'UPP modelo' no Rio, Dona Marta ainda enfrenta problemas

    • Author, Jefferson Puff
    • Role, Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

Comunidade que recebeu primeira unidade de pacificação comemora cinco anos sem crimes, mas ainda sofre com falta de serviços básicos.

Porta de entrada da comunidade Santa Marta, a Praça Cantão tem restaurantes, bares, barbeiros, lojas e uma farmácia. Carros, táxis e caminhões de entrega só chegam até aqui. O resto do caminho é feito a pé e as entregas ficam por conta dos “carreteiros” que levam cargas e compras nas costas morro acima. Revitalizado pelo projeto Tudo de Cor para Você, o local virou cartão de visitas da favela (Foto: Rodrigo Mascarenhas).
Legenda da foto, Porta de entrada da comunidade Santa Marta, a Praça Cantão tem restaurantes, bares, barbeiros, lojas e uma farmácia. Carros, táxis e caminhões de entrega só chegam até aqui. O resto do caminho é feito a pé e as entregas ficam por conta dos “carreteiros” que levam cargas e compras nas costas morro acima. Revitalizado pelo projeto Tudo de Cor para Você, o local virou cartão de visitas da favela (Foto: Rodrigo Mascarenhas).
A expulsão dos traficantes beneficiou os comerciantes locais. Mais de 51% já estão formalizados. Lúcia Barros vive há 57 anos no morro, 18 deles à frente de uma pequena loja que vende de pipas a brinquedos e animais de estimação. PA Associação de Moradores fica logo no início do morro, onde as vielas contam com iluminação pública instalada após a pacificação. (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Legenda da foto, A expulsão dos traficantes beneficiou os comerciantes locais. Mais de 51% já estão formalizados. Lúcia Barros vive há 57 anos no morro, 18 deles à frente de uma pequena loja que vende de pipas a brinquedos e animais de estimação. PA Associação de Moradores fica logo no início do morro, onde as vielas contam com iluminação pública instalada após a pacificação. (Foto: Jefferson Puff/BBC).
 A Associação de Moradores da Santa Marta diz que uma de suas maiores batalhas em busca de dignidade para a populacão da comunidade é obter ajuda para demolir os cerca de cem barracos que ainda são de madeira e substituí-los por construções de alvenaria
Legenda da foto, A Associação de Moradores da Santa Marta diz que uma de suas maiores batalhas em busca de dignidade para a populacão da comunidade é obter ajuda para demolir os cerca de cem barracos que ainda são de madeira e substituí-los por construções de alvenaria
 Vanessa de Sousa Duarte, de 26 anos, simboliza uma geração do morro que viu de perto os problemas do passado, sente os avanços do presente, e agora ajuda a construir um futuro melhor. “Era muito ruim. Faltava água e luz o tempo todo, quando uma vala estourava era horrível. Ainda falta muito, tem uma série de coisas para melhorar, mas a vida aqui já mudou bastante”, explica. (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Legenda da foto, Vanessa de Sousa Duarte, de 26 anos, simboliza uma geração do morro que viu de perto os problemas do passado, sente os avanços do presente, e agora ajuda a construir um futuro melhor. “Era muito ruim. Faltava água e luz o tempo todo, quando uma vala estourava era horrível. Ainda falta muito, tem uma série de coisas para melhorar, mas a vida aqui já mudou bastante”, explica. (Foto: Jefferson Puff/BBC).
A subida revela vielas mais estreitas, muitas com esgoto a céu aberto. Cinco anos após receber a primeira UPP do Rio, a Santa Marta ainda não tem saneamento básico Já na metade do morro, a maioria das casas recebeu pintura nova e muitas das vielas estão identificadas. (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Legenda da foto, A subida revela vielas mais estreitas, muitas com esgoto a céu aberto. Cinco anos após receber a primeira UPP do Rio, a Santa Marta ainda não tem saneamento básico Já na metade do morro, a maioria das casas recebeu pintura nova e muitas das vielas estão identificadas. (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Maria Helena Barbosa, de 40 anos, é dona de uma loja de artesanato e suvenires em frente à Laje Michael Jackson, onde o cantor gravou o histórico videoclipe em 1996. Idolatrado em toda a comunidade, ele simbolizou uma nova fase por mostrar a comunidade para o mundo. Ela faz questão de mostrar o momento em que aparece no clipe. Como a maior parte dos clientes é de fora, a “caixinha de Natal” sobre o aparelho de DVD em inglês: “Merry Christmas - Tips Welcome” (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Legenda da foto, Maria Helena Barbosa, de 40 anos, é dona de uma loja de artesanato e suvenires em frente à Laje Michael Jackson, onde o cantor gravou o histórico videoclipe em 1996. Idolatrado em toda a comunidade, ele simbolizou uma nova fase por mostrar a comunidade para o mundo. Ela faz questão de mostrar o momento em que aparece no clipe. Como a maior parte dos clientes é de fora, a “caixinha de Natal” sobre o aparelho de DVD em inglês: “Merry Christmas - Tips Welcome” (Foto: Jefferson Puff/BBC).
. Assis, de 30 anos, tem um bar em frente à laje que abriga uma estátua de Michael Jackson. Para ele a clientela não mudou muito. “Os gringos vêm, batem muita foto, e vão embora. Quem fica e consome mesmo é o morador, que já fazia isso antes”, diz (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Legenda da foto, . Assis, de 30 anos, tem um bar em frente à laje que abriga uma estátua de Michael Jackson. Para ele a clientela não mudou muito. “Os gringos vêm, batem muita foto, e vão embora. Quem fica e consome mesmo é o morador, que já fazia isso antes”, diz (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Para quem vê de fora, o aumento das visitas de estrangeiros em comunidades pacificadas como a Santa Marta e o Vidigal pode ser interpretado com maus olhos. Mas para os moradores trata-se de uma fonte de renda, incluindo guias locais, intérpretes, quiosques de pastel, sucos e lanches, bares, artesãos e lojas de suvenires. Para eles, a alta temporada e os dias de sol são os melhores, quando o fluxo de turistas aumenta consideravelmente (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Legenda da foto, Para quem vê de fora, o aumento das visitas de estrangeiros em comunidades pacificadas como a Santa Marta e o Vidigal pode ser interpretado com maus olhos. Mas para os moradores trata-se de uma fonte de renda, incluindo guias locais, intérpretes, quiosques de pastel, sucos e lanches, bares, artesãos e lojas de suvenires. Para eles, a alta temporada e os dias de sol são os melhores, quando o fluxo de turistas aumenta consideravelmente (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Um grupo de turistas espanhóis divide espaço com crianças brincando. Os moradores se uniram e criaram um comitê de turismo para organizar o setor e se protegerem das agências de fora, dando preferência aos guias locais, que cobram cerca de R$ 50 por pessoa para um tour de duas horas - embora o preço possa ser negociado para grupos maiores. Ao fundo, o bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Legenda da foto, Um grupo de turistas espanhóis divide espaço com crianças brincando. Os moradores se uniram e criaram um comitê de turismo para organizar o setor e se protegerem das agências de fora, dando preferência aos guias locais, que cobram cerca de R$ 50 por pessoa para um tour de duas horas - embora o preço possa ser negociado para grupos maiores. Ao fundo, o bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio (Foto: Jefferson Puff/BBC).
No topo do morro, cerca de 50 barracos estão fora da zona de melhorias da UPP da Santa Marta, por terem sido considerados área de risco de desastres pelo governo. Metade das famílias concordou com a remoção para um de três pequenos prédios que o Estado está construindo dentro da comunidade. A outra metade protesta e questiona a decisão (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Legenda da foto, No topo do morro, cerca de 50 barracos estão fora da zona de melhorias da UPP da Santa Marta, por terem sido considerados área de risco de desastres pelo governo. Metade das famílias concordou com a remoção para um de três pequenos prédios que o Estado está construindo dentro da comunidade. A outra metade protesta e questiona a decisão (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Do alto da Santa Marta fica mais evidente o contraste entre a realidade da comunidade, após décadas de descaso do Estado e sob o comando do narcotráfico, e do “asfalto”, nos bairros da Lagoa, Ipanema e Leblon, onde um apartamento pode valer até R$ 5 milhões (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Legenda da foto, Do alto da Santa Marta fica mais evidente o contraste entre a realidade da comunidade, após décadas de descaso do Estado e sob o comando do narcotráfico, e do “asfalto”, nos bairros da Lagoa, Ipanema e Leblon, onde um apartamento pode valer até R$ 5 milhões (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Salete Martins mora há 35 anos na comunidade e há três trabalha como guia turística. No final da tarde, um grupo com dois australianos é trazido por um representante de uma agência de turismo. Ela recebe os estrangeiros em inglês, francês e espanhol, idiomas que estuda para se aperfeiçoar (Foto: Jefferson Puff/BBC).
Legenda da foto, Salete Martins mora há 35 anos na comunidade e há três trabalha como guia turística. No final da tarde, um grupo com dois australianos é trazido por um representante de uma agência de turismo. Ela recebe os estrangeiros em inglês, francês e espanhol, idiomas que estuda para se aperfeiçoar (Foto: Jefferson Puff/BBC).