser todos muito ricos, mas também não podemos deixar tanta gente para trás."

O Arcebispo disse também que a luta dos sul-africanos não tinha sido necessariamente devido a questões raciais mas sim pela igualdade dos seres humanos.

E pediu ao governo que prestasse uma maior atenção às suas acções e aos compromissos assumidos com o povo.

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