A ilha com 16 habitantes que luta para não desaparecer

Crédito, Ann Johansson/Corbis via Getty Images
- Author, Ibrahim Shebab e Juliane Metzker
- Role, BBC Travel
- Tempo de leitura: 3 min
Os 16 habitantes da minúscula ilha alemã de Oland enfrentam fortes inundações com frequência.
Mas não têm intenção de sair de lá.
"Não temos mais crianças aqui, e ninguém está se mudando para cá. Éramos 52 moradores. E agora somos 16", diz o ex-prefeito Hans Bernhard.
Oland é uma das chamadas ilhas Hallig, pequenas ilhotas localizadas no Mar do Norte que se encontram a apenas alguns metros acima do nível do mar.
E, como não têm dique de proteção, podem inundar facilmente durante a maré alta.
"Uma ilha tem um dique em volta que impede as inundações do mar. Mas as ilhas Hallig são inundadas por água 1 metro acima do nível do mar. Essa é a diferença", explica Bernhard.

É o que acontece no inverno, quando as tempestades inundam Oland durante semanas.
"Isso significa que, durante as tempestades, a água inunda o terreno em que estamos agora", conta Hans Richardt, um dos moradores da ilha.
Mas a luta pela sobrevivência em Oland começou desde o início do século 20.
"Por volta de 1900, todas as ilhotas por aqui foram protegidas com muralhas de pedra destinadas a preservar a ilha e estabilizá-la. Do contrário, não estaríamos aqui agora", acrescenta.
As inundações dificultaram o uso do porto para transporte pela população local.
No entanto, a ilha é ligada ao continente por meio de uma linha férrea — e os moradores conduzem uma espécie de vagão aberto pelos trilhos por 20 minutos para chegar até lá.

"As pessoas na cidade andam de metrô e de trem. Aqui, nós dirigimos esses vagões."
"Em 1923, a via férrea foi construída. Mas não era destinada aos nossos vagões. Fui então a Husum, iniciei uma negociação com o governo federal e consegui a autorização para usar a via férrea para os moradores", explica Bernhard.
Bettina Freers, uma das moradoras, lembra quando se deparou pela primeira vez com o inusitado meio de transporte.
"Pensei: 'É nessa sucata que eu devo entrar?'. Achei muito interessante. Não tinha teto. Sentamos com a bagagem e cruzamos a água. No horizonte, vi essa ilhota. Foi como pousar em outro mundo", descreve.

Ela conta que encontrou paz em Oland.
"A maior diferença é que eu vim de uma cidade grande, Hanover. E, de repente, foi como se tivessem desligado o interruptor. Tudo que vem até você todos os dias, todos os estímulos e ruídos, tinham sido desligados."
"Cheguei aqui e ouvi o canto dos pássaros. Escutei o som do vento entre as árvores. Depois vi o mar, e senti calma."
Mas será que a população não tem medo das inundações?
"Medo, literalmente? Não. Não acho que seja a palavra certa. Respeito, definitivamente, bastante. Inquietação, talvez, quando o nível da água está muito alto. Pode ser perigoso", diz Richardt.

"Mas mesmo assim, nós não temos medo. A gente só começa a pensar: 'O que vamos fazer agora?'"
Freers também não se intimida e deseja vida longa à ilha.
"Espero que sempre haja pessoas aqui com energia, que apreciem este lugar e que possam sentir uma conexão mais profunda com esta ilhota."
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Travel.

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