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Líder rebelde do Congo 'apóia' plano de paz | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O líder rebelde Laurent Nkunda disse neste domingo que está disposto a apoiar um plano de paz junto ao governo da República Democrática do Congo. A declaração foi feita depois de uma reunião entre Nkunda e o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, enviado da ONU ao país. O encontro ocorreu dentro de uma igreja na cidade de Joma, controlada pelos rebeldes, ao norte de Goma, capital da província de Kivu do Norte. Segundo relatos, o líder rebelde teria concordado em respeitar um cessar-fogo anunciado há algumas semanas e abrir um corredor para o envio de ajuda humanitária a milhares de pessoas. “Hoje é um dia muito importante para nós porque estamos perdendo muitos homens e agora temos uma mensagem de paz. Nós deveríamos trabalhar com esta missão”, disse Nkunda. “Nós concordamos em abrir corredores humanitários para colaborar com o processo (de paz).” Em entrevista após o encontro, Obasanjo disse que a reunião foi “muito boa” e reforçou que esforços coordenados serão necessários para que o plano de paz apoiado pela ONU seja bem-sucedido. Novos combates Obasanjo foi recebido nesta manhã por Nkunda, que trocou o uniforme militar por um terno cinza. No sábado, Obasanjo disse que era importante saber exatamente quais as exigências de Nkunda. O líder rebelde diz estar lutando para proteger a comunidade da etnia tutsi dos ataques dos hutus, que fugiram da Ruanda para o Congo após o genocídio de 1994. Em recente entrevista à BBC, Nkunda disse que queria controlar o país. Segundo o correspondente da BBC em Goma, Mark Doyle, a declaração é obviamente uma “arma de propaganda”, mas assustou muitos congoleses que acreditam que Nkunda conta com o apoio da pequena, porém poderosa vizinha, Ruanda. O enviado da ONU, que se reuniu no sábado com o presidente congolês, Joseph Kabila, disse que o governo não está disposto a dialogar com os rebeldes. O encontro entre Obasanjo e Nkunda ocorreu em meio a relatos de novos combates na área de conflito, no leste do país. Testemunhas disseram ter visto artilharia pesada e o disparo de foguetes e armas perto do vilarejo de Ndeko, a 90 km ao norte de Goma. Ainda segundo o correspondente, o fato de os conflitos terem ocorrido durante a conversa do enviado da ONU e do líder rebelde não é surpreendente porque ambos os lados querem negociar a partir de uma posição de "força militar". Na sexta-feira, os governos de Ruanda e do Congo fecharam um acordo de cooperação para combater forças rebeldes que atuam na fronteira dos dois países e são acusadas de causar o genocídio de 1994 em Ruanda. Em uma coletiva em Kigali, capital da Ruanda, os ministros das Relações Exteriores dos dois países se comprometeram a adotar uma série de medidas que, segundo correspondentes, pode mudar a situação na região. Ambos concordaram com o envio de agentes de inteligência de Ruanda para o Congo, onde vão trabalhar com o Exército congolês e a comunidade internacional para ajudar a combater a presença da mílicia hutu que atua nas montanhas e florestas da região. Cerca de 250 mil pessoas abandonaram suas casas no Congo para fugir da violência desencadeada em agosto pelos confrontos entre os rebeldes liderados por Nkunda e forças do governo. O governo do Congo já prometeu diversas vezes impedir que as forças hutu atuem em seu território, mas ainda não havia tomado medidas efetivas para cumprir a promessa. |
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