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Atualizado às: 29 de dezembro, 2008 - 23h13 GMT (21h13 Brasília)
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Ministro diz que Israel vai 'até o fim' em guerra contra Hamas
Palestino observa destruição em Gaza
Israel diz que inimigo é o Hamas, não os moradores de Gaza
O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse nesta segunda-feira que seu país vai travar uma guerra até as últimas conseqüências contra o grupo militante palestino Hamas e seus aliados na Faixa de Gaza.

"Nós queremos paz, e estendemos a mão mais de uma vez ao povo palestino", afirmou Barak. "Não temos nada contra o povo de Gaza, mas temos uma guerra até o amargo fim contra o Hamas e suas extensões."

O governo israelense acusa o Hamas e outros grupos militantes palestinos presentes na Faixa de Gaza de lançar ataques com foguetes contra o sul de Israel. As autoridades israelenses apontam esses ataques como o motivo que causou o início da ofensiva.

O governo de Israel alega ainda que está fazendo o possível para minimizar o número de vítimas civis nos ataques.

"Nós estamos lutando, mas não evitando o envio de ajuda humanitária para os cidadãos (de Gaza)", disse Barak. "Além disso, determinei que seja permitida a entrada de quanta ajuda for necessária, e é isso que faremos."

Alvos

Nesta segunda-feira, pelo terceiro dia consecutivo, aviões israelenses bombardearam alvos considerados chave para o Hamas na Faixa de Gaza.

Os mais recentes ataques atingiram o prédio do Ministério do Interior e a Universidade Islâmica, um símbolo do movimento político palestino que domina o território desde 2007.

Segundo o correspondente da BBC em Gaza, Rushdi Abualouf, as chances de o ataque ter deixado vítimas são pequenas, já que a universidade foi evacuada desde o início das operações israelenses porque o Hamas já esperava uma possível ofensiva no local.

Outras repartições públicas e túneis que ligam o território palestino ao Egito também foram atingidos nos ataques iniciados no último sábado. Os palestinos usam essas rotas para levar comida e outros suprimentos do Egito - inclusive armas, segundo Israel.

O chefe de assuntos humanitários da Organização das Nações Unidas, John Holmes, afirmou que as últimas informações dão conta de que cerca de 320 palestinos foram mortos nos três dias de ataques e outros 1.400 ficaram feridos.

“Sessenta e dois dos mortos, acreditamos, eram civis. Este número só leva em conta as mulheres e crianças mortas, não incluímos o número de mortos civis homens, apesar de sabermos que também houve mortes entre homens civis”, disse Holmes em uma entrevista coletiva.

Fontes de hospitais palestinos, no entanto, informam que o número de mortos pode ser ainda maior, com 345 vítimas fatais e cerca de 1.650 feridos.

Enquanto isso, o governo de Israel informou sobre outra vítima fatal do lado israelense, um trabalhador que estava em um prédio atingido por um foguete de médio alcance na cidade de Ashkelon. Três pessoas ficaram gravemente feridas nos ataques.

Ainda nesta segunda-feira, a imprensa israelense registrou mais duas mortes causadas por foguetes na cidade de Nahal Oz, perto da fronteira com Gaza, e na cidade de Ashdod.

Ao todo, segundo a polícia israelense, quatro civis foram mortos em Israel vítimas de mísseis lançados por militantes palestinos.

Pressão

Forças terrestres israelenses estão se agrupando na fronteira com Gaza, e o governo de Israel declarou "zona militar fechada" em áreas ao redor do território palestino.

De acordo com o governo israelense, a medida foi tomada devido ao risco de ataques palestinos com foguetes contra alvos israelenses na região em retaliação contra a ofensiva em Gaza. Israel alega que mais de 110 foguetes foram lançados do território desde o último sábado.

A decisão de fechar a região ao redor da Faixa de Gaza, a convocação de 6,5 mil reservistas e a movimentação de tropas na fronteira são sinais de que uma operação terrestre está sendo preparada por Israel.

A ofensiva militar começou no sábado, menos de uma semana depois do fim de um acordo de cessar-fogo de seis meses com o Hamas.

Israel bombardeou todas as principais cidades da Faixa de Gaza, inclusive a Cidade de Gaza, no norte do território, e Khan Younis e Rafah, no sul.

Mais de 210 alvos foram atingidos nas primeiras 24 horas do que Israel diz que pode ser uma longa operação militar.

Segundo analistas, sábado foi o dia em que foram registradas mais mortes na Faixa de Gaza desde a ocupação israelense do território em 1967, embora não exista uma confirmação independente do número de mortos.

A maioria, contudo, seria formada por policiais a serviço do Hamas, inclusive o chefe da polícia local. Mas relatos indicam que mulheres e crianças também foram mortas.

“Cessar-fogo imediato”

Ainda nesta segunda-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu que tanto Israel quanto o Hamas interrompam a violência e tomem todas as medidas necessárias para evitar mortes de civis.

Ban ainda pediu que Israel permita que ajuda humanitária possa cruzar a fronteira com Gaza.

Mortos no conflito
320 pessoas em Gaza, no total (fonte: ONU)
62 civis em Gaza (fonte: ONU)
4 civis em Israel (fonte: Polícia israelense)

“Um cessar fogo-deve ser declarado imediatamente. As partes também devem conter sua retórica inflamada, só assim o diálogo pode começar”.

Segundo John Holmes, chefe de assuntos humanitários da Organização das Nações Unidas, 60 caminhões com suprimentos foram autorizados a cruzar a fronteira nesta segunda-feira.

“Reação desproporcional”

Em uma nota divulgada nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil “deplorou” a continuidade dos conflitos em Gaza e chamou a reação do governo israelense na região de “desproporcional”, além de pedir que ambas as partes cessem os atos de hostilidade mútua.

“O governo brasileiro deplora a continuidade das ações desproporcionais do governo de Israel na região da Faixa de Gaza, que já causaram, em apenas três dias, a morte de mais de 300 palestinos, muitos dos quais civis e crianças”, diz o comunicado.

Conselho de Segurança

Em vários países do mundo islâmico, incluindo Síria, Iraque, Jordânia e Líbano, protestos estão sendo realizados contra a ofensiva.

Em Teerã, autoridades iranianas se juntaram aos protestos para pedir que, nas palavras dos manifestantes, Israel "seja eliminado do mapa".

O líder exilado do Hamas, Khaled Meshaal, pediu uma nova intifada (ou levante) contra Israel.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas seguiu o exemplo da comunidade internacional e pediu o fim da violência entre Israel e o Hamas.

Os Estados Unidos, o maior aliado de Israel no órgão, disse que cabe ao Hamas parar com o lançamento de foguetes em território israelense.

Na Grã-Bretanha, o ministro do Exterior, David Miliband, descreveu a situação em Gaza como "perigosa" e disse que este é um "momento sombrio" para o Oriente Médio.

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