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Atualizado às: 15 de dezembro, 2008 - 23h33 GMT (21h33 Brasília)
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Argentina lança pacote de obras de US$ 32,6 bilhões

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciando o pacote nesta segunda-feira (foto: Presidência argentina)
Cristina espera criar 400 mil empregos com pacote
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta segunda-feira um plano de 111 bilhões de pesos (cerca de US$ 32,6 bilhões) para obras nos setores de energia, transporte e habitação, dando mais um passo para tentar aquecer a economia do país.

Segundo a presidente, deste total, 57 bilhões de pesos devem ser investidos já em 2009.

Cristina Kirchner destacou que o investimento de 111 bilhões de pesos deve gerar, ao longo de cinco anos, pelo menos 400 mil empregos. Por outro lado, ela reconheceu que o Estado não conta com todos os recursos e deverá conseguir 40 bilhões de pesos no mercado.

"Estas obras que anunciamos não são resultado da pressa diante da crise internacional. Ela faz parte de um trabalho que já tínhamos planejado desde 2003", disse a presidente.

O ministro do Interior, Florencio Randazzo, disse que 12 bilhões de pesos (cerca de US$ 3,5 bilhões) do pacote serão financiados pelo BNDES e pelo Banco Nación, da Argentina.

O governo também anunciou o pagamento de um bônus de 200 pesos (cerca de US$ 58) para os aposentados.

Quarto pacote

Este foi o quarto pacote econômico anunciado pela presidente em menos de um mês, mas economistas ouvidos pela BBC Brasil desconfiam de seus efeitos práticos e imediatos.

"Essa catarata de anúncios foi feita de forma muito rápida. No caso do financiamento para automóveis zero quilômetro, por exemplo, o projeto não estava pronto e o anúncio acabou gerando queda na demanda", disse a diretora da consultoria Bein e Associados, Marina dal Poggetto.

Ela observou que parte dos recursos destes pacotes sairão da reestatização da previdência privada, que já é lei, e da expectativa de maior arrecadação com a anistia aos que têm dívidas com o fisco.

Já o economista Aldo Abraham, da consultoria Exante, entende que as medidas podem acabar não saindo do papel.

"Ou o governo usa os recursos da previdência e do Banco Nación para pagar este projeto ou deixa de dar crédito ao setor privado", afirmou.

Desaceleração

Os dois economistas concordaram que a economia argentina termina o ano com forte desaceleração, que deve continuar durante 2009.

Segundo a consultoria Bein, o ano que vem deve terminar com 1,4% de expansão econômica. Para este ano, a previsão é de 6,5%.

"A queda nos preços das commodities (soja e petróleo) deverá reduzir à metade a balança comercial do ano que vem. O nível de atividade econômica está sofrendo um freio importante. Em novembro, houve melhora frente a outubro, mas isso não quer dizer que o consumo aumentará", disse Dal Poggetto.

Para ela, depois da reestatização da previdência privada, no mês passado, já é possível prever que a Argentina pagará suas dívidas de 2009.

Por sua vez, Abraham duvida das contas públicas e acha que os números não estão claros para o ano que vem.

Atualmente, a Argentina tem cerca de US$ 46 bilhões de reservas, um recorde, mas é um país sem crédito na praça, já que pagou apenas parte do calote que decretou em 2001.

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