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Aviação marfinense mata oito soldados franceses | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai estar reunido de emergência para debater a situação na Costa do Marfim depois de oito soldados franceses terem sido mortos durante um ataque aéreo a Bouaké, bastião dos antigos rebeldes. Jean Paul Nkolo, porta-voz da ONU na capital, Yamassoukro, disse à rádio francesa que outros 23 soldados franceses tinham ficado feridos. O ataque alvejou a base militar francesa em Bouaké, o bastião dos antigos rebeldes, no norte do país. Um porta-voz do governo marfinense disse à agência Reuters que se tratara de um engano. Por ordem do presidente francês, Jacques Chirac, dois aviões da força aérea marfinense foram destruídos no local onde se encontravam estacionados. Reforços Em Paris, o ministério francês da Defesa confirmou que cinco helicópteros tinham sido igualmente atingidos, deixando a força aérea marfinense com apenas um avião operacional. Não confirmamos que as tropas governamentais estão em Bouaké, mas é uma probabilidade que estejam perto. Os aparelhos abatidos vinham participando em ataques a áreas sob controlo das antigas forças rebeldes, no norte, que a França diz violarem os termos dos acordos de cessar-fogo. A França que já tem quatro mil soldados na Costa do Marfim, anunciou o envio de mais soldados e aviões. Registaram-se depois confrontos entre tropas francesas e marfinenses no aeroporto de Abidjan, despoletando uma onda de violência anti-francesa. Violência anti-francesa Grupos de jovens enfurecidos atacaram a principal base francesa em Abidjan e uma escola francesa foi incendiada. O governo francês indicou que responsabilizará pessoalmente o presidente Laurent Gbagbo pela restauração da ordem. As tropas francesas têm a missão de ajudar os contingentes das Nações Unidas a manter a zona-tampão entre as tropas governamentais e os rebeldes. O porta-voz da força militar francesa, coronel Henry Aussavy, não confirmou rumores segundo os quais o exército marfinense estaria a preparar um assalto a Bouaké. "Não confirmamos rumores de que as tropas governamentais estão em Bouaké, mas é uma probabilidade que estejam perto. Isto significaria que os ataques aéreos foram acompanhados por movimentos de infiltração". União Africana O presidente em exercício da União Africana, Olusegun Obasanjo, urgiu todas as partes no conflito marfinense a cessar hostilidades. O apelo foi lançado no final de um encontro de emergência da União Africana e da Comunidade dos estados da África Ocidental, convocado para discutir a deterioração da situação. Ao contrário do que se previa, representantes do governo marfinense e dos rebeldes não participaram nas conversações que decorreram em Abuja. Não temos os detalhes todos, mas foi-nos dito que os ataques irão ocorrer a qualquer momento. O comunicado exortou as Nações Unidas a alterarem a natureza do mandato das suas forças na Costa do Marfim "para impedir o agravamento da violência". Ataques iminentes As forças da ONU na Costa do Marfim estão apenas autorizadas a usar da força em auto-defesa. O receio de que a situação se possa agravar estende-se às zonas fronteiriças. Vanessa Van Schoor da organização francesa Médicos sem Fronteiras, diz que esta está a evacuar o seu pessoal de um hospital na cidade ocidental de Danane, a cerca de 30 kms da fronteira com a Libéria. "Temos informações que apontam para ataques iminentes. Não temos os detalhes todos, mas foi-nos dito que os ataques irão ocorrer a qualquer momento. As pessoas encerraram-se nas suas casas, estão muito tensas." Eixo regional Os antigos rebeldes, agora intitulados Forças Novas, advertiram que o conflito se poderá propagar a toda a região e denunciaram a existência de um eixo Costa do Marfim- Guiné-Conackri, Mauritânia. A Costa do Marfim tem estado dividida há mais de um ano, com o norte em poder dos antigos rebeldes e o sul sob controlo das tropas governamentais. As tensões recrudesceram ha algumas semanas, depois dos antigos rebeldes se terem recusado a entregar as armas, condicionando o início do seu desarmamento à introdução de reformas legislativas e constitucionais. |
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