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Atualizado às: 09 de janeiro, 2009 - 19h54 GMT (17h54 Brasília)
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Crise e desemprego fazem França adiar reformas polêmicas

O presidente da França, Nicolas Sarkozy (foto de arquivo)
Presidente adia projetos polêmicos por temer explosão de revoltas
Em razão da atual crise econômica e do aumento do desemprego na França, o presidente Nicolas Sarkozy, conhecido por seu estilo implacável na aplicação de reformas que desagradam os trabalhadores, está sendo obrigado a recuar na adoção de projetos polêmicos por temer a explosão de revoltas sociais no país.

Pela primeira vez desde sua posse, em maio de 2007, Sarkozy preferiu evitar a queda-de-braço e adiou recentemente duas reformas amplamente defendidas na campanha presidencial: a do ensino secundário e a da liberalização do trabalho aos domingos.

Em dezembro, inúmeras manifestações estudantis em toda a França contra a reforma do ensino secundário coincidiram com a onda de violentos protestos de jovens nas ruas de Atenas, na Grécia.

Os manifestantes franceses protestavam contra o projeto que previa, além do corte de 13,5 mil vagas de professores, a possibilidade de os colégios escolherem livremente algumas das disciplinas ensinadas.

O governo francês, temendo que o conflito pudesse se alastrar no país nas mesmas proporções registradas na Grécia e aumentar ainda mais o clima de contestação social, preferiu adiar por um ano as discussões sobre a reforma do ensino secundário.

Trabalho aos domingos

No início de 2009, foi a vez de o projeto de flexibilização do trabalho aos domingos também ser adiado pelo governo, sem data prevista para ser retomado.

Além da oposição dos sindicatos e da esquerda, que apresentou uma série de emendas ao projeto, os próprios políticos do partido de Sarkozy, o UMP, criticaram a medida.

Muitos deles avaliavam que a reforma favoreceria as grandes redes em detrimento dos comerciantes de pequeno porte.

"A crise econômica está influenciando esta mudança de estratégia do governo, que está atento à opinião pública", disse o pesquisador Olivier Rozenberg, do Centro de Pesquisas Políticas da França (Cevipof), à BBC Brasil. "Sarkozy teme movimentos de revolta."

Segundo Rozenberg, os líderes europeus em geral estão preocupados com a generalização de protestos nas ruas.

"Os governos europeus estão impotentes diante da crise. O desemprego e as falências de empresas aumentam a cada mês", afirma. "Eles não conseguem combater isso e não querem aumentar o descontentamento da população."

"Trator"

O chamado estilo "trator de reformas" de Sarkozy não é mais o mesmo dos últimos meses.

Em novembro de 2007, o presidente francês não cedeu um palmo nas principais mudanças no sistema de aposentadorias dos funcionários dos transportes públicos, apesar de uma grande greve que paralisou a França durante cerca de dez dias.

Naquela época, ferroviários e metroviários voltaram ao trabalho sem conseguir derrubar o aumento do tempo de contribuição exigido pelo presidente.

"Sarkozy se esforça para não deteriorar ainda mais a opinião pública", afirma François Miquet-Marty, diretor do instituto de sondagens Viavoice. "O futuro é pouco promissor, e o presidente está agora em uma posição defensiva."

A situação nas periferias pobres da França também é instável. Na noite de reveillon, mais de 1,1 mil carros foram incendiados nos subúrbios do país, um aumento de 30% em relação à mesma data do ano anterior, apesar de o esquema de segurança ter sido amplamente reforçado.

Ano movimentado

O ano de 2009 começa movimentado em termos de protestos sociais na França, com manifestações de funcionários públicos, juízes, desempregados, trabalhadores de montadoras, sem-tetos e estudantes, apenas nos últimos dias.

O governo teme justamente que as diferentes categorias se unam em um grande movimento de contestação social. Os sindicatos tentam criar uma grande mobilização nacional e realizar uma greve geral no dia 29 de janeiro.

Outros movimentos surgidos recentemente, como o dos "Robin Wood dos supermercados", também dão idéia do descontentamento dos franceses nesse clima de crise.

Grupos que reúnem desempregados e trabalhadores em condições precárias estão invadindo supermercados em Paris e outras cidades, como Rennes e Grenoble, para pilhar as prateleiras e distribuir alimentos entre as pessoas necessitadas.

"A preocupação dos franceses em relação ao contexto econômico atual é grande", afirmou o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin ao jornal Le Parisien. "Se houver a impressão de que a ação do governo não produz resultados, há riscos de uma radicalização dos movimentos sociais."

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