BBC 100 Mulheres 2024: Quem está na lista deste ano?

Fotos de algumas das 100 mulheres participantes da temporada 2024 do Serviço Mundial da BBC.

A BBC divulgou sua lista de 100 mulheres inspiradoras e influentes ao redor do mundo em 2024.

Entre elas, estão a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Nadia Murad, a sobrevivente de estupro e ativista Gisèle Pelicot, a atriz Sharon Stone, as atletas olímpicas Rebeca Andrade e Allyson Felix, a cantora Raye, a artista visual Tracey Emin, a ativista climática Adenike Oladosu e a escritora Cristina Rivera Garza.

Desde enfrentar conflitos mortais e crises humanitárias em Gaza, no Líbano, na Ucrânia e no Sudão, até testemunhar a polarização nas sociedades após um número recorde de eleições ao redor do mundo, as mulheres tiveram que reunir forças e encontrar novos níveis de resiliência.

O BBC 100 Women reconhece o impacto que este ano teve sobre as mulheres, celebrando aquelas que — por meio de sua resiliência — estão pressionando por mudanças, à medida que o mundo muda ao seu redor. A lista também continua comprometida a analisar o impacto da emergência climática, destacando as pioneiras do clima que trabalham para ajudar suas comunidades a enfrentar o impacto das mudanças climáticas e se adaptar.

Os nomes não estão listados em uma ordem específica.

Cultura e Educação

Plestia Alaqad

Plestia Alaqad, Territórios Palestinos

Jornalista e poeta

Plestia Alaqad, de 22 anos, havia acabado de se formar na universidade quando a guerra em Gaza começou. Nos primeiros dias da guerra, ela publicou um vídeo de si mesma em seu apartamento durante os intensos ataques aéreos israelenses.

O vídeo viralizou, e ela acumulou quatro milhões de seguidores no Instagram, postando atualizações sobre Gaza, poemas e registros de diário. Seu livro de memórias baseado nestes relatos, Eyes of Gaza ("Olhos de Gaza", em tradução livre), vai ser publicado em breve.

Alaqad ganhou o prêmio de jornalista do ano de 2024 da One Young World. Ela também defendeu os palestinos em fóruns como a Cúpula Mundial de Governos.

Alaqad deixou Gaza em novembro de 2023. Ela ganhou uma bolsa para fazer um mestrado em estudos de comunicação social em Beirute.

Hamida Aman

Hamida Aman, Afeganistão

Empresária de mídia e educação

Quando o Talebã negou às meninas afegãs o acesso ao ensino médio, a empresária de mídia Hamida Aman decidiu lançar a Begum Academy, um espaço online que oferecia cursos multimídia gratuitos para estudantes que não podiam frequentar a escola.

No ano passado, a plataforma educacional disponibilizou mais de 8,5 mil vídeos nos idiomas dari e pachto, abrangendo os programas de ensino das respectivas séries.

Em março, Aman lançou a Begum TV, um canal educacional que transmite os cursos da Begum Academy via satélite.

Ela também é autora do projeto Radio Begum, uma estação feita por mulheres, para mulheres, que foi criada após a tomada do poder pelo Talebã em 2021.

Svetlana Anokhina

Svetlana Anokhina, Rússia

Ativista de direitos humanos

Svetlana Anokhina passou anos ajudando vítimas de violência doméstica a fugir do norte do Cáucaso na Rússia, uma região de maioria muçulmana que abrange o Leste Europeu e a Ásia.

Junto a outros voluntários, ela fundou o projeto Marem em 2020. A iniciativa ajuda mulheres em situação de risco do Daguestão, da Chechênia e de outras repúblicas do norte do Cáucaso a organizar retiradas e encontrar acomodações temporárias, além de fornecer a elas apoio jurídico e psicológico.

A própria Anokhina decidiu deixar a Rússia em 2021, depois que as forças de segurança da Chechênia e do Daguestão invadiram seu abrigo para mulheres.

Em 2023, as autoridades abriram uma investigação criminal contra ela sob a acusação de desacreditar as Forças Armadas russas.

Christina Assi

Christina Assi, Líbano

Fotojornalista

A fotojornalista Christina Assi cresceu no Líbano nos anos 1990 — uma época de constante instabilidade após a guerra civil —, e isso alimentou seu desejo de documentar conflitos e cobrir as histórias não contadas de guerra.

Sua vida sofreu uma reviravolta trágica em outubro de 2023, quando ela foi gravemente ferida em um ataque israelense no sul do Líbano

A explosão matou o jornalista Issam Abdallah, e feriu outros cinco colegas dela. Assi teria uma perna amputada mais tarde.

A experiência a levou a defender a segurança dos jornalistas — e ela dedicou sua participação no revezamento da tocha olímpica de 2024, em Paris, a todos os jornalistas que morreram no cumprimento do dever.

Eugenia Bonetti

Eugenia Bonetti, Itália

Freira

A irmã Eugenia Bonetti ajudou a administrar mais de 100 abrigos e a estabelecer uma rede de freiras na África para apoiar mulheres migrantes vítimas de exploração e tráfico humano.

Ela passou muitas noites ajudando mulheres que haviam sido forçadas a se prostituir em Roma — e se tornou presidente da Slaves No More, uma organização que promove a conscientização sobre o tráfico humano.

Bonetti foi missionária no Quênia durante mais de 24 anos, e ajudou a capacitar autoridades em vários países para desenvolver iniciativas de combate ao tráfico.

Antes de se aposentar, ela foi convidada pelo Papa Francisco a escrever os textos da Via Sacra de 2019, uma devoção anual importante para os católicos que marca a Sexta-feira Santa no Coliseu.

Shin Daewe

Shin Daewe, Mianmar

Cineasta

A premiada documentarista Shin Daewe foi presa quando encontraram um drone em sua bagagem.

Ela foi levada a julgamento neste ano em Mianmar, país governado por militares, acusada de violar leis antiterrorismo. Em um julgamento a portas fechadas, ela teve representação legal negada, e foi condenada à prisão perpétua.

A cineasta se opõe ao regime militar desde 1988 — e a detenção não é novidade para ela.

Ela dirigiu uma dúzia de documentários curtos, muitos dos quais atraíram atenção internacional, incluindo um filme sobre os protestos de 2007 a favor da democracia, quando milhares de monges budistas se juntaram às manifestações contra a junta militar.

Tracey Emin

Tracey Emin, Reino Unido

Artista

Na década de 1990, Tracey Emin ganhou destaque com obras provocantes, como My Bed e The Tent, que convidam as pessoas a refletir sobre suas experiências sexuais.

Desde então, ela se tornou um nome inconfundível no mundo da arte, celebrada por seu estilo confessional e autobiográfico.

Já se passaram 25 anos desde que a instalação My Bed foi exibida pela primeira vez em Londres, gerando muito debate na mídia. Outrora retratada como a enfant terrible da arte britânica, Emin foi homenageada este ano pelo Rei Charles com o título de dama por suas contribuições às artes visuais.

A artista criou a Fundação Tracey Emin em Margate, no Reino Unido, para fomentar novos talentos.

Como mulher neste momento, acho que precisamos de toda a resiliência que pudermos ter... Acho que agora é um momento em que precisa haver uma maior união e uma maior luta pelas mulheres.

Tracey Emin

Cristina Rivera Garza

Cristina Rivera Garza, México/EUA

Escritora

A prolífica autora Cristina Rivera Garza foi reconhecida com muitos prêmios ao longo dos anos, incluindo o Prêmio Pulitzer de 2024 na categoria memórias por seu livro O invencível verão de Liliana, que lança luz sobre a questão do feminicídio.

Por meio da história de sua irmã Liliana — assassinada no México nos anos 1990 por um ex-namorado que fugiu e nunca foi levado a julgamento —, a escritora confronta o trauma de perder um ente querido e embarca em uma busca por justiça em um país com uma das taxas de feminicídio mais altas do mundo.

Rivera Garza também é fundadora e presidente do programa de doutorado em escrita criativa em espanhol da Universidade de Houston (EUA).

Mexer com a linguagem de forma contínua e minuciosa para que ela possa finalmente transmitir o lado das mulheres na história pode muito bem estabelecer a base para qualquer tipo de resiliência.

Cristina Rivera Garza

Linda Dröfn Gunnarsdóttir

Linda Dröfn Gunnarsdóttir, Islândia

Gerente de abrigo para mulheres

No Abrigo para Mulheres Islandesas, Linda Dröfn Gunnarsdóttir ajuda aquelas que são forçadas a deixar suas casas devido à violência doméstica.

A Islândia é um país que frequentemente lidera os rankings como o "melhor lugar para ser mulher", mas onde os índices de violência de gênero permanecem altos.

Como gerente geral do centro, ela lidera o projeto de abertura de um novo espaço que seria o primeiro abrigo para mulheres construído especificamente para este fim na Islândia.

Dröfn Gunnarsdóttir diz que, há 20 anos, 64% das mulheres que ficavam no abrigo acabavam voltando para seus agressores, mas este percentual agora caiu para 11% graças à melhoria na oferta de apoio e serviços.

Maheder Haileselassie

Maheder Haileselassie, Etiópia

Fotógrafa

Trabalhando em meio a uma paisagem de rios secos e plantações dizimadas, a fotógrafa etíope Maheder Haileselassie documenta como a seca severa levou famílias em seu país a entregar suas filhas ao casamento infantil, um tema que rendeu a ela o Prêmio de Fotografia Africana Contemporânea de 2023.

As organizações de direitos humanos preveem que o número de meninas em risco de casamento infantil, como resultado da crise climática, vai aumentar globalmente em um terço até 2050.

As fotografias de Haileselassie são baseadas nas histórias e nas experiências das pessoas com as quais ela se relaciona todos os dias, assim como em suas próprias.

Seu trabalho foi exibido em vários locais de prestígio, incluindo a Bienal Africana de Fotografia deste ano.

Harbia Al Himiary

Harbia Al Himiary, Iêmen

Engenheira de conservação de patrimônio

Diante de tantos edifícios de importância histórica danificados após anos de guerra no Iêmen, a engenheira Harbia Al Himiary embarcou em uma missão para dar vida nova a eles.

Em parceria com outras organizações, como a Unesco, ela restaurou dezenas de edifícios residenciais e históricos na parte antiga de Sana'a e em todo o país. A Unesco vistoriou os danos em mais de 16 mil locais.

Seu trabalho na área de conservação do patrimônio não apenas preservou locais históricos, como também melhorou a qualidade de vida de muitas pessoas.

Al Himiary também capacitou moradores locais em ofícios tradicionais da construção e inspirou mulheres jovens a entrar no setor.

Anat Hoffman

Anat Hoffman, Israel

Ativista religiosa

Anat Hoffman passou décadas fazendo campanha pela igualdade de gênero e pelo pluralismo religioso dentro do judaísmo.

Ela é membro fundadora do grupo Mulheres do Muro, que busca direitos iguais de oração para as mulheres judias no Muro das Lamentações, em Jerusalém. Ao longo dos anos, ela tem lutado contra as regras que impedem as mulheres de usar xales de oração e recitar a Torá coletivamente.

Hoffman também atuou por 20 anos como diretora executiva do Centro de Ação Religiosa de Israel, o braço jurídico e de defesa de direitos do Movimento Reforma que trabalha para promover a igualdade e a justiça social.

Antes disso, ela ocupou uma cadeira na Câmara Municipal de Jerusalém, onde desafiou as políticas ultraortodoxas.

Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta, Portugal

Poeta

A escritora e jornalista Maria Teresa Horta é uma das feministas mais proeminentes de Portugal e autora de muitos livros premiados, mas talvez seja mais conhecida como coautora da obra internacionalmente aclamada Novas Cartas Portuguesas.

A coleção de ficção, poesia e erotismo foi rapidamente proibida em 1972 pelo governo autoritário de Portugal, e Horta e suas colegas coautoras foram julgadas por obscenidade e "abuso da liberdade de imprensa".

O caso das Três Marias, como ficaram conhecidas, ganhou destaque nos jornais e inspirou protestos no mundo todo.

O julgamento delas terminou depois que a Revolução dos Cravos de 1974 derrubou o regime — e este ano marca o 50º aniversário deste momento histórico.

Johana Bahamón

Johana Bahamón, Colômbia

Ativista social

Uma visita a uma prisão colombiana transformou a vida da atriz Johana Bahamón, inspirando-a a trabalhar para aqueles que precisavam de uma "segunda chance".

Em 2012, ela trocou a carreira de atriz pela defesa da reforma do sistema prisional e fundou a Fundación Acción Interna, uma organização sem fins lucrativos que apoia a população carcerária da Colômbia e aqueles que foram libertados.

A fundação teria alcançado mais de 150 mil pessoas e 132 centros de detenção em todo o país.

A ativista social também foi a promotora da Lei da Segunda Chance de 2022, conhecida como projeto de lei Johana Bahamón, que estabeleceu incentivos econômicos para reforçar o acesso ao mercado de trabalho e a capacitação de pessoas que saem da prisão.

Ser resiliente vai além de se levantar e seguir em frente após uma dificuldade; é tomar a decisão de transformar isso em uma oportunidade para crescimento pessoal.

Johana Bahamón

Sharon Kleinbaum

Sharon Kleinbaum, EUA

Rabina

Pioneira na comunidade judaica de Nova York, a rabina Sharon Kleinbaum passou três décadas inspirando mudanças na convergência entre os direitos LGBTQ+ e a religião.

Nomeada em 1992 como a primeira rabina da Congregação Beit Simchat Torá da cidade, ela liderou a comunidade em meio a altos e baixos, incluindo a crise da Aids na década de 1990.

Ela supervisionou a expansão do número de membros da congregação para incluir pessoas trans e não binárias, e acredita-se que agora seja a maior sinagoga receptiva à comunidade LGBTQ+ nos EUA.

Kleinbaum, que se aposentou neste ano, tem sido uma grande força por trás de projetos de justiça social no país, e foi nomeada para a Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA pelo presidente americano, Joe Biden.

A alegria é um ato de resistência espiritual e política.

Sharon Kleinbaum

Lesley Lokko

Lesley Lokko, Gana/Reino Unido

Arquiteta

Seu trabalho "para democratizar a arquitetura" rendeu a Lesley Lokko a medalha de ouro do Instituto Real de Arquitetos Britânicos de 2024 — uma das maiores honrarias do mundo na área —, tornando-se a primeira mulher negra a receber o prêmio desde a fundação do instituto, em 1848.

Ao longo das últimas duas décadas, ela defendeu a entrada de pessoas de origens sub-representadas no setor.

A acadêmica ganense-escocesa também se tornou a primeira mulher de ascendência africana a ser curadora da Bienal de Arquitetura de Veneza, onde se concentrou nos temas da descarbonização e descolonização.

Ela é a fundadora do Instituto de Futuros Africanos em Acra, que explora a relação entre arquitetura, identidade e raça.

Resiliência é a capacidade de manter o rumo a longo prazo — mesmo diante da indiferença, que geralmente é mais difícil de suportar do que a oposição.

Lesley Lokko

Olivia McVeigh

Olivia McVeigh, Reino Unido

Maquiadora

Após ser diagnosticada com alopecia, Olivia McVeigh começou a explorar o mundo das perucas. Experimentando novos estilos e cabelos alternativos, ela criou uma plataforma online para incentivar e empoderar mulheres que enfrentam a perda de cabelo.

Com quase meio milhão de seguidores, ela normaliza o uso de perucas, além de aumentar a conscientização sobre a alopecia e a saúde das mulheres.

McVeigh, que é maquiadora e influenciadora na Irlanda do Norte, começou a perder cabelo na adolescência.

Atualmente, ela realiza workshops sobre perucas e compartilha sua jornada para reencontrar a confiança, criando um espaço seguro para que mulheres com alopecia se juntem e normalizem a conversa sobre a condição.

Resiliência é a coroa que nós, mulheres, usamos. Somos sempre capazes de nos adaptar, transformar e aprender a prosperar em nosso ambiente, independentemente das circunstâncias.

Olivia McVeigh

Su Min

Su Min, China

Viajante solo e influenciadora

Aos 50 anos e fugindo de um casamento abusivo, Su Min colocou o pé na estrada e partiu em uma viagem sozinha pela China, apenas com seu carro, uma barraca e sua aposentadoria.

Ela já visitou mais de 100 cidades em mais de 20 províncias desde que começou a dirigir em 2020.

Su Min documenta toda a sua jornada — e sua história provocou discussões acaloradas nas redes sociais, ao inspirar outras mulheres de meia-idade, muitas vezes chamadas de "tias" na sociedade, a ousarem ir contra o status quo.

Ela agora tem seis milhões de seguidores em suas plataformas de rede social, e sua vida foi transformada em um filme, Like a Rolling Stone, lançado neste ano.

Yasmeen Mjalli

Yasmeen Mjalli, Territórios Palestinos

Designer

As criações da designer de moda Yasmeen Mjalli são inspiradas na vida e nas tradições palestinas.

Depois de crescer no sul dos Estados Unidos, ela se mudou para Ramallah, na Cisjordânia, onde lançou sua marca Nöl Collective em 2020.

Sua marca trabalha com oficinas de costura familiares, mercados de especiarias locais que fornecem corantes naturais e cooperativas de mulheres para produzir roupas coletivamente. Os alfaiates, tecelões, bordadores e entalhadores usam técnicas tradicionais, homenageando a arte palestina de criar tecidos.

Mjalli usa suas peças de roupa para contar histórias sobre os palestinos. Ela também aborda o assédio sofrido pelas mulheres nas ruas do mundo todo, pintando a frase "not your habibti" ("Não sou sua querida", em tradução livre) em jaquetas jeans e camisetas.

Hinda Abdi Mohamoud

Hinda Abdi Mohamoud, Somália

Jornalista

Escritora aguçada desde pequena, Hinda Abdi Mohamoud mantinha um diário com histórias sobre pessoas que fugiam da violência na cidade de Jigjiga para Hargeisa.

Agora ela é editora-chefe da Bilan, a primeira e única equipe de mídia do país composta apenas por mulheres.

A equipe foi formada para combater as altas taxas de sexismo e assédio que as mulheres somalis enfrentam no ambiente de trabalho — desafios reconhecidos em um relatório recente da Organização das Nações Unidas (ONU).

A Bilan tem como objetivo chamar a atenção para as questões sociais em um dos países mais perigosos do mundo para os jornalistas, cobrindo histórias como a de somalis que vivem escondidos com HIV, vírus causador da Aids, órfãos que sofrem abusos e albinos rejeitados pela sua comunidade.

Helen Molyneux

Helen Molyneux, Reino Unido

Cofundadora da Monumental Welsh Women

Antes de 2021, não havia estátuas dedicadas a homenagear mulheres galesas no País de Gales.

Em resposta, a advogada Helen Molyneux cofundou a Monumental Welsh Women, uma organização sem fins lucrativos que visa melhorar a representação pública das mulheres galesas e celebrar suas contribuições e conquistas.

Com base em sugestões do público, Molyneux e sua equipe planejaram erguer um total de cinco estátuas de mulheres, para garantir que suas histórias não sejam esquecidas.

Até o momento, o grupo já inaugurou quatro — começando pela estátua da primeira diretora de escola negra do País de Gales, Betty Campbell, em Cardiff, seguida de Elaine Morgan, em Mountain Ash, Cranogwen, em Llangrannog, e Lady Rhondda, em Newport.

Shahrnush Parsipur

Shahrnush Parsipur, Irã/EUA

Escritora e tradutora

Uma das romancistas mais proeminentes do Irã, Shahrnush Parsipur abordou questões tabus em suas obras, como a opressão sexual feminina e a rebelião em uma sociedade patriarcal.

Ela começou sua carreira como escritora de ficção e produtora na Rádio e Televisão Nacional do Irã, mas pediu demissão em protesto contra a execução de dois poetas ativistas antes da revolução de 1979. Isso resultou em sua primeira prisão.

Desde a revolução, sua obra tem sido amplamente proibida no Irã, e Parsipur foi presa novamente por se referir abertamente a questões relacionadas à virgindade em seu romance Mulheres sem homens. Posteriormente, este livro foi adaptado para o cinema fora do Irã.

Parsipur compartilhou sua experiência de encarceramento em sua escrita — e vive exilada nos EUA desde 1994.

Idania del Río

Idania del Río, Cuba

Empresária de moda

A Clandestina é a primeira marca independente de Cuba a vender suas roupas online para o mercado internacional — ela foi cofundada pela designer gráfica Idania Del Río.

A empresa nasceu quando o presidente cubano, Raúl Castro, flexibilizou as regulamentações para negócios e comércios independentes.

Fabricados por uma equipe majoritariamente feminina de designers baseadas em Havana, os produtos celebram a cultura cubana e têm como objetivo incentivar o apreço pela criatividade da ilha. Del Río incorpora o upcycling (método que transforma resíduos em novos materiais) na cadeia produtiva da empresa e aposta em práticas sustentáveis.

Formada pelo Instituto de Design de Havana (ISDI), ela desenhou cartazes para galerias, teatros e festivais antes de abrir seu negócio de moda.

Pooja Sharma

Pooja Sharma, Índia

Agente de ritos funerários

Nos últimos três anos, Pooja Sharma tem realizado rituais fúnebres de corpos não reivindicados por ninguém em Déli.

Sua motivação vem de uma experiência pessoal. Ela realizou os ritos finais do irmão depois que ele foi assassinado, e ninguém apareceu para ajudar em seu funeral.

Sharma enfrentou resistência por parte dos sacerdotes e da sua comunidade em geral, uma vez que este papel é tradicionalmente desempenhado por homens na religião hindu.

Apesar da reação negativa, ela realizou rituais fúnebres para mais de 4 mil pessoas de diferentes crenças e religiões, compartilhando seu trabalho nas redes sociais e defendendo a causa de dar a todos a dignidade que merecem na hora da morte.

Margarita Barrientos

Margarita Barrientos, Argentina

Fundadora de refeitório comunitário

Ela abriu inicialmente um refeitório comunitário para apenas 15 pessoas, e agora alimenta mais de 5 mil por dia. Margarita Barrientos é conhecida por sua dedicação ao combate à fome na Argentina, onde 53% dos 46 milhões de habitantes vivem atualmente na pobreza.

Nascida em uma das regiões mais pobres do país, Barrientos enfrentou adversidades desde muito jovem. Ela fundou seu refeitório comunitário, chamado Los Piletones, em 1996, transformando-o em uma fundação que agora oferece creche, centro de saúde, oficina de costura e biblioteca.

O serviço que ela presta à comunidade recebeu o apoio de muitas empresas e celebridades — o jogador de futebol Lionel Messi recentemente deu a ela uma camisa autografada para ser leiloada.

Roxy Murray

Roxy Murray, Reino Unido

Defensora dos direitos das pessoas com deficiência

Falando abertamente sobre suas experiências como uma pessoa pansexual que vive com esclerose múltipla, Roxy Murray usa sua plataforma para empoderar pessoas com doenças crônicas e desafiar a exclusão nas áreas médica, beneficente e corporativa.

O ativismo de Murray usa sua experiência com moda, ajudando as pessoas a fazerem a transição para dispositivos de assistência à locomoção com estilo — e promovendo a visibilidade de pessoas com deficiência de minorias e grupos etnicamente diversos.

Ela é fundadora do podcast The Sick and Sickening, que compartilha histórias sem filtro sobre como é viver com deficiências e doenças, desde o controle da dor até a saúde sexual, passando pela visão positiva do corpo e do sexo.

Como mulher queer, parda e com deficiência, resiliência é algo profundamente pessoal e coletivo. Trata-se da força para desafiar sistemas que marginalizaram pessoas como eu.

Roxy Murray

Xuân Phượng

Xuân Phượng, Vietnã

Diretora de filmes, autora e dona de galeria

Prestes a completar 95 anos, a escritora e diretora Xuân Phượng levou uma vida bastante intensa.

Ela vivenciou duas guerras no Vietnã, e lutou pela independência do país da França quando tinha 16 anos.

Formada em Medicina, foi diretora de uma clínica, correspondente de guerra e diretora de filmes da Vietnam Television, testemunhando momentos históricos como a queda de Saigon.

Aos 62 anos, em vez de se aposentar, ela abriu a Lotus Gallery, uma das primeiras galerias privadas da cidade de Ho Chi Minh, com o objetivo de levar a arte vietnamita para o mundo. Ela passou a fomentar os artistas locais para alcançarem a fama.

Zhanylsynzat Turganbaeva

Zhanylsynzat Turganbaeva, Quirguistão

Gerente de museu

Preservar e revitalizar o patrimônio cultural do Quirguistão é uma prioridade para Zhanylsynzat Turganbaeva.

Ela administra um museu etnológico em Bishkek, que apresenta artefatos nacionais únicos e atrai um grande número de visitantes.

Parte de seu trabalho filantrópico envolve a preservação da literatura quirguiz, incluindo o Épico de Manas, que conta a história de um guerreiro que teria unido as 40 tribos da região do Quirguistão.

Uma versão monumental deste poema listado pela Unesco consiste em cerca de 500 mil versos — é considerado o épico mais longo do mundo (vinte vezes maior que Odisseia, de Homero). O trabalho de Turganbaeva gera oportunidades e recursos para manaschis, artistas que recitam este clássico do Quirguistão.

Dilorom Yuldosheva

Dilorom Yuldosheva, Uzbequistão

Costureira e empresária

Há dois anos, Dilorom Yuldosheva perdeu as duas pernas em um acidente de colheita. Mas isso não a impediu de sonhar alto.

Ela queria aprender novas habilidades e, ao mesmo tempo, ajudar mulheres jovens uzbeques a ganhar a vida, por isso decidiu abrir seu próprio negócio de costura.

Yuldosheva aprendeu os conceitos básicos de empreendedorismo e gerenciamento de recursos — e começou a treinar mais de 40 aprendizes. Em poucos meses, sua empresa cresceu significativamente, realizando oficinas gratuitas e fechando contratos para produção de uniformes para trabalhadores e crianças em idade escolar.

Desde então, seu negócio se tornou uma fonte de renda para ela e dezenas de outras mulheres.

Entretenimento e Esporte

Rebeca Andrade

Rebeca Andrade, Brasil

Ginasta

A coleção de seis medalhas da ginasta Rebeca Andrade faz dela a maior medalhista da história olímpica brasileira (ela também tem nove títulos mundiais).

Nos Jogos de Paris 2024, ela ganhou o ouro no solo, superando a ginasta mais condecorada do mundo, a americana Simone Biles. Durante a cerimônia de entrega de medalhas, Biles e a ginasta Jordan Chiles, também americana, reverenciaram a brasileira no pódio, um gesto que viralizou e virou emblema das Olimpíadas deste ano.

Filha de mãe solo, Rebeca tem sete irmãos. Até os 10 anos, ela ia a pé da sua comunidade nos arredores de São Paulo para as sessões de treino, enquanto sua mãe fazia faxina para pagar por seu treinamento.

Sua ascensão a fez superar muitas lesões graves — e ela falou abertamente sobre priorizar a saúde mental.

Ser resiliente está relacionado à forma como lidamos com as coisas que acontecem com a gente, e a ajudar minhas colegas de equipe a ver o lado bom mesmo quando as coisas estão muito ruins.

Rebeca Andrade

Allyson Felix

Allyson Felix, EUA

Atleta de atletismo

Com um recorde de 20 medalhas em campeonatos mundiais e 11 medalhas olímpicas, Allyson Felix é a atleta de atletismo mais condecorada da história.

Depois de sofrer pré-eclâmpsia e dar à luz sua filha prematuramente, ela se tornou uma defensora ferrenha do direito à saúde materna. Agora, ela recebeu uma doação de US$ 20 milhões de Melinda French Gates para promover a saúde materna para mulheres negras nos EUA.

A atleta aposentada foi fundamental na inauguração da primeira creche da Vila Olímpica, nos Jogos de Paris 2024.

Também neste ano, ela foi eleita para integrar a Comissão de Atletas do Comitê Olímpico Internacional e lançou sua própria empresa de gestão esportiva voltada exclusivamente para modalidades de mulheres.

A resiliência consiste em encontrar a força e a beleza para enfrentar situações difíceis de frente e usar cada contratempo como combustível para continuar avançando.

Allyson Felix

Zakia Khudadadi

Zakia Khudadadi, Afeganistão

Atleta paralímpica de taekwondo

Primeira integrante da Equipe Paralímpica de Refugiados a ganhar uma medalha, Zakia Khudadadi fez história nos Jogos Paris 2024.

A atleta, que nasceu sem um antebraço, começou a praticar taekwondo em segredo aos 11 anos em uma academia escondida em sua cidade natal, Herat, no oeste do Afeganistão.

Inicialmente, foi negada a ela a oportunidade de competir em sua primeira Paralimpíada em Tóquio, após o retorno do Talebã ao poder em 2021.

Mas com a intervenção do Comitê Paralímpico Internacional e o apoio da França, ela foi retirada em segurança do Afeganistão e se tornou a primeira atleta afegã a participar de um evento esportivo internacional após a retomada do Talebã.

Minha jornada até a medalha olímpica fala do poder de resiliência das mulheres afegãs, das mulheres refugiadas, de todas as mulheres. Por não desistirmos, continuamos a mostrar que não há nada que uma mulher não possa fazer.

Zakia Khudadadi

Hadiqa Kiani

Hadiqa Kiani, Paquistão

Cantora e compositora

Um dos ícones musicais mais célebres do Paquistão, Hadiqa Kiani é conhecida por sua voz versátil e por suas contribuições a causas humanitárias.

Ao alcançar a fama na década de 1990, ela se tornou uma potência na cena da música pop feminina do Sul da Ásia, além de embaixadora da boa vontade do Programa da ONU para o Desenvolvimento.

Em resposta às enchentes devastadoras de 2022 no Paquistão, Kiani lançou seu projeto Vaseela-e-Raah, dedicado a ajudar as vítimas nas regiões do Baluchistão e do Sul do Punjab.

Ela pediu ao público que ajudasse as famílias desalojadas e, no ano passado, o projeto anunciou que havia construído 370 casas e outras instalações nas áreas afetadas.

Firda Marsya Kurnia

Firda Marsya Kurnia, Indonésia

Vocalista e guitarrista de banda de heavy metal

Desafiar as normas religiosas e de gênero é algo que Firda Marsya Kurnia faz com desenvoltura, na qualidade de principal vocalista e guitarrista da banda de heavy metal Voice of Baceprot, formada exclusivamente por mulheres que usam hijab (véu islâmico).

Cantadas em inglês e sundanês, uma das línguas mais faladas na Indonésia, as letras do trio expressam suas frustrações com o patriarcado.

Houve resistência por parte dos muçulmanos mais conservadores, que não responderam bem quando elas se aventuraram no heavy metal.

Mas a banda percorreu um longo caminho desde que começou, há 10 anos, na escola da vila onde moravam em Garut, Java Ocidental. Neste ano, elas se apresentaram em Glastonbury, a primeira banda indonésia a tocar nos 54 anos de história do festival de música britânico.

Joan Chelimo Melly

Joan Chelimo Melly, Quênia/Romênia

Corredora de longa distância

Celebrada por suas conquistas em corridas de longa distância, a atleta olímpica romena Joan Chelimo, nascida no Quênia, ganhou a prata na meia maratona do Campeonato Europeu deste ano.

Além do esporte, ela é uma sobrevivente da violência de gênero e procura usar sua experiência pessoal para destacar as ameaças que as atletas enfrentam com frequência.

Ela é cofundadora da Tirop's Angels, uma organização de atletas quenianas criada após o assassinato da recordista mundial Agnes Tirop, em 2021, que defende o combate à violência de gênero por meio de uma ampla variedade de atividades.

Neste ano, o assassinato da maratonista olímpica Rebecca Cheptegei pelo ex-namorado reacendeu os apelos pelo combate ao feminicídio no Quênia.

Acredito que a verdadeira mudança começa quando decidimos que a nossa dor não é o fim da nossa história, mas o início de algo maior.

Joan Chelimo Melly

Inna Modja

Inna Modja, Mali

Artista e ativista climática

A ativista de justiça climática, musicista e cineasta Inna Modja é uma mulher que assume muitos desafios — desde fazer campanha contra a mutilação genital feminina até defender a sustentabilidade.

Ela produziu e estrelou A Grande Muralha Verde, documentário que destaca os ambiciosos esforços da África para controlar a expansão do deserto e restaurar áreas degradadas no Sahel, uma área logo ao sul do deserto do Saara que se estende de leste a oeste por 12 países.

Como embaixadora da boa vontade da Convenção da ONU para Combate à Desertificação, Modja amplifica as vozes das comunidades afetadas pelas mudanças climáticas.

Ela também é cofundadora da Code Green, uma organização sem fins lucrativos que combina tecnologia inovadora e games para inspirar ações positivas.

A resiliência consiste em promover a capacidade das mulheres e meninas de liderar soluções transformadoras.

Inna Modja

Gaby Moreno

Gaby Moreno, Guatemala

Cantora e compositora

Cantora e compositora aclamada na cena da música latina, a guatemalteca Gaby Moreno estourou no mainstream ao ganhar o Grammy de Melhor Álbum de Pop Latino em 2024.

Composta em dois idiomas e com influências de gêneros como americana, soul e folk latino, sua música e sua voz emotiva refletem sua rica herança cultural.

Moreno também é a primeira guatemalteca a se tornar embaixadora da boa vontade do Unicef, defendendo os direitos das crianças.

Recentemente, ela lançou uma campanha para aumentar o acesso a materiais didáticos de qualidade, em um país onde se estima que 2,7 milhões de meninos e meninas estejam fora do sistema de ensino.

Noella Wiyaala Nwadei

Noella Wiyaala Nwadei, Gana

Cantora e compositora afro-pop

A cantora e compositora Noella Wiyaala Nwadei é conhecida popularmente por seu nome artístico Wiyaala, que significa "a fazedora" em sua língua sissala.

Reconhecida por seu senso de moda e estilo único, a artista cria seus vestidos e acessórios de palco para mostrar as tradições de sua região natal, no norte de Gana.

Muitas de suas letras lançam luz sobre a exploração das mulheres africanas. Wiyaala trabalhou em parceria com as agências da ONU e com as autoridades de Gana para combater o casamento infantil.

Ela também construiu um centro de artes, uma estação de rádio comunitária e um restaurante para promover o emprego e a criatividade em sua cidade natal, Funsi.

Tracy Otto

Tracy Otto, EUA

Atleta paralímpica de tiro com arco

Atacada em casa pelo ex-namorado em 2019, Tracy Otto ficou paralisada do peito para baixo e perdeu o olho esquerdo. Antes uma aspirante a modelo fitness, ela estava determinada a voltar a ser ativa.

Em março de 2021, Otto começou a praticar um esporte que nunca havia experimentado antes: tiro com arco. Ela acertou o alvo com a primeira flecha que disparou — e ficou fascinada.

Neste ano, Otto competiu nos Jogos de Paris 2024, em sua primeira participação Paralímpica. Devido à sua deficiência, ela usa a boca para lançar as flechas.

Quase cinco anos depois, Otto também usa sua experiência para defender sobreviventes da violência doméstica.

Vinesh Phogat

Vinesh Phogat, Índia

Lutadora

Com três participações olímpicas, Vinesh Phogat é uma das lutadoras mais condecoradas da Índia, e uma crítica veemente das atitudes sexistas em relação às mulheres nos esportes. Ela ganhou medalhas no Campeonato Mundial, nos Jogos da Commonwealth e nos Jogos Asiáticos.

Neste ano, Phogat se tornou a primeira lutadora indiana a chegar a uma final olímpica, mas foi desclassificada depois que não passou na pesagem. Na sequência, ela se aposentou do esporte e entrou para a política.

Falando abertamente sobre estereótipos de gênero, Phogat foi o rosto de um protesto de meses das lutadoras indianas contra o chefe da federação de wrestling, Brij Bhushan Singh, que foi acusado de assediar sexualmente atletas mulheres — acusação que ele negou.

O protesto ganhou destaque no noticiário quando a polícia deteve Phogat e outras pessoas durante uma manifestação.

A capacidade de se recompor depois de um dia ruim no trabalho e de se acolher é o que significa ser resiliente.

Vinesh Phogat

Raye

Raye, Reino Unido

Cantora

A cantora e compositora Raye fez história no Brit Awards deste ano, ganhando seis dos sete prêmios para os quais foi indicada —, e tornando-se a primeira mulher a ganhar o prêmio de compositora do ano.

Em 2021, Raye compartilhou nas redes sociais que havia travado uma batalha de sete anos com sua gravadora Polydor para lançar seu próprio álbum.

Em 2023, ela lançou seu primeiro álbum de estúdio, My 21st Century Blues, como artista independente — um sucesso comercial e de crítica.

Ela falou abertamente sobre as dificuldades que enfrentou tanto no setor musical quanto fora dele, incluindo agressão sexual, uso abusivo de drogas e dismorfia corporal, e pediu uma remuneração mais justa para os compositores.

Hend Sabry

Hend Sabry, Tunísia

Atriz

A atriz Hend Sabry é uma das mulheres mais famosas do cinema árabe. Seu papel de destaque no filme feminista Os Silêncios do Palácio (1994) abordou a exploração sexual e social enfrentada pelas mulheres na Tunísia.

Ela se tornou a primeira mulher árabe a atuar como jurada no Festival de Cinema de Veneza em 2019.

Mais recentemente, ela protagonizou o filme As 4 filhas de Olfa, que foi indicado ao Oscar em 2024 na categoria de Melhor Documentário.

Em novembro, Sabry renunciou ao título de embaixadora da boa vontade da ONU, em protesto contra o que ela chamou de uso da fome como arma de guerra em Gaza.

Não se trata apenas de sobreviver; trata-se de reconstruir e encontrar um propósito por meio da luta... transformando a dor em ação.

Hend Sabry

Elaha Soroor

Elaha Soroor, Afeganistão

Cantora e compositora

Em um momento em que as vozes das mulheres no Afeganistão estão sendo silenciadas na vida pública, a cantora Elaha Soroor escreveu o hino Naan, Kar, Azadi! ("Pão, Trabalho, Liberdade!", em tradução livre) para combater a repressão e enviar uma mensagem de incentivo.

A canção foi lançada em outubro durante a inédita Cúpula de Todas as Mulheres Afegãs, realizada na Albânia.

Com uma carreira que abrange o mundo do cinema, do teatro e da música, a premiada artista usa com frequência sua plataforma para defender os direitos das mulheres.

Soroor, que pertence à minoria étnica hazara, foi descoberta no popular programa de talentos Afghan Star em 2009. Mas enfrentou uma reação negativa violenta por seguir uma carreira musical — e deixou o país em 2010.

Sharon Stone

Sharon Stone, EUA

Atriz

A estrela de Hollywood Sharon Stone deixou sua marca dentro e fora das telas nas últimas três décadas.

A atriz alcançou a fama no início dos anos 1990 com o filme Instinto Selvagem, e estrelou sucessos de bilheteria como O Vingador do Futuro e Cassino, pelos quais ganhou um Globo de Ouro e foi indicada ao Oscar.

Em paralelo à sua prolífica carreira de atriz, Stone realizou trabalhos filantrópicos apoiando muitas causas — e foi reconhecida pelos ganhadores do Prêmio Nobel com o Prêmio da Cúpula da Paz por suas atividades de apoio a pessoas com HIV, vírus causador da Aids.

No início deste ano, suas conquistas foram celebradas ainda mais quando ela se tornou a primeira pessoa a receber o prêmio de Ícone Internacional do Globo de Ouro.

A resiliência é uma escolha. Você precisa escolher seu fluxo. Você pode optar por se irritar ou escolher a alegria.

Sharon Stone

Madison Tevlin

Madison Tevlin, Canadá

Apresentadora e modelo

Parte da campanha Assume That I Can ("Presuma que que eu posso", em tradução livre), o vídeo viral de Madison Tevlin conquistou o mundo neste ano, derrubando preconceitos sobre pessoas com síndrome de Down.

A campanha de conscientização teve mais de 150 milhões de visualizações e ganhou prêmios por seu impacto positivo, incluindo o famoso Leão de Ouro no Festival de Cannes.

Tevlin, que é atriz e modelo, foi destaque na Semana de Moda de Nova York, falou sobre inclusão no encontro anual da Clinton Global Initiative e recebeu o prêmio Quincy Jones Exceptional Advocacy.

Ela foi apresentadora do programa de entrevistas indicado a prêmios Who Do You Think I Am? e do podcast 21 Questions.

Resiliência é nunca desistir, mesmo quando sou julgada, ignorada ou subestimada... É defender aquilo em que acredito e nunca desistir de mim mesma ou da minha comunidade.

Madison Tevlin

Naomi Watanabe

Naomi Watanabe, Japão

Comediante

Como uma das influenciadoras mais famosas do Japão, Naomi Watanabe abriu caminho para uma nova geração de comediantes mulheres em seu país.

Ela rompeu barreiras na comédia japonesa dominada por homens, estrelando como uma protagonista mulher e criando programas de esquetes de sucesso.

Watanabe também está ajudando a mudar estereótipos relacionados ao corpo no Japão, liderando um movimento conhecido como pochakawaii, que pode ser traduzido como "rechonchuda e fofa". Ela lançou uma das primeiras marcas do Japão a oferecer roupas plus size.

Depois de alcançar um enorme sucesso na televisão e no cinema japoneses, ela agora se mudou para os EUA para entrar no palco da comédia global.

Como você se mantém resiliente? Eu sempre penso: 'Você não gosta de mim, tudo bem. Por favor, me dê um ano e talvez eu mude sua opinião'. Esta é a mentalidade que sempre tenho.

Naomi Watanabe

Kim Yeji

Kim Yeji, Coreia do Sul

Atiradora olímpica

O carisma e as conquistas esportivas chamaram a atenção do mundo para Kim Yeji neste ano.

A atiradora ganhou a prata na prova de pistola de ar 10m feminina em sua primeira Olimpíada nos Jogos Paris de 2024, tendo batido o recorde mundial de pistola 25m feminina apenas alguns meses antes.

Vídeos dela logo se tornaram virais nas redes sociais, elogiando não apenas suas habilidades, mas também sua postura fria, sua concentração inabalável e seu visual inspirado em ficção científica, com óculos feitos sob medida para ajudar na precisão.

Kim Yeji falou abertamente sobre como ela vê as responsabilidades que vêm com a maternidade. Ela está dando um tempo no esporte para passar um tempo com a filha de seis anos.

Por meio dos esportes, demonstramos resiliência, trabalho em equipe e determinação — valores que, na minha opinião, vão muito além do campo de jogo para inspirar mudanças sociais mais amplas.

Kim Yeji

Zhiying (Tania) Zeng

Zhiying (Tania) Zeng, Chile

Jogadora de tênis de mesa

A jogadora de tênis de mesa sino-chilena Zhiying Zeng — ou Tania — fez sua estreia olímpica nos Jogos Paris 2024 aos 58 anos.

E a estreia já poderia ter acontecido há mais tempo: com a mãe como treinadora, ela se tornou profissional aos 12 anos. E se classificou para a seleção chinesa, mas depois se mudou para o Chile, onde abandonou o esporte por 30 anos para se concentrar no seu negócio.

A pandemia de covid-19 fez com que Tania Zeng voltasse ao tênis de mesa.

Em 2023, ela era a mulher mais bem colocada no ranking do esporte no Chile, representando o país no Campeonato Sul-Americano e nos Jogos Pan-Americanos antes de realizar o "sonho de longa data" de se classificar para as Olimpíadas.

Chloé Zhao

Chloé Zhao, Reino Unido

Diretora de cinema

A diretora de cinema e roteirista vencedora do Oscar Chloé Zhao é a primeira mulher não branca — e uma das três únicas mulheres na história — a ganhar o prêmio de melhor direção da Academia.

Nascida em Pequim, Zhao se mudou para o Reino Unido e os EUA. Ela se descreve como nômade — tema que seu premiado filme, Nomadland (2020), celebra.

Desde a representação de uma comunidade indígena em seus primeiros filmes até a direção do elenco com mais diversidade até o momento no Universo Marvel, Zhao é apaixonada pelo que nos conecta como seres humanos.

Neste ano, ela esteve no set de filmagem dirigindo uma adaptação do aclamado romance Hamnet, de Maggie O'Farrell, sobre a família de Shakespeare, que será lançado em 2025.

Se não mudamos a estrutura da indústria em que estamos trabalhando, estamos apenas dizendo que precisamos ser exatamente como os homens para ter valor. Não acho que seja aí que reside nosso poder.

Chloé Zhao

Política e Direito

Ann Chumaporn (Waaddao)

Ann Chumaporn (Waaddao), Tailândia

Ativista de direitos LGBTQ+

Enquanto a Tailândia promulgava uma lei neste ano sobre casamento homoafetivo e se tornava o primeiro país do Sudeste Asiático a reconhecer a união entre pessoas do mesmo sexo, Ann 'Waaddao' Chumaporn tinha motivos para comemorar.

Ela liderou os esforços para que o projeto de lei fosse aprovado no Parlamento, atuando como responsável pela análise jurídica tanto na Câmara quanto no Senado.

Cofundadora da Bangkok Pride e ativista lésbica queer da zona rural do sul da Tailândia, Chumaporn vem defendendo os direitos humanos e os direitos da família LGBTQ+ há mais de uma década.

Durante os protestos de 2020 liderados por jovens na Tailândia, ela emergiu como líder da Frente de Libertação Feminista pela democracia; e enfrentou oito acusações políticas por seu ativismo.

Hala Alkarib

Hala Alkarib, Sudão

Ativista contra violência sexual na guerra

Como diretora regional da Iniciativa Estratégica para Mulheres no Chifre da África (SIHA, na sigla em inglês), a proeminente ativista e escritora Hala Alkarib lidera iniciativas que destacam a violência de gênero na região.

Desde que a guerra eclodiu no Sudão, em abril de 2023, a SIHA tem monitorado a violência sexual relacionada a conflitos, fornecendo apoio a mulheres e meninas.

Um relatório da ONU de outubro de 2024 alertou para a dimensão "impressionante" do problema — e acusou as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) paramilitares de "crimes atrozes", acusações que as RSF negam.

O relatório estima que pelo menos 400 sobreviventes de violência sexual relacionada a conflitos haviam sido encaminhadas para receber assistência até julho de 2024, descrevendo isso como "a ponta do iceberg".

Kemi Badenoch

Kemi Badenoch, Reino Unido

Líder do Partido Conservador

Eleita líder do Partido Conservador em novembro, Kemi Badenoch é a primeira mulher negra a liderar um grande partido político do Reino Unido.

Atualmente, ela é membro do Parlamento por North West Essex e, antes, foi secretária de Negócios e ministra das Mulheres e da Igualdade.

Filha de pais nigerianos, Badenoch nasceu em Londres, mas cresceu em Lagos, na Nigéria, e nos Estados Unidos. Ela retornou ao Reino Unido aos 16 anos devido à piora da situação política e econômica na Nigéria, e se formou em Engenharia da Computação e Direito.

Antes de entrar para a carreira política, ela foi diretora adjunta do banco privado Coutts e diretora digital da revista The Spectator.

Mahrang Baloch

Mahrang Baloch, Paquistão

Médica e ativista política

Entre as centenas de mulheres que têm participado de manifestações em todo o Paquistão, está Mahrang Baloch, que protesta contra os supostos desaparecimentos forçados na província do Baluchistão.

Ela começou a pedir justiça depois que seu pai foi supostamente levado por agentes do serviço de segurança em 2009 — e encontrado morto dois anos depois com sinais de tortura.

No fim de 2023, Baloch liderou centenas de mulheres em uma marcha de 1.600 km até a capital do país, Islamabad, para exigir informações sobre o paradeiro de seus familiares. Ela foi presa duas vezes durante a jornada.

Manifestantes da província do Baluchistão, palco de uma insurgência nacionalista de longa data, afirmam que seus entes queridos foram levados e mortos pelas forças de segurança paquistanesas, em meio a uma operação de contrainsurgência. As autoridades de Islamabad negam estas acusações.

Desde então, a médica se tornou uma ativista proeminente, sob a bandeira do seu próprio grupo de direitos humanos, o Comitê Baloch Yakjehti (o último termo pode ser traduzido como "Unidade"). Seu trabalho na área de direitos humanos foi reconhecido pela Time100 Next 2024, lista da revista Time que elenca 100 líderes emergentes ao redor do mundo.

Lourdes Barreto

Lourdes Barreto, Brasil

Ativista pelos direitos das prostitutas

Principal força por trás de muitas campanhas, Lourdes Barreto passou a vida defendendo melhores direitos para as profissionais do sexo no Brasil.

Ela iniciou seu ativismo em Belém do Pará, na região amazônica, e cofundou a Rede Brasileira de Prostitutas na década de 1980 — um dos primeiros movimentos organizados de profissionais do sexo na América Latina.

Barreto, que agora está na casa dos 80 anos, vem desafiando o preconceito há décadas.

Ela foi fundamental no estabelecimento de políticas de prevenção do HIV, vírus causador da Aids, no país — e fez campanha para evitar a disseminação do vírus entre as comunidades garimpeiras. Em 2023, ela publicou sua autobiografia.

Que nossas histórias sejam valorizadas e não silenciadas. O papel da mulher no mundo, com sua imensa capacidade de sonhar, de realizar, de pensar, de mudar a sociedade.

Lourdes Barreto

Danielle Cantor

Danielle Cantor, Israel/Territórios Palestinos

Ativista cultural

Como cofundadora do Cultura de Solidariedade, um projeto de base que começou durante a pandemia de covid-19, Danielle Cantor forneceu alimentos e ajuda a famílias locais em Tel Aviv.

Ao lado de Alma Beck, também cofundadora do projeto, ela administra a Casa da Solidariedade, um espaço que se tornou um polo alternativo para as pessoas se encontrarem, debaterem e participarem de eventos culturais e workshops.

Recentemente, ela escreveu e fez as fotos para Spreads, um livro de arte que usa a cultura alimentar para analisar as nuances da política de identidade das comunidades em Israel e nos Territórios Palestinos.

Junto a outros membros do coletivo Women Peace Sit-In, Cantor tem participado de manifestações para pedir um cessar-fogo imediato no Oriente Médio e um acordo de paz duradouro.

Quando as mulheres exploram sua empatia inerente, podemos reconhecer de fato os sistemas de injustiça e reimaginar nosso caminho a seguir.

Danielle Cantor

Lilia Chanysheva

Lilia Chanysheva, Rússia

Ativista política e ex-prisioneira

Uma entre os 26 prisioneiros libertados em agosto deste ano como parte de uma grande troca internacional de presos, a ativista política Lilia Chanysheva deixou a Rússia assim que recuperou sua liberdade.

Chanysheva era chefe de gabinete do falecido político de oposição Alexei Navalny na região russa de Bashkortostan. Seu trabalho era investigar a corrupção, defender eleições justas e a liberdade de expressão.

Gestora financeira bem-sucedida, ela prestou consultoria tributária para empresas internacionais em Moscou, antes de trabalhar para Navalny.

Em 2021, ela foi presa sob acusação de extremismo e condenada a nove anos e meio de prisão. Ela cumpriu dois anos e nove meses atrás das grades antes de ser libertada.

Susan Collins

Susan Collins, EUA

Senadora

Atualmente em seu quinto mandato representando o Estado do Maine, Susan Collins é a mulher republicana que está há mais tempo no Senado dos EUA.

Ela trabalha com frequência além das linhas partidárias para criar legislações históricas. É uma das seis senadoras responsáveis pela apresentação da Lei de Promoção da Menopausa e da Saúde da Mulher na Meia-Idade, que vai investir US$ 275 milhões (cerca de R$ 1,5 bi) em pesquisa, tratamentos e conscientização pública sobre a menopausa nos próximos cinco anos.

Collins também é autora da Lei do Projeto Nacional de Alzheimer, que coordena um plano nacional para prevenir e tratar a doença. Ela trabalhou para garantir o financiamento do projeto até 2035 — e para que ele leve em consideração populações desfavorecidas mais amplas, incluindo indivíduos com síndrome de Down.

Zhina Modares Gorji

Zhina Modares Gorji, Irã

Ativista dos direitos das mulheres

A jornalista e ativista curda Zhina Modares Gorji cofundou a Associação de Mulheres Zhivano em 2019, que usa a educação, protestos e o apoio de iniciativas para combater a violência contra as mulheres.

Presa duas vezes desde o início do movimento "Mulher, Vida e Liberdade do Irã", Modares Gorji foi inicialmente condenada a 21 anos de prisão por acusações que incluíam "propaganda contra o regime". Atualmente, ela está cumprindo uma pena reduzida de dois anos e quatro meses.

Modares Gorji fez parte da campanha "Um milhão de assinaturas" para angariar apoio público para pressionar pela reformulação das leis que discriminam as mulheres no Irã.

Ela está por trás de um grupo de fotografia de mulheres curdas, um podcast de mulheres e um livro infantil que apresenta mulheres curdas inspiradoras.

Nejla Işık

Nejla Işık, Turquia

Chefe de vilarejo e ativista florestal

Eleita recentemente como chefe da região de İkizköy, no oeste da Turquia, a agricultora Nejla Işık liderou uma luta contra o desmatamento nos últimos cinco anos.

Quando a Floresta de Akbelen, na vizinhança, foi ameaçada devido a propostas para uma mina de carvão, Işık e outras mulheres locais reagiram com ações judiciais e protestos para impedir a derrubada de árvores que abriria espaço para projetos de mineração.

Sua campanha ambiental às vezes resultava em confrontos violentos entre a polícia e as manifestantes que montavam guarda para defender a floresta, mas Işık e outras moradoras prometeram permanecer firmes apesar dos desafios e ameaças que enfrentavam, inclusive sendo multadas por entrar na floresta sem permissão (a multa foi cancelada posteriormente).

As mulheres em casa, nos campos, nas ruas, na luta... são elas que embelezam o mundo e, sem dúvida, vão salvá-lo.

Nejla Işık

Huang Jie

Huang Jie, Taiwan

Política

Conhecida por defender a igualdade de gênero, Huang Jie fez história em janeiro deste ano, quando ganhou uma cadeira no Parlamento e se tornou a primeira legisladora abertamente LGBTQ+ de Taiwan.

Ela promoveu reformas importantes durante sua carreira política, defendendo os direitos de mulheres solteiras e casais de lésbicas de obter tratamento de fertilidade e fazendo com que o governo subsidiasse produtos de higiene menstrual para mulheres de baixa renda e com deficiência.

Depois de se assumir gay publicamente em 2023, ela falou abertamente sobre os abusos que sofreu. Como vítima de pornografia deepfake, ela defende o fortalecimento das leis existentes para combater a violência sexual digital.

A verdadeira resiliência reside em abraçar a diversidade. Quanto mais vozes incluímos, mais fortes nos tornamos — especialmente aqueles que outrora eram considerados fracos, mulheres e LGBTQ+.

Huang Jie

Guerline M. Jozef

Guerline M. Jozef, Haiti

Ativista dos direitos de imigração

Trabalhando na área de convergência entre política e raça nos EUA, Guerline M. Jozef faz campanha pelos direitos dos imigrantes.

Ela é fundadora da Haitian Bridge Alliance, liderada por mulheres, que se concentra em pessoas de ascendência africana.

Sob sua orientação, a organização apresentou acusações criminais contra Donald Trump neste ano, devido às alegações infundadas que ele fez sobre imigrantes haitianos estarem "comendo animais de estimação" durante um discurso em Springfield, no Estado de Ohio, ao longo da campanha presidencial.

Há muito tempo, Jozef critica abertamente a deportação de haitianos dos EUA. Sua organização fez um apelo recentemente ao governo Biden para que parasse de enviar de volta os solicitantes de asilo que chegam ao país fugindo da violência de gangues em sua ilha natal.

Ruth López

Ruth López, El Salvador

Advogada

Apaixonada por direito e justiça, Ruth López é diretora jurídica da Cristosal, uma organização que trabalha para promover a democracia na América Central.

Ela tem se concentrado no combate à corrupção, na legislação eleitoral e na proteção dos direitos humanos em El Salvador.

Crítica veemente do governo e das instituições do país, ela fez uma ampla campanha nas redes sociais para promover a transparência política e a prestação de contas pública supervisionada pelos próprios cidadãos.

O trabalho dela se tornou mais proeminente quando, no início deste ano, El Salvador reelegeu o presidente Nayib Bukele para um segundo mandato. Bukele, que viu sua popularidade aumentar após uma política de repressão à criminalidade, descreveu a si mesmo como "o ditador mais legal do mundo".

Hana-Rawhiti Maipi-Clarke

Hana-Rawhiti Maipi-Clarke, Nova Zelândia

Política

Aos 22 anos, Hana-Rawhiti Maipi-Clarke se tornou a mulher maori mais jovem eleita para o Parlamento da Nova Zelândia.

Durante seu primeiro discurso, ela fez o famoso haka, uma dança cerimonial maori, e pediu maior representação das vozes indígenas. Recentemente, ela liderou outro haka que interrompeu uma sessão no Parlamento para protestar contra um projeto de lei polêmico.

Maipi-Clarke defende apaixonadamente os direitos maori, a preservação cultural e as questões ambientais. Aos 17 anos, ela publicou seu primeiro livro, que era sobre o calendário lunar maori.

Neste ano, ela recebeu o conceituado prêmio de Política do Ano da One Young World por seus esforços para amplificar as vozes dos jovens indígenas na política.

As mulheres precisam abrir a pontapé as portas dos lugares para os quais sabem que não são convidadas, seja a nível local, nacional ou global dentro da política.

Hana-Rawhiti Maipi-Clarke

Katherine Martínez

Katherine Martínez, Venezuela

Advogada de direitos humanos

Muitos dos jovens pacientes do hospital infantil José Manuel de Los Ríos, em Caracas, na Venezuela, vêm de famílias de baixa renda e monoparentais.

A Prepara Familia, uma ONG fundada por Katherine Martínez, fornece a elas itens essenciais — como roupas, suprimentos médicos e alimentos — e apoio psicológico.

Como advogada de direitos humanos, Martínez mantém registros do que ela e sua equipe consideram violações de direitos humanos contra crianças e mulheres cuidadoras em um ambiente hospitalar, para permitir que as vítimas busquem indenização.

Diante dos altos índices de desnutrição na Venezuela, a Prepara Familia também abriu um centro para fornecer suplementos nutricionais e vitaminas gratuitamente a crianças e mulheres grávidas.

Latisha McCrudden

Latisha McCrudden, Irlanda

Ativista de grupo étnico nômade irlandês

Latisha McCrudden tem apenas 20 anos, mas já se estabeleceu como uma defensora ferrenha do grupo étnico nômade irlandês conhecido como Irish Travellers.

Como membro do grupo, ela quer combater os tabus relacionados às minorias étnicas na Irlanda e usar sua voz como sobrevivente de abuso doméstico para combater a violência contra mulheres e meninas.

Estudante de Direito na Universidade de Galway, McCrudden é membro do Fórum Nacional da Juventude do Movimento Nacional Irish Traveller, do Conselho Nacional de Mulheres da Irlanda e do grupo de apoio aos Travellers, Mincéirs Whiden.

Ela espera concorrer nas próximas eleições locais em 2029 e fazer a diferença para o futuro da Irlanda.

Nadia Murad

Nadia Murad, Iraque

Vencedora do Prêmio Nobel da Paz

Atualmente uma das principais defensoras de sobreviventes de violência sexual, Nadia Murad, ativista de direitos humanos e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, enfrentou o genocídio yazidi no Iraque, realizado pelo grupo autodenominado Estado Islâmico em 2014.

Ela foi capturada por militantes do Estado Islâmico, forçada à escravidão e submetida a estupros e abusos. Murad escapou após três meses, e corajosamente compartilhou sua provação com o mundo para aumentar a conscientização sobre a violência sexual relacionada a conflitos.

Ela fez uma parceria com a advogada de direitos humanos Amal Clooney para responsabilizar o Estado Islâmico, e lançou a Nadia's Initiative para ajudar a reconstruir comunidades e lutar por indenizações para sobreviventes.

Dez anos após o massacre yazidi, Murad continua sendo um símbolo global de resiliência.

Precisamos empunhar o que chamo de 'armas do espírito' para lutar por igualdade e justiça: verdade, esperança e compaixão.

Nadia Murad

Annie Sinanduku Mwange

Annie Sinanduku Mwange, República Democrática do Congo

Mineradora

Como mulher no setor de mineração congolês, Annie Sinanduku Mwange lidera um movimento de base para combater a desigualdade e o assédio sexual no setor, onde metade dos trabalhadores em minas artesanais são mulheres.

Líder da Rede Nacional de Mulheres na Mineração (Renafem), ela se declara como uma "mère boss", ou mãe chefe, colocando mulheres no comando dos pontos de mineração como forma de evitar a exploração sexual por parte de colegas do sexo masculino.

Ao investir nos meios de subsistência das mulheres, ela também espera reduzir o trabalho infantil na área, à medida que aumenta a demanda global por cobalto e outros minerais necessários para produtos de energia limpa, como carros elétricos.

Kasha Jacqueline Nabagesera

Kasha Jacqueline Nabagesera, Uganda

Ativista de diversidade e inclusão

Atos homossexuais são ilegais em Uganda, puníveis com penas de prisão — e a defensora da comunidade LGBTQ+ Kasha Nabagesera está lutando para mudar esta legislação repressiva.

Como uma mulher abertamente gay, ela causou um impacto profundo na campanha contra o estigma LGBTQ+ em toda a África.

Nabagesera processou com sucesso jornais e o governo de Uganda por retórica contra a comunidade LGBTQ+; ela contestou duas vezes leis contra a homossexualidade nos tribunais do país, e atualmente está contestando uma lei de 2023.

Sua trajetória acadêmica inclui um diploma de Administração da Universidade de Nkumba, em Uganda, e uma bolsa da Universidade de Stanford, nos EUA, além de contribuições para iniciativas de diversidade em fóruns de alto nível, como a ONU, o Parlamento Europeu e a Comissão Africana.

Gisèle Pelicot

Gisèle Pelicot, França

Sobrevivente de estupro e ativista

Ao abrir mão de seu direito ao anonimato e permitir que sua história chegasse ao mundo, Gisèle Pelicot se tornou um símbolo de coragem e resiliência.

Seu ex-marido admitiu tê-la drogado e estuprado quando eles eram casados, além de ter recrutado dezenas de outros homens para estuprá-la também. A maioria dos supostos estupros foi filmada.

Por lei, Pelicot tinha direito ao anonimato — mas, em vez disso, ela pediu que o julgamento fosse aberto, e que os vídeos fossem exibidos, em uma tentativa de transferir a "vergonha" de volta para os acusados. Alguns dos outros 50 homens envolvidos no caso admitiram o estupro, mas a maioria diz que apenas participou de atos sexuais.

Enquanto o julgamento entra na reta final, essa avó francesa segue inspirando mulheres ao redor do mundo. Ela espera que seu caso mude a legislação na França e as atitudes em relação ao estupro e ao consentimento.

Angela Rayner

Angela Rayner, Reino Unido

Vice-primeira-ministra

Ocupando um dos cargos mais altos na hierarquia política do Reino Unido, Angela Rayner se tornou vice-primeira-ministra após as eleições gerais de julho.

Nascida e criada em Stockport, na Inglaterra, Rayner precisou cuidar da mãe desde cedo e abandonou a escola, grávida, aos 16 anos. Ela trabalhou na área de assistência social para o conselho local e subiu de posto até se tornar representante sindical.

Rayner foi eleita pela primeira vez para o Parlamento como deputada trabalhista por Ashton-under-Lyne em 2015 — a primeira mulher a representar o distrito eleitoral —, e mais tarde atuou como ministra "sombra" das Mulheres e da Igualdade, cuja missão é fiscalizar a atuação do ministro oficial da pasta, entre outras funções.

Atualmente, ela é secretária de Estado de Habitação, Comunidades e Governo Local.

Aruna Roy

Aruna Roy, Índia

Ativista social

Defensora dos direitos dos pobres na Índia, Aruna Roy abandonou a carreira no serviço público para se envolver mais diretamente com as comunidades rurais.

Ela é cofundadora da organização de base Mazdoor Kisan Shakti Sangathan (MKSS), voltada para transparência e salários justos, e foi fundamental para a promulgação de uma lei histórica de 2005 que permite que os cidadãos exijam prestação de contas do governo.

Ao longo de quatro décadas, Roy esteve à frente de iniciativas populares, o que rendeu a ela vários prêmios, incluindo o Ramon Magsaysay, muitas vezes chamado de "Prêmio Nobel da Ásia".

Ela é presidente da Federação Nacional de Mulheres Indianas — e publicou neste ano seu livro de memórias, The Personal is Political ("O pessoal é político", em tradução livre).

Obcecados pelo grand design, muitas vezes deixamos de reconhecer o sonho que mora ao lado.

Aruna Roy

Rosmarie Wydler-Wälti

Rosmarie Wydler-Wälti, Suíça

Professora e ativista climática

Como copresidente da KlimaSeniorinnen — ou Mulheres Idosas pela Proteção do Clima —, Rosmarie Wydler-Wälti liderou uma batalha judicial de nove anos contra o governo suíço e obteve a primeira vitória de um processo climático no Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

Com outras 2 mil mulheres, a professora de jardim de infância e terapeuta Wydler-Wälti argumentou que a resposta do governo suíço às ondas de calor relacionadas ao aquecimento global prejudicou o direito delas à saúde, e que sua idade e gênero as tornaram particularmente vulneráveis.

Em abril, o tribunal decidiu que os esforços do país para atingir as metas de redução de emissões haviam sido inadequados.

Embora o Parlamento suíço tenha rejeitado a decisão posteriormente, o caso estabeleceu um novo precedente para litígios climáticos.

Feng Yuan

Feng Yuan, China

Defensora dos direitos das mulheres

Defensora de longa data dos direitos das mulheres na China, Feng Yuan é diretora fundadora da Equality Beijing. Criada em 2014, a organização se dedica à reforma jurídica, à capacitação e ao combate à violência de gênero por meio de uma linha telefônica para suporte.

Nos últimos anos, ela tem apoiado sobreviventes do movimento #MeToo na China, e fornecido treinamento a empregadores para evitar o assédio sexual no ambiente de trabalho.

Feng trabalhou como jornalista com foco em questões femininas de 1986 a 2006.

Desde meados da década de 1990, ela ajudou a criar várias iniciativas não governamentais voltadas para as mulheres relacionadas à mídia, HIV/Aids, liderança e capacitação de jovens. Ela é autora e editora de publicações na China e em outros países.

Einav Zangauker

Einav Zangauker, Israel

Ativista pela libertação de reféns

Matan, o filho de 24 anos da ativista Einav Zangauker, que é mãe solo, foi feito refém nos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro. A companheira do filho dela, Ilana, foi sequestrada separadamente, e acabou sendo liberada em uma troca de prisioneiros.

Desde então, ela tem chamado persistentemente a atenção para a crise dos reféns, fazendo um apelo às autoridades para que tomem medidas, e mobilizando a população para se manifestar semana após semana.

Zangauker se tornou uma crítica aberta do governo israelense por não conseguir encontrar uma maneira de trazer os reféns de volta para casa, mesmo já tendo votado no partido governista do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

Ela está exigindo um acordo de cessar-fogo para garantir a libertação dos reféns que restam.

Amanda Zurawski

Amanda Zurawski, EUA

Defensora dos direitos reprodutivos

Em agosto de 2022, Amanda Zurawski descobriu que sua bolsa havia rompido prematuramente. Os médicos informaram a ela que o feto não sobreviveria.

Zurawski mora no Texas, e teve o pedido de aborto negado. Após a revogação da decisão Roe x Wade pela Suprema Corte dois meses antes, o Estado passou a proibir o procedimento, exceto nos casos em que a vida da paciente estivesse em risco. Três dias depois, ela entrou em choque séptico e, com sua vida em perigo, finalmente conseguiu fazer o aborto.

Em março de 2023, Zurawski e outras 19 mulheres com histórias semelhantes entraram com uma ação judicial contra o Estado — o primeiro processo movido por mulheres que tiveram abortos negados desde a revogação da decisão Roe x Wade. A Suprema Corte do Texas rejeitou a contestação da proibição do aborto.

Ela agora promete continuar a luta para "restaurar e proteger os direitos reprodutivos no país".

Fawzia al-Otaibi

Fawzia al-Otaibi, Arábia Saudita/Reino Unido

Ativista dos direitos das mulheres

Recorrendo às redes sociais para fazer sua voz ser ouvida, Fawzia al-Otaibi faz campanha há muito tempo pelo fim do sistema de tutela masculina na Arábia Saudita.

Mas depois de ser intimada pelas autoridades para depor, ela decidiu fugir do país.

Sua irmã Manahel al-Otaibi — também ativista dos direitos das mulheres — foi presa e condenada a 11 anos de prisão no início deste ano, por acusações relacionadas às suas escolhas de roupas e às opiniões que manifestou na internet, de acordo com grupos de direitos humanos.

Al-Otaibi faz uma intensa campanha pela libertação da irmã. Uma recente repressão à dissidência fez com que muitas pessoas fossem presas na Arábia Saudita por causa de publicações nas redes sociais.

Ciência, Saúde e Tecnologia

Shireen Abed

Shireen Abed, Territórios Palestinos

Pediatra

Os bombardeios e a dramática falta de recursos não impediram Shireen Abed de cuidar de recém-nascidos em Gaza.

A especialista em cuidados neonatais foi desalojada após o início da guerra de Israel em Gaza em 2023, quando seu apartamento foi destruído, mas continuou a cuidar de bebês em acampamentos de desalojados próximos.

Com base em anos de experiência em unidades neonatais nos principais hospitais de Gaza — mais recentemente, como diretora da Maternidade do Complexo Médico Al-Shifa —, ela estabeleceu protocolos de emergência para permitir que os médicos ofereçam tratamentos que salvam vidas com recursos bastante limitados, e treinou outros médicos.

As circunstâncias a forçaram a deixar Gaza com as duas filhas no início deste ano, mas Abed continua a ajudar os médicos que estão lá remotamente.

Shilshila Acharya

Shilshila Acharya, Nepal

Empreendedora de sustentabilidade

Shilshila Acharya administra uma das maiores redes de reciclagem de plástico do Nepal. Sua empresa de gestão de resíduos, a Avni Ventures, emprega funcionários de comunidades marginalizadas e se concentra em incluir mais mulheres no setor de sustentabilidade.

Acharya desempenhou um papel de liderança na campanha "No Thanks, I Carry My Own Bag" ("Não, obrigado, tenho minha própria sacola") de 2014, que levou à proibição de sacolas de compras de plástico.

A educadora sobre clima e resíduos também está por trás de uma grande limpeza anual no Himalaia para remover o lixo deixado pelos alpinistas, que já coletou 119 toneladas desde 2019.

Por meio do seu trabalho, uma parte destes resíduos é reutilizada por artesãs indígenas para a fabricação de cestas, esteiras e joias para apoiar sua subsistência.

Enas Al-Ghoul

Enas Al-Ghoul, Territórios Palestinos

Engenheira agrônoma

Quando a água se tornou escassa em Gaza devido à guerra, Enas Al-Ghoul sentiu que precisava encontrar uma solução.

A engenheira agrônoma usou materiais reciclados como madeira, vidro e lonas para criar um dispositivo de dessalinização movido a energia solar capaz de transformar a água do mar em água potável.

Desde então, o dispositivo se tornou uma tábua de salvação para muitos que vivem em tendas na região de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, uma vez que as instalações de água e saneamento foram danificadas ou destruídas desde outubro de 2023.

Determinada a usar suas habilidades para ajudar os palestinos desalojados, Al-Ghoul também criou um fogão movido a energia solar — e aprendeu a reciclar materiais para criar itens como colchões e bolsas.

Safa Ali

Safa Ali, Sudão

Obstetra

Quando intensos combates eclodiram perto do seu hospital no Sudão, em 2023, a médica Safa Ali se recusou a sair com seus colegas, apesar dos constantes bombardeios.

A obstetra e ginecologista ajudou a levar a equipe de voluntários e as mulheres grávidas para um local mais seguro, em meio a violentos confrontos entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) paramilitares.

No Hospital Maternidade Al Saudi, ela hoje realiza cesarianas e trata de problemas de saúde da mulher sob os desafios impostos pelo conflito em andamento.

Ela também continua a treinar cerca de 20 médicas recém-formadas em obstetrícia para ajudar a mitigar a escassez de equipe médica.

Acredito que por meio da resistência das mulheres há uma promessa de cura, justiça e um futuro em que não teremos mais que viver com medo. É a força delas que me lembra que ainda existe esperança, mesmo nos momentos mais sombrios.

Safa Ali

Rikta Akter Banu

Rikta Akter Banu, Bangladesh

Enfermeira e fundadora de escola

Na área remota do norte de Bangladesh, onde a enfermeira Rikta Akter Banu mora, ter um filho autista ou com deficiência é visto como uma maldição.

Quando a sua própria filha, que é autista e tem paralisia cerebral, teve a matrícula recusada na escola primária local, ela vendeu seu terreno e construiu sua própria escola.

A Escola para Pessoas com Dificuldade de Aprendizagem Rikta Akhter Banu agora tem 300 alunos matriculados — e causou um impacto positivo na visão da comunidade sobre deficiência.

Embora a escola tenha sido construída inicialmente para crianças autistas ou com dificuldade de aprendizagem, ela agora atende jovens estudantes com uma variedade de deficiências intelectuais e físicas.

Brigitte Baptiste

Brigitte Baptiste, Colômbia

Ecologista

Como uma bióloga trans, Brigitte Baptiste explora os padrões comuns entre biodiversidade e identidade de gênero.

Ela usa uma lente queer para analisar paisagens e espécies em uma tentativa de expandir a noção de "natureza" para proteger melhor os ecossistemas. Em sua palestra TEDx de 2018, ela usou a palmeira-de-cera de Quindío, a árvore nacional da Colômbia, como exemplo de que “a mudança de sexo e gênero tem sido regularmente relatada pela ciência” ao longo da vida das espécies.

Acadêmica renomada, Baptiste passou 10 anos como diretora do Instituto Alexander von Humboldt — e atualmente é presidente da Universidade EAN, em Bogotá, uma instituição de ensino superior voltada para o empreendedorismo sustentável.

Ela também fez campanha por mais financiamento para que mais pessoas LGTBQ+ ingressem no ensino superior.

Sara Berkai

Sara Berkai, Reino Unido/Eritreia

Designer de kits científicos do tipo 'Faça você mesmo'

Eritreia nascida no Sudão e criada em Londres, Sara Berkai foi a primeira da sua família a frequentar a universidade, onde estudou o desenvolvimento infantil.

Ela é fundadora da Ambessa Play, uma empresa social que cria kits educacionais no estilo "faça você mesmo" (DIY, na sigla em inglês) para crianças — e as incentiva a participar do design de brinquedos.

O trabalho de Berkai oferece às crianças que não frequentam a escola em vários países a oportunidade de ter acesso à educação por meio de brincadeiras. Ela criou o conceito enquanto ministrava oficinas de STEM (acrônimo em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática) para crianças desalojadas na Etiópia e na Eritreia em 2019.

Suas ideias inovadoras foram reconhecidas por sua inclusão na lista "30 Under 30" de 2024 da revista Forbes, que elenca 30 indivíduos com até 30 anos que se destacaram em diferentes setores — no caso dela, devido ao seu impacto social.

A resiliência é o otimismo na prática — um compromisso inabalável com um futuro melhor, enraizado no amor.

Sara Berkai

Gabriela Salas Cabrera

Gabriela Salas Cabrera, México

Programadora e cientista de dados

Sua língua materna, o náhuatl, não estava disponível na plataforma de tradução amplamente utilizada do Google, até que Gabriela Salas Cabrera se envolveu.

A engenheira colaborou com a gigante da tecnologia em projetos linguísticos para integrar esta e outras línguas indígenas do México ao Google Tradutor. A ferramenta de tradução de náhuatl foi liberada para o público no início deste ano.

O trabalho de Salas aproveita o poder da inteligência artificial para expandir idiomas sub-representados, assim como para aumentar a presença de mulheres indígenas no setor de tecnologia.

Ela é especialista em programação orientada a objetos e inteligência artificial, e está estudando ciência de dados na Universidade Politécnica, em Madri, na Espanha.

A resiliência feminina é a chama que nunca morre, transformando a dor em propósito e iluminando o caminho para aquelas que seguem.

Gabriela Salas Cabrera

Naomi Chanda

Naomi Chanda, Zâmbia

Agricultora e treinadora

Como guia agrícola em uma fazenda de ensino, Naomi Chanda tem a missão de fazer com que sua comunidade trabalhe usando métodos que respeitem e preservem a terra.

Ela se concentra em técnicas "inteligentes em termos climáticos", como irrigação por gotejamento, que usa menos água, ou culturas agrícolas de ciclo curto, colocando as mulheres no centro das soluções para as mudanças climáticas.

Com a ONG de educação de meninas Camfed, Chanda ajuda a ensinar cerca de 150 mulheres jovens a adaptar técnicas agrícolas e torná-las resilientes diante da crise climática no extremo nordeste da Zâmbia, onde secas prolongadas e mudanças sazonais drásticas tiveram um impacto devastador sobre os pequenos agricultores.

Nour Emam

Nour Emam, Egito

Empreendedora de "femtech"

A educadora de saúde sexual Nour Emam foca em temas como higiene menstrual, saúde reprodutiva e conscientização sexual, assuntos que geralmente são considerados tabus para mulheres na região do Oriente Médio e do norte da África.

Emam é cofundadora e CEO da Motherbeing, uma "femtech" (empresa de tecnologia voltada para a saúde da mulher) que fornece serviços híbridos por meio de uma clínica no Cairo e uma plataforma digital, com a ambição de melhorar o acesso das mulheres à assistência médica via tecnologia.

O objetivo dela é empoderar as mulheres com conhecimento baseado em evidências sobre seus corpos, facilitando o acesso a informações confiáveis sobre contracepção, e ajudando-as a lidar com questões delicadas sem medo ou vergonha.

Rosa Vásquez Espinoza

Rosa Vásquez Espinoza, Peru

Bióloga química

Inspirada pela sabedoria de sua avó como curandeira, a cientista Rosa Vásquez Espinoza passou sua carreira combinando ciência de ponta e conhecimento tradicional para proteger a biodiversidade na Amazônia peruana.

Como fundadora da Amazon Research International, ela trabalha com comunidades indígenas para explorar a biodiversidade inexplorada da selva.

O trabalho de Espinoza, que viaja com frequência para ecossistemas remotos do planeta, inclui a descoberta de novas bactérias no lendário rio fervente da Amazônia, e a liderança da primeira análise química de abelhas sem ferrão e mel medicinal no Peru.

Ela também é embaixadora internacional do povo ashaninka, um dos maiores grupos indígenas da América do Sul.

Katalin Karikó

Katalin Karikó, Hungria

Bioquímica ganhadora do Prêmio Nobel

A aclamada pesquisa da bioquímica húngara Katalin Karikó sobre RNA mensageiro (mRNA) modificado foi usada para criar vacinas contra a covid-19 pela BioNTech/Pfizer e Moderna.

O estudo rendeu a ela o Prêmio Nobel (compartilhado com seu colega Drew Weissman) por sua contribuição para a "taxa sem precedentes de desenvolvimento de vacinas durante uma das maiores ameaças à saúde humana nos tempos modernos".

O mRNA, material responsável pela tradução do nosso DNA em proteínas, é extremamente frágil e difícil de trabalhar, mas Karikó estava convencida de que poderia desempenhar um papel importante na medicina.

A tecnologia era experimental antes da pandemia, mas agora foi fornecida a milhões de pessoas em todo o mundo para protegê-las contra a forma grave da covid-19.

Trabalhe para atingir suas metas, concentrando-se sempre no que você pode fazer, e não no que os outros deveriam fazer. Se você fracassar, aprenda com isso. Levante-se e siga em frente com o mesmo entusiasmo.

Katalin Karikó

Georgina Long

Georgina Long, Austrália

Oncologista

Por meio de terapias direcionadas e imuno-oncologia, Georgina Long quer ver um mundo sem mortes por câncer.

Como codiretora do Melanoma Institute Australia, Long ganhou destaque em 2024 depois de codesenvolver um tratamento inédito no mundo que ajudou seu colega e amigo, Richard Scolyer, a ficar livre do câncer, depois que ele foi diagnosticado com um tipo particularmente agressivo de tumor no cérebro.

Long e sua equipe — incluindo o próprio paciente — descobriram que a imunoterapia funcionava melhor quando uma combinação de medicamentos era usada antes da cirurgia para remover o tumor.

Seu trabalho pioneiro foi baseado em muitos anos de pesquisa sobre o melanoma, ao qual se atribui o mérito de ter salvado a vida de milhares de pacientes com diagnóstico de câncer de pele.

Os líderes do futuro devem defender a empatia e a humanidade compartilhada, capacitando as pessoas a desafiar sistemas ultrapassados e a buscar soluções inovadoras para os problemas.

Georgina Long

Sasha Luccioni

Sasha Luccioni, Canadá

Cientista da computação

Em um mundo que se adapta ao desenvolvimento acelerado da inteligência artificial (IA), a pegada de carbono do setor pode muitas vezes ser ignorada.

Sasha Luccioni, cientista líder em IA, ajudou a criar uma ferramenta para que os desenvolvedores possam quantificar suas emissões de carbono quando executam códigos, que já foi baixada mais de 1,3 milhão de vezes.

Luccioni é a líder climática da Hugging Face, uma startup global que trabalha com modelos de IA de código aberto e quer "democratizar o bom machine learning (aprendizado automático de máquina)".

Seu foco é melhorar a sustentabilidade da inteligência artificial, e ela pretende desenvolver um "sistema de avaliação por estrelas de energia" que as startups de IA possam usar para comparar seu impacto climático.

Kauna Malgwi

Kauna Malgwi, Nigéria

Líder sindical de moderadores de conteúdo

Kauna Malgwi é ativista dos direitos do trabalho no setor de tecnologia e inteligência artificial (IA). A psicóloga clínica lidera o Sindicato de Moderadores de Conteúdo na Nigéria — e promove a conscientização sobre todo o trabalho invisível que envolve o treinamento de sistemas de IA.

Em sua antiga função como moderadora de conteúdo terceirizada do Facebook, Malgwi diz que foi exposta a vídeos de estupro, suicídio e abuso infantil, o que fez ela sofrer de insônia e paranoia.

Ela é um dos 185 ex-moderadores que processaram a Meta, dona do Facebook, no Quênia, por demissão ilegal, depois que uma fonte interna denunciou as más condições de trabalho.

Ela prestou depoimento no Parlamento Europeu para defender os direitos dos moderadores de conteúdo.

As mulheres podem desafiar e mudar as realidades do nosso mundo fragmentado, trazendo uma perspectiva holística que valoriza tanto o progresso tecnológico quanto o bem-estar mental.

Kauna Malgwi

Olga Olefirenko

Olga Olefirenko, Ucrânia

Agricultora

Quando seu pai morreu em 2015, Olga Olefirenko queria realizar o sonho dele de montar uma fazenda. Depois de comprar gado, ela começou a trabalhar, mas logo se deparou com dificuldades financeiras, e precisou vender todos os animais.

Mas ela não queria abandonar as aspirações do pai, que foi morto na linha de frente de combate em Donbass, quando estava em serviço como comandante das forças de operações especiais da Marinha.

No ano passado, ela elaborou um plano de negócios para concorrer a um financiamento do Fundo para Veteranos Ucranianos — e foi bem-sucedida.

Olefirenko começou a administrar sua fazenda novamente, com foco na modernização, no uso de novas tecnologias agrícolas e na geração de empregos para a comunidade local, onde ela é vista como uma inspiração por sua iniciativa e liderança.

Subin Park

Subin Park, Coreia do Sul

Fundadora do Stair Crusher Club

Quando a cadeirante Subin Park descobriu que muitos lugares que ela queria visitar em Seul não eram acessíveis, ela começou a usar suas habilidades como ex-gerente de projetos de TI para chamar a atenção para a questão.

Park é cofundadora do Stair Crusher Club, um projeto sem fins lucrativos que coleta informações sobre rotas e locais hostis para cadeiras de rodas, em que não há acesso sem escadas, na Coreia do Sul.

O projeto tem como objetivo criar um mapa de acessibilidade para seus usuários.

Até agora, mais de 2 mil cidadãos contribuíram para sua base de dados por meio de eventos do Stair Crusher Club — e 14 mil locais em todo o país foram avaliados quanto à acessibilidade.

Sneha Revanur

Sneha Revanur, EUA

Especialista em inteligência artificial

Com apenas 20 anos, Sneha Revanur já saiu na frente. Ela é a fundadora do Encode Justice, um movimento global de jovens por uma inteligência artificial (IA) segura e justa, com mais de 1,3 mil membros em 30 países.

O trabalho de Revanur busca mitigar as ameaças impostas pela tecnologia emergente e incluir os jovens em conversas críticas.

Ela é aluna da Universidade de Stanford (EUA), onde fez estágio no Centro de IA e Política Digital.

Recentemente, tornou-se a pessoa mais jovem na lista inaugural da revista Time das 100 vozes mais influentes na área de inteligência artificial.

Temos a oportunidade de nos antecipar aos riscos da inteligência artificial ​​antes que eles ofusquem seu potencial revolucionário. Para mim, isso é resiliência: superar o passado para reimaginar o futuro.

Sneha Revanur

Olga Rudnieva

Olga Rudnieva, Ucrânia

Fundadora do Centro Super-Humanos

Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, Olga Rudnieva sentiu que precisava fazer algo para ajudar os feridos no conflito.

As pessoas que haviam perdido seus membros no campo de batalha eram vistas como vítimas por muitos, mas para Rudnieva elas eram "super-humanos" que mereciam toda a ajuda que ela pudesse oferecer.

Ela criou o centro de traumas Super-Humanos em Lviv, que administra como CEO ao lado de uma equipe de especialistas. O centro fornece próteses de membros aos pacientes, e recentemente lançou um centro de reabilitação.

Mais de mil pessoas se beneficiaram de seus serviços durante os dois primeiros anos de operação.

Resiliência é acordar manhã após manhã ao som de sirenes de alerta aéreo e continuar lutando pelo seu país. É redescobrir o seu "para quê?", em vez de ficar preso ao "por que eu?". É encontrar maneiras de fazer mais, tendo menos a cada dia.

Olga Rudnieva

Samia

Samia, Síria

Psicóloga

A especialista em Psicologia Samia — cuja identidade a BBC está mantendo em anonimato para proteger sua segurança pessoal — tem apoiado sírios que enfrentam o trauma causado por anos de conflito.

A longa guerra civil no país matou centenas de milhares de pessoas, e muitas das que sobreviveram foram deixadas vivendo em condições muitas vezes extremas e lidando com problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.

Trabalhando em uma clínica de saúde mental administrada pelo Comitê Internacional de Resgate, Samia realiza sessões de terapia para pessoas desalojadas e suas famílias em um acampamento de refugiados no nordeste da Síria.

Apesar dos recursos escassos, ela continua dedicada a melhorar a saúde mental de seus pacientes e empenhada em promover a conscientização em ambientes de crise.

Silvana Santos

Silvana Santos, Brasil

Bióloga

A bióloga Silvana Santos atribui sua descoberta pioneira no campo da genética inteiramente ao acaso — ela conheceu uma família com uma doença desconhecida na própria rua onde morava.

Isso deu origem à pesquisa que a levou a identificar a síndrome de Spoan (acrônimo em inglês para "paraplegia espástica, atrofia óptica e neuropatia") no nordeste do Brasil, uma doença neurodegenerativa genética rara que causa paralisia progressiva.

Nos 20 anos desde que começou sua pesquisa na cidade de Serrinha dos Pintos, Santos ajudou moradores afetados pela doença a obter um diagnóstico crucial.

Ela estuda a ocorrência de doenças genéticas raras e sua relação com casamentos entre pessoas com parentesco próximo em áreas pobres do Brasil rural.

Como demonstramos o poder da resiliência? Percebendo que a vida é um ciclo. Na seca tórrida, nós apenas sobrevivemos. Na estação chuvosa, florescemos e produzimos frutos.

Silvana Santos

Adenike Titilope Oladosu

Adenike Titilope Oladosu, Nigéria

Ativista de justiça climática

A ecofeminista nigeriana Adenike Titilope Oladosu é fundadora da I Lead Climate Action, uma iniciativa de base de mulheres e jovens para combater as mudanças climáticas.

Ela trabalhou para aumentar a conscientização em relação à crise ambiental que afeta o Lago Chade — na junção da Nigéria, Níger, Chade e Camarões —, onde a redução dos recursos hídricos exacerbou os conflitos.

O trabalho de Oladosu aborda questões ambientais e sociais, especialmente quando elas afetam as mulheres africanas, a quem ela capacita com conhecimentos de agricultura sustentável em áreas onde a desertificação tem um impacto direto na segurança alimentar.

Ela participou de várias conferências da ONU sobre mudanças climáticas desde 2019 e fez um apelo aos formuladores de políticas públicas para que priorizem a resiliência climática na África.

A crise climática é uma questão de resiliência que não nos deixa outra opção a não ser vencer. Para sobreviver a esta crise, precisamos de investimentos essenciais em tecnologia e inovação.

Adenike Titilope Oladosu

Sunita Williams

Sunita Williams, EUA

Astronauta

Quando a astronauta da Nasa, Sunita Williams, embarcou na espaçonave Boeing Starliner em 5 de junho, ela esperava participar de uma missão de oito dias à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

Mas após uma série de falhas técnicas a bordo, Williams e seu colega Barry Wilmore foram informados de que não voltariam à Terra até fevereiro de 2025.

Williams, piloto de helicóptero aposentada da Marinha e ex-recordista feminina de caminhadas espaciais, tornou-se a primeira pessoa a correr uma maratona no espaço em 2007.

Apesar de estar agora longe dos amigos e da família, a 400 km acima da Terra, ela abraçou a estadia prolongada com resiliência e uma atitude otimista, descrevendo a nave espacial como o seu "lugar feliz".

Fotos de algumas das 100 mulheres participantes da temporada 2024 do Serviço Mundial da BBC.

O que é BBC 100 Women?

Todos os anos, o BBC 100 Women nomeia 100 mulheres influentes e inspiradoras ao redor do mundo. Para contar suas histórias, criamos documentários, reportagens e entrevistas — conteúdos que colocam as mulheres em evidência, e são publicados e transmitidos em todas as plataformas da BBC.

Siga o BBC 100 Women no Instagram e no Facebook. Participe da conversa usando #BBC100Women.

Como as 100 mulheres foram escolhidas?

A equipe do BBC 100 Women elaborou uma lista com base em nomes obtidos por meio de pesquisas e sugeridos pela rede de 41 equipes do Serviço Mundial da BBC, assim como pelo BBC Media Action.

Estávamos à procura de candidatas que tivessem virado notícia ou influenciado narrativas importantes nos últimos 12 meses, além daquelas com histórias inspiradoras para contar ou que tivessem realizado algo significativo e influenciado suas sociedades de modo não necessariamente noticioso.

A lista de nomes também foi avaliada com base no tema deste ano: resiliência. Queríamos reconhecer o impacto que este ano teve sobre as mulheres no mundo todo, selecionando aquelas que, por meio de sua resiliência, estão lutando por mudanças e melhorando a vida de pessoas a nível comunitário ou global. Também avaliamos nomes de mulheres que atuam na área de mudanças climáticas, dentre os quais foi selecionado um grupo de pioneiras do clima e outras líderes ambientais.

Representamos vozes de todo o espectro político e de todas as áreas da sociedade, e analisamos nomes em torno de temas que dividem opiniões.

A lista também foi avaliada em relação à representação regional e à devida imparcialidade antes da escolha final dos nomes. Todas as mulheres deram seu consentimento para fazer parte da lista.