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Imprensa árabe defende iraquiano que atirou sapatos em Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Vários setores da imprensa e mídia árabe defenderam o ato do jornalista iraquiano Muntadar Al-Zaidi, que atirou dois sapatos no presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, durante uma coletiva realizada no domingo em Bagdá. O jornalista foi preso e pode pegar até dois anos de prisão sob a acusação de "ofender uma autoridade estrangeira em visita ao país". Na segunda-feira, milhares de iraquianos saíram às ruas do país para pedir a imediata libertação de Al-Zaidi. A cena dos sapatos foi transmitida constantemente no domingo e segunda-feira nos canais de televisão pelo mundo árabe, com várias emissoras recebendo ligações ao vivo com comentários descrevendo o ato como um "momento histórico". Para vários comentaristas árabes, Al-Zaidi pode até ter exagerado em seu protesto, mas é a mensagem que está por trás de seu ato que deve ser levada em conta e discutida. Para muitos, o jornalista iraquiano mandou uma forte mensagem, não somente cultural e expressão de desabafo e oposição à invasão e ocupação americana do Iraque, mas também um final humilhante para um presidente extremamente impopular de políticas beligerantes para o Oriente Médio. "Uma justa despedida para um criminoso de guerra”, escreveu Abdel Bari Atwan, editor-chefe do jornal Al-Quds Al-Arabi, baseado em Londres. Atwan ironizou o presidente americano dizendo que Bush não foi recebido como um libertador com flores e demonstrações de alegria dos iraquianos, mas sim por "sapatos voadores". "Usar os sapatos como forma de liberdade de expressão é estranho sim, e não profissional, especialmente vindo de um jornalista. Mas eu posso entendê-lo devido ao fato de que ele deve se sentir frustrado com a deterioração das condições de seu país e a morte de mais de um milhão de seus compatriotas por causa da invasão americana." Atwan defendeu, ainda, que Bush deveria ser levado a uma corte por crimes de guerra. Presente de Natal Em várias capitais árabes, comentaristas e intelectuais árabes que se opuseram à invasão do Iraque, em 2003, chamavam Al-Zaidi de herói e não escondiam sua satisfação com as imagens por emissoras árabes, incluindo a rede Al Jazeera. Outros jornais, como o diário egípcio Al-Ahram, o iemenita Al-Ayyam e o palestino Al-Quds, comemoraram o incidente e defenderam o jornalista iraquiano, comentando em seus editoriais que o presidente americano recebeu um merecido "presente de Natal" do povo iraquiano. O editor-chefe do jornal independente jordaniano Al-Ghad, Moussa Barhoumeh, descreveu o ato de Al-Zaidi como uma coragem que expressa como os iraquianos e os árabes odeiam Bush. "Ele é um tirano e levou uma dura resposta por encher o mundo inteiro com destruição e transformar a vida de milhões pelo mundo em um inferno." Libertação Al-Zaidi trabalha para a emissora Al-Baghdadia, baseada no Cairo, cuja direção já enviou comunicado pedindo sua imediata libertação "de acordo com a liberdade de expressão e democracia prometida pelo novo regime iraquiano". Segundo o comunicado, a emissora teme pela "segurança de seu jornalista, com medo de que seja torturado, e que responsabiliza as autoridades iraquianas e americanas por qualquer medida contra Al-Zaidi". O canal conclamou as associações de imprensa árabes e internacionais para pressionar o governo iraquiano e mostrarem solidariedade com o jornalista iraquiano. No Líbano, o site Menassat.com, especializado em discussões sobre imprensa e liberdade de expressão no Oriente Médio, e com colaboradores em várias capitais árabes, abriu um fórum de discussão sobre o ato de Al-Zaidi. Imediatamente, dezenas de comentários começaram a aparecer, em que vários blogueiros pediam a libertação do iraquiano e lamentavam que ele tenha errado seu alvo. "Profissionalmente acho que ele agiu errado, poderia ter protestado com palavras. Mas eu entendo sua reação, só Deus sabe o que este jornalista deve estar passando em seus país, assim como muitos outros de seus colegas. Ele deve ser solto já", escreveu o blogueiro Bassam Sebti. O popular blog egípcio Arabist também comemorou o ato de Al-Zaidi, dizendo que foi "uma cena bonita que faz a pessoa chorar de alegria". O blog defendeu a libertação do iraquiano, argumentando que era hora de mostrar que a tal democracia e liberdade de expressão americana para o Iraque realmente existia. Grupos de direitos humanos árabes e sindicatos já se manifestaram com solidariedade a Al-Zaidi. Jornais árabes também argumentaram que o ato de Al-Zaidi deve servir como uma clara mensagem ao seu sucessor, o presidente eleito Barack Obama, quando desenhar sua política para o Iraque e o Oriente Médio. Um comentarista egípcio do canal independente Al-Hayat disse que se Bush não entendeu a “causa” do jornalista, Obama deverá entendê-la melhor e adotar uma política que repare o estrago que a administração Bush causou ao mundo árabe após os ataques de 11 de Setembro. Na Jordânia, o escritor Samih Khalaf, do Centro de Pesquisa Árabe e Estudos Estratégicos, resumiu em seu site o ato de Al-Zaidi – "O cavaleiro dos cavaleiros". |
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