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Atualizado às: 04 de novembro, 2008 - 11h31 GMT (09h31 Brasília)
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Pró-McCain, Israel acompanha com apreensão as eleições nos EUA

Capas de jornais israelenses
Eleição é destaque na imprensa israelense
A possível vitória do candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, nas eleições desta terça-feira, preocupa os israelenses que, na sua maioria, apóiam o candidato republicano John McCain.

Parte dos israelenses teme que, se eleito, Obama venha a trazer uma mudança de atitude do governo americano em relação a Israel, considerado o maior aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio.

De acordo com a última pesquisa de opinião, 46.4% dos israelenses preferem a vitória de McCain e apenas 34% a de Obama.

Para o cientista politico Jonathan Rynhold, da Universidade de Bar Ilan, a eleição de Obama pode levar a uma “tensão entre Israel e os Estados Unidos”.

“Obama dará mais importância ao processo de paz e deverá exercer mais pressões sobre Israel”, disse Rynhold à BBC Brasil.

“Ao contrário de Bush, que não pressionou Israel e não considerou o processo de paz como objetivo central de seu governo, Obama deverá, por exemplo, exercer pressões enérgicas para que Israel congele a construção de assentamentos”, afirmou.

Para o analista, a tensão entre Israel e os Estados Unidos pode aumentar “principalmente se (Binyamin) Netaniahu ganhar as eleições em Israel”.

Eleições gerais

As eleições nos Estados Unidos ocorrem 3 meses antes das eleições gerais em Israel, marcadas para o dia 10 de fevereiro, e as pesquisas de opinião indicam grandes chances de vitória para o partido de direita Likud, liderado pelo ex-primeiro-ministro Binyamin Netaniahu.

A apreensão em Israel é tão significativa que o maior jornal do país, o Yediot Ahronot, publicou nesta terça feira um artigo de Martin Indyk, um dos mais importantes assessores de Obama para questões do Oriente Médio, intitulado: “Não se preocupem”.

No artigo, Indyk, que foi o embaixador americano em Israel durante o governo Clinton, afirma: “Muitos de meus amigos israelenses estão preocupados, creio que essas preocupações são infundadas”.

“Obama disse que os sete anos em que Bush abandonou os esforços pela paz e seu boicote à negociação entre Israel e a Síria não foram benéficos para Israel e que pretende ajudar Israel a avançar em direção à paz”, afirma Indyk no jornal.

Para o diplomata, as posições de Obama podem levar os Estados Unidos a voltarem a se envolver “como parceiro integral” no processo de paz, “não para pressionar Israel, mas sim para incentivar ambas as partes a fazerem as concessões que devem fazer”.

Porém são exatamente essas concessões que preocupam muitos israelenses.

As pesquisas indicam que a maioria dos israelenses é contra a devolução de territórios aos palestinos e apóia partidos de direita, extrema direita e ultra ortodoxos, cuja posição contra as negociações de paz é clara.

Uma razão fundamental para o fracasso das tentativas da líder do partido Kadima, Tzipi Livni, de formar uma coalizão governamental, foi a oposição do partido ultra-ortodoxo Shas a negociar o status de Jerusalém.

Outro tema que preocupa os israelenses é a intenção de Barack Obama de dialogar com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que defende a destruição de Israel.

Segundo o jornalista Shimon Shifer, do jornal Yediot Ahronot, a principal mudança que seria introduzida por Obama no Oriente Médio, caso vença a eleição americana, seria a busca por diálogo. "Para Obama, não haverá pessoas, movimentos ou países banidos...os emissários de Obama terão um diálogo com todos”, diz Shifer.

Shifer acredita que os emissários de Obama deverão dialogar não só com o Irã, como também com grupo palestino Hamas.

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