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Última actualização: 10 Setembro, 2004 - Publicado em 14:52 GMT
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Fase 'hiperactiva' de furacões pode durar anos

Efeitos da passagem do furacão Ivan em Santa Lúcia, no caribe
O Ivan causou grandes prejuízos em sua passagem pelo sudeste do Caribe
O surgimento e o fortalecimento do furacão Ivan, que está a devastar regiões em ilhas do Caribe, é mais um sinal de que a temporada de furacões deste ano é uma das mais activas já registadas.

A principal teoria para explicar a “hiperactividade”, concebida por cientistas americanos, indica que a região tem tido, desde 1995, condições ideais para o desenvolvimento das tempestades, depois de mais de 20 anos de "baixa actividade".

“Nos anos 60, 70 e 80, a actividade foi muito baixa e, a partir de 1995, mais ou menos, a actividade voltou a aumentar”, explicou Alberto Mestas-Nuñez, oceanógrafo da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), um dos autores do estudo.

"E o que nós esperamos é que esta (alta) actividade continue por uma ou duas décadas", alertou.

Ciclo

Mestas-Nuñez explica que o surgimento de furacões depende principalmente de dois factores: a temperatura das águas do oceano na área em que a tempestade se forma e a intensidade dos ventos nas camadas mais altas da atmosfera. Quanto mais quentes as águas e menos fortes os ventos, maior a possibilidade de que um furacão surja e se fortaleça.

"O que nós pensamos estar relacionado com o aumento da actividade a partir de 95 é que os dois factores passaram de uma condição desfavorável a uma condição favorável", disse, explicando que a temperatura do Oceano Atlântico, sobretudo na zona onde os furacões se formam, aumentou no período, e os ventos estão mais fracos.

"Esse aquecimento é parte de um ciclo, um ciclo de décadas, de mais ou menos 60 anos. Ou seja, podem se passar 20 ou 30 anos de fase de aquecimento, e depois 20 e 30 anos por uma fase fria."

O período anterior de "hiperactividade", de acordo com as estatísticas do NOAA, terminou em 1970.

El Niño

Entre 1971 e 1994, apenas quatro anos tiveram mais de dois grandes furacões (com ventos máximos acima de 178 km/h) e nenhum teve mais de três. Entre 1995 e 2003, um período mais curto, sete anos tiveram três ou mais grandes furacões.

Neste ano, o Ivan já é a quarta grande tempestade formar-se na região. Caso atinja a Florida, ele será o terceiro furacão, depois do Charley e do Frances, a chegar ao Estado americano em cerca de um mês

Cientistas no cCentro nacional de Furacões, em Miami
Os cientistas não sabem ao certo se a ocorrência de furacões tem ligação com o aquecimento global
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Essa também seria a primeira vez desde 1964 que três furacões atingem a Florida num mesmo ano.

Mestas-Nuñez explica que, além do ciclo de décadas, também há influência do fenómeno El Niño, como é conhecido o aquecimento das águas do Oceano Pacífico.

Quando o El Niño acontece, desfavorece a ocorrência de furacões no Atlântico. "Mas neste momento, o El Niño está neutro", explicou o cientista.

Aquecimento global

Outro factor que poderia estar influenciar o aparecimento dos furacões, o aquecimento global, causa divisão entre os estudiosos que buscam compreender a dinâmica das tempestades.

O meteorologista Manuel Torres, do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, acredita que a ciência ainda não chegou ao ponto de poder garantir uma ligação entre o aquecimento global e os furacões.

"Muita gente quer saber se vem aí uma nova idade do gelo, pois a Terra está a aquecer. Coisas assim não se sabem, são especulações", disse. O que se pode dizer, segundo Torres, é que "há anos em que há mais actividade, há anos em que há menos actividade. Este é um dos anos em que tem havido mais".

Mestas-Nuñez, por sua vez, acha que a relação entre o aquecimento global e o número de furacões "é uma hipótese provável", mas reconhece que "essa é uma pergunta que todos nós fazemos e é uma área de bastante debate".

"O problema que temos quando queremos estudar o aquecimento global é que ele, como o entendemos, é um aumento da temperatura durante um período muito longo de tempo", explicou.

Por isso, seria necessário analisar estatísticas de muitos anos atrás para se chegar a uma conclusão. "Quando se fala de furacões, só a partir dos anos 60 existem dados obtidos por meio de satélite. Ou seja, a qualidade das informações obtidas em anos anteriores é bastante questionável."

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